O Último

3 12 2008

1150ef0202image_media_horizontalEra sua última refeição. Seu último abraço. Seu último ‘até logo’. Havia recebido uma promoção no mês anterior e estava radiante. Caminhava triunfante pelo saguão do aeroporto. Vestia roupa azul, sapatos pretos muito bem lustrados, gravata vermelha e um broche com o desenho de duas asas, o qual ostentava com muito orgulho, identificando-o como comandante. Henrique Stephanini Di Sacco, 54 anos, entra no Airbus A320 da TAM, voô JJ 3054. Cumprimenta toda tripulação, saúda seus passageiros, se assenta na poltrona e decola às 17h16 do aeroporto de Porto Alegre. Algum tempo depois, Henrique diria suas últimas palavras: “Vira! Vira! Vira!” Em seguida, apenas as chamas.

Se você soubesse quando seria o seu último momento que atitude tomaria? Alguns sairíam para um retiro com a família, outros passariam o tempo todo em oração, ou ainda ficariam a reparar as brechas. Quem sabe? Entretanto, de qualquer maneira, se refletirmos acerca do ‘Último’ (não o Causador ou o Primordial que é Deus, mas a Causa pura e simples), perceberemos quão frágil, impotente e necessitado é o homem.

O tempo corre em direção ao infinito, por mais que tentemos segurá-lo com as mãos, este escorrerá por entre nossos dedos como óleo e quando menos esperarmos, o Último do tempo estará batendo com a parede no nosso corpo, empurrando-nos para o desconhecido. Por mais que lutemos e relutemos para escapar perceberemos que nos é impossível. Não importa quanto conhecimento possamos ter ou a nossa situação financeira, todos somos cortados pela mesma navalha temporal, todos estamos incapacitados de lidar com o tempo. Então, chega o Último.

Pode ser uma imagem desagradável, mas, pare por um instante e imagine o momento de sua morte. Pessoas chorando em volta do esquife, a coroa de flores, roupas negras, uma música em acordes menores tocando ao fundo e alguém sempre afirmando: “Mas ele era tão bom!” A princípio, se congelarmos a imagem nesta ocasião, talvez pareçamos pessoas importantes e que sempre serão lembradas. Porém, deixe que as horas passem, o dias cheguem ao fim e se renovem, deixe que as flores da primavera se desprendam da árvore para dar lugar aos frutos anuais, o pó voltar ao pó, o tempo continuar sua corrida, então você perceberá que nada somos, incapazes de lidar com o Último, que se mostra mais forte que nós.

No momento, encontro-me em uma situação na qual estarei dentro de poucos dias encarando o Último. Não o Último moribundo, mas o Último que volta e meia temos que encarar na vida. Estou a poucos dias de deixar amigos que amo para trás, um local no qual passei momentos incríveis, para seguir em direção a uma nova fase da vida. Então paro para pensar: “Que farei nestes momentos que me restam?” Nesse instante não vale muito à pena refletir nas oportunidades que perdi, mas me concentrar nas últimas oportunidades. Agora começo dar valor àquilo que tem valor, pois, por mais que eu queira o progresso da minha maneira, o tempo é mais forte e me leva ao meu Último.

O Último é um grande paradoxo da vida. Ao mesmo tempo em que traz alegrias para alguns, carrega tristeza para outros, ao mesmo tempo em que encerra o velho, dá início ao novo. O último dia no hospital leva qualquer um à uma esfera de alegria, afinal, agora o doente está curado, as chagas foram levadas e a carne sadia mostra o vigor da pessoa que entra no carro rumo à sua casa, entretanto, o mesmo Último trará grandes lágrimas se a saída se der dentro de uma urna rumo ao local da mortuária. Quando o relógio bate meia-noite sob o manto escuro e flamejante do céu de 31 de Dezembro, ao mesmo tempo despedimos do ano velho e saudamos o ano novo. Alegria, tristeza, velharia, novidade… Em qual lado do paradoxo você prefere se encontrar?

Ainda estamos na Terra, portanto, mesmo que construam máquinas poderosas, computadores velozes, edifícios luxuosos nada disto é mais forte e imponente do que o tempo que leva todas as coisas ao seu Último inevitável. Entretanto, existe Um que é o possuidor do Tempo, Aquele cujo relógio não possui ponteiros, pois é impossível medir a eternidade. Este é o Ser que manifestará o desenlace do Último, levantando a cortina do espetáculo e revelando que o palco da História não tem fim. Ele, que desde milhares de anos antes de Cristo revelou com precisão o que haveria de acontecer em nossa era por meio daquilo que chamamos ‘profecias’, as quais são provas racionais o suficiente para comprovar tanto Sua existência quanto a capacidade de controlar o que foge ao nosso controle, o Tempo.

Chegará o dia em que uma nova era será inaugurada, não mais a Era do Fim, mas a Era do Infinito. O Senhor dos Céus descerá e com poder repetirá as palavras anteriormente ditas, agora em contexto totalmente diferente: “Está feito!” (Ap. 21.6) Encerrou-se o período do Último, as portas se fecharam para então dar início às ‘novas coisas’, pois este Poder disse: “O tempo está próximo. Eu sou o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Certamente venho sem demora.” (Ap. 22.10, 13, 20).

O Último pode causar tristeza. Mas lembre-se, o Último é um paradoxo. Portanto, fique feliz, salte de alegria, enxugue as lágrimas, pois estamos nos ‘últimos dias’.

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SPFW e a Guerra

26 06 2008

     É interessante observarmos as ações em favor da paz mundial. Atores renomados, cantores de sucesso, estrelas da mídia americanamente internacional, todos eles colocando suas carinhas angélicas na frente das câmeras demonstrando sua rebeldia com este planeta e doando milhares de dólares para entidades carentes (não sei, mas às vezes tenho minhas desconfianças que estas pessoas são entidades filantrópicas ambulantes). Paz e properidade são os temas principais que permeiam todo discurso do fim-de-ano, além das diversas promessas que se encerram no dia 1º de fevereiro. Paz e prosperidade é o maior discurso das pessoas ‘bem-intencionadas’. Paz e prosperidade, utopia moderna.
     A economia atual está entrando em colapso. O petróleo tem aumentado cada dia mais, nesta última semana o preço do barril chegou perto dos US$ 140. Entretanto, nada disso deveria nos assustar, exceto o bolso, se não fosse o caso de que os Estados Unidos estão perdendo com toda esta história, pois o seu óleo preto está acabando e o Oriente Médio tem se tornado o maior detentor petrolífico do mundo. Para misturar e temperar esta salada encontramos o preço dos alimentos subindo a proporções geométricas. Bom, uma pergunta então é levantada: “E daí?”
     George W. Bush diz ter procurado ‘armas de destruição em massa’ no Iraque, mas o que na realidade ele encontrou? Cavernas, população faminta, e de quebra deixou corpos inertes, ruínas modernas e um tesouro balístico perdido. Então após tudo isto permanece para dizer: “Estamos aqui para salvar este país!” Claro que está! A única coisa é que ele deveria especificar o objeto da oração, ‘este país’ se refere aos Estados Unidos, óbvio! Ele foi até lá para dar uma espionada no petróleo e salvar ‘este país’ de uma recessão econômica.
     A alta na indústria do petróleo e o aumento no preço dos alimentos poderão ocasionar uma guerra mundial com proporções inimagináveis, movida, como todas as guerras, por ambições monetárias. “Esse barril de petróleo é meu!” – morte de 500; “Devolva o saco de soja que você roubou de mim!” – morte de 1340; “Eu quero a sua água!” – morte de 3000. Aonde tudo isto irá parar? No SPFW!
Um dos maiores eventos estilísticos do mundo ocorre em São Paulo nesta semana, onde modelos magérrimas desfilam pelas passarelas se equilibrando tanto nem salto agulha como em pernas agulha. De tão magras que são, bem que podíam posar para uma campanha contra a fome (apesar de que os rostinhos bonitos seriam um tremendo ruído de informação). E por falar em fome, a ‘top model’ tcheca Karolina Kurkova, umas das ‘angels’ da grife Victoria’s Secret, foi chamada de GORDA! Isto mesmo, coloco de novo e com letras bem maiúsculas: GORDA! Simplesmente porque apareceu com umas dobrinhas nanométricas ao desfilar de biquini pela Cia. Marítima. Então lhe pergunto retoricamente: “Que raios estes estilistas, os quais esqueceram que nasceram homens, encontraram de gordura em uma mulher que tem a cintura com cerca de 30 cm de largura?”
     O mundo da moda é um universo que visa proclamar qual deve ser o meu gosto pessoal. ‘A tendência do próximo verão será vermelho!’, ‘Este outono só vai dar couro roxo.’, ‘Calças marcadas em bolinhas coloridas estarão totalmente na moda no ano que vem.’ E se eu não gosto de vermelho, nem de couro roxo ou de uma roupa circense!? Que eles têm a ver com isto? Desprendem tempo e talento procurando dizer o que deve ou não ser usado enquanto passa despercebido de seus olhos que moda é simplesmente uma questão sociológica, e ainda saem por aí dizendo que tem uma ‘top model’ gorda! O planeta está entrando em colapso internacional e eles aí, procurando gordura em modelo, assim como alguém procura rabo em caranguejo.
     O grande problema é que o mundo encara as eventualidades de maneira superficial. Seres humanos estão morrendo e a socialite está observando um universo virtual. Pessoas correm atrás de um prato de comida e estilistas correm atrás daquela que comeu um prato de comida. Depois todos estes declaram paz e prosperidade.
     Eu lhe digo: a fome tem uma solução. Mas também replico: a fome não tem solução. Eu lhe digo: a paz pode ser encontrada. Mas também replico: a paz nunca será encontrada. A resposta e a contra-resposta é a atitude do homem.
     Se não fosse esta banalidade da mente humana em procurar alcançar a superficialidade de seu ego, não haveria guerra. São estampadas na primeira página de um jornal: “Novas tecnologias para a indústria militar!” Esta frase esconde outra um tanto que terrível: “Novos meios mais eficazes de matar pessoas e destruir cidades!” Se os governos parássem de investir bilhões de dólares com este tipo de comércio e utilizasse o mesmo dinheiro para alimentar que necessita, a fome acabaria e conseqüentemente a guerra, pois sem armas não há guerra. Entretanto, o egoísmo humano é interminável, por isso não existe solução, tudo fica na beleza e utopia das passarelas que acham lindo a fome, nos discursos de indivíduos que procuram flashes e câmeras, nas declarações da Miss Universo. Enquanto isso, na sala de justiça econômica os nossos heróis economistas aumentam o preço do petróleo (afinal, não venha me dizer que isto é um ato da natureza), disparam com o preço dos alimentos e o mundo entra em guerra novamente.
     Falsos profetas modernos! Já dizia Ezequiel: “Visto que andam enganando, sim, enganando o meu povo, dizendo: Paz, quando não há paz.”
     O poder revela!