Esperança e Silêncio

15 01 2011

(ver o texto Sofro, logo Deus existe)

Mais uma tragédia das muitas que ocorrem pelo mundo a fora. Uma tromba d’água que levou consigo toneladas de barro e muitas vidas, um momento em que muitos ficam apenas se perguntando: “Por quê?”. Respostas evasivas e inacreditáveis surgem no meio de tanto alvoroço, vozes quase do além. Além da tristeza, além da realidade, além do consolo. Tanto tem para se falar para pessoas que nada tem, e misturado a este palavrório insensato outros brigam com a existência do divino.

Devo admitir que algumas vezes deixamos o sofrimento falar tão alto que não conseguimos compreender que há uma esfera superior (apenas superior, o que não a coloca como irreal ou meramente transcendente, pois esta mesma também é imanente) e nos voltamos para Aquele que É apontando o dedo com arrogância e acusando-O de não fazer nada, na verdade, colocando as tragédias como provas para a sua inexistência. Tolice ilógica! O garoto que se joga em cima dos espinhos e coloca a culpa em seu próprio pai. O mundo é destruído pelo ser humano, porém, a sua loucura desvairada se excede tanto que, ainda cambaleando pela embriaguez, diz bobagens, procura causas ocultas imaginárias e continua a destruir a própria casa.

André Comte-Sponville em seu livro “Tratado do Desespero e da Beatitude” nos conclama a seguir uma vida des-esperada. Pois aqueles que possuem esperança vivem eternamente em um mundo sem alegria, pois quem espera o faz porque anseia que tudo seja melhor, mas os que não possuem esperança, os des-esperados, resolvem viver uma vida plena aqui e agora. Todavia, eu me volto para Comte-Sponville e pergunto se o mesmo vale para a tragédia no Rio de Janeiro, se este discurso é válido para aquelas famílias que com muito esforço construíram suas casas, mas que em questão de minutos viram os sonhos de suas vidas ruírem e serem levados pela enxurrada. Viver uma vida sem esperança é viver uma vida burra, pois a esperança não trás tristeza, como ele alega, entretanto, a esperança traz alegria e conforto, porque tem-se a certeza que de ainda não se vive o fim. Resumir a existência humana meramente ao planeta Terra com se vê é a maior angústia que se pode dar a qualquer ser humano.

Claro que o divino não é um lenitivo como a morfina (a URSS não foi um LENINtivo para o mundo), nem mesmo os bancos de uma igreja funcionam como o divã de um psicanalista invisível, porém, o ateísmo não pode preencher esta falha visivelmente necessária na atual existência humana: a ESPERANÇA, fator que cada vez mais se encontra em falta. Eleitores não se preocupam com seu voto, pois perderam a esperança, pais não se preocupam com a escola, pois perderam a esperança, jornalistas transmitem catástrofes da mesma forma que Ana Maria Braga passa uma receita porque não há mais esperança, as pessoas não querem acreditar em Deus porque não há esperança (por mais contraditório que pareça!). Não vivemos em um mundo desesperado, mas em uma sociedade amorfa e apática, que não sabe de onde vem e muito menos para onde vai, uma sociedade que deixa o etéreo lhe causar estresse enquanto que as realidades mais concretas são postas de lado. Um pós-modernismo que tem levado ao catastrofismo.

O que fazer então?

Eu proponho uma volta aos propósitos de Cristo. Ele mesmo disse que no fim dos tempos a sociedade e a natureza dariam sinais de que tudo estaria se encerrando (Mateus 24), como as últimas notas de uma música anunciam o desfecho do espetáculo: guerras, rumores de guerras, fome, terremotos e tantas outras catástrofes dignas de livros de ficção, mas que infelizmente não são. Será que nada disto acontecia a 2000 anos atrás? Será que estas coisas fazem parte do mal moderno? A resposta é um claro não, pois quando Jesus disse que nos últimos dias estas coisas se dariam, Ele estava declarando que o Reino de Deus já havia chegado, porém, uma coisa ainda faltava: o evangelho do Reino ser pregado a todas as nações.

É inegável que nestes últimos anos estes eventos (que gostaríamos de tê-los longe da nossa mente e da realidade) tem se tornado cada vez mais intensos e frequentes, mas a nossa missão é levar o evangelho àqueles que nos rodeiam. João em sua primeira carta nos diz que o rosto de Deus é revelado aos outros por meio das intenções e atitudes de cada um de nós. Portanto, quanto às famílias do Rio de Janeiro, deixe as palavras de lado e abrace, chore e doe calor humano, pois é assim que se leva o evangelho e diz as palavras de Cristo: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” (Mateus 11.28, NVI).

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Paz e Pacificadores // parte2

1 01 2009

paz_pacif2No texto anterior abordamos a questão da paz. Podemos perceber que o nosso conceito comum de paz (pax romana), não é nada mais que um desejo intenso, imerso na alma humana, portanto, tentar alcançá-lo enquanto estamos na Terra é uma tarefa árdua e infinita, pois é impossível. Enquanto estamos neste planetinha, resta-nos viver a Shalom, uma paz que não está livre de problemas, mas é chamada de ‘paz’ porque apesar dos problemas, estamos de mãos dadas com o Ser Supremo.

Agora, abordemos a questão do pacificador, pois não é possível haver paz se não houver quem a leve, ou seja, o pacificador.

O conceito de pacificador se encontra um tanto que defazado na sociedade moderna. Este meio pluralista em que nos encontramos, acaba levando à uma confusão de ideologias e doutrinas. Hoje encontramos a paz mesclada com a guerra. O caso mais recente é a guerra no Iraque, justificada pelo conceito de paz que os americanos querem introduzir naquele país abandonado. Os pacificadores modernos não mais portam mãos que acariciam e confortam, mas, carregam rifles e metralhadoras. Imagine um soldado chutando a porta da sua casa até derrubá-la, apontando uma arma para o seu rosto e dizendo asperamente: “Viemos trazer-lhe paz! Aceita ou morre!”

Talvez você se pergunte: “Mas não é exatamente assim que deve ser enquanto estamos na Terra? Afinal, já que nunca alcançaremos a pax romana, devemos nos comportar da maneira que o mundo vive, nos adaptar ao meio.” Sim, devemos nos adaptar ao meio (assunto visto em: “Sobre cebolas, maçãs e batatas” e será esclarecido no próximo texto), entretanto, o conceito de pacificador foge ao conceito mais simples da lógica que diz: “A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo”. Se o pacificador deve trazer novamente as coisas à ordem (ainda que não alcance a perfeição) como posso realizar tal feito por meio da desordem?

Cristo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.” (João 14.27). Esta declaração O coloca na categoria de pacificador, todavia, o mesmo Cristo também disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.” (Mateus 10.34). Será que Jesus se contradizia nas Suas palavras? Será que Ele é mais um destes pacificadores modernos? Para responder, devemos perceber as características das subcategorias de pacificadores.

Já vimos que o conceito de paz experiencial, esta que já podemos viver, possui visões totalmente diferentes, dependendo da ideologia que se vive. A divina ou a humana. A real ou a utópica. Cristo disse que nos deixaria a paz, mas também disse que não veio trazer paz e ainda completou afirmando que veio trazer espada. Será que Cristo estava dando bandeira branca para os cristãos iniciarem uma Jihad? Ou estava falando de diferentes conceitos de paz?

Existem duas esferas de realidade que estão em constante oposição. A esfera superior, onde Deus se encontra e a esfera inferior, onde nós nos encontramos. Uma batalha está sendo travada entre o Rei do Universo e o príncipe deste mundo. Nós mesmos vivemos em um constante duelo interno, entre a explosão da vontade de estar no seio de perfeição e a dura realidade débil e mácula da imperfeição. Um desejo intenso de estar agora no Céu e o fato de ainda estar na Terra. Os braços levantados para alcançar a transcedência tendo os pés sólidos na imanência.

Quando Cristo disse que não veio trazer paz, mas espada, Ele estava simplesmente tomando posição de um lado do conflito. A Espada de Cristo não é arma de fogo, bombas, punhais ou qualquer outro armamento, mas é a decisão irrevogável de estar em oposição ao pecado (fator que muitos teólogos modernos negam a existência, negação que G. K. Chesterton denomina como loucura). Tal atitude coloca Cristo em uma categoria de pacificador totalmente diferente dos contraditórios pacificadores modernos, pois o cristianismo crê e atesta que no último tempo, na consumação final, o Poder do Universo, o Mestre Jesus, trará tudo à ordem original, Ele diz: “Faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21.5). A Espada de Cristo não leva o mundo ao caos, mas ajunta todas as peças espalhadas pelo pecado a um único quadro flamejante e belo.

Agora podemos entender, que ser pacificador não estabelece que este necessariamente tenha paz, pois um pacificador da Shalom não tem em si a paz da  utopia, assim como um pacificador utópico não tem em si a Shalom. E ainda acrescento uma terceira categoria, a dos pacificadores modernos que creêm na possibilidade de trazer ordem por meio da desordem. Então nos deparamos com esta forquilha de três vias e devemos escolher o caminho a seguir (pois é impossível viver e não ser um pacificador, seja qual for a categoria que se encontre). Qual trilha você irá prosseguir?

Veja que os pacificadores modernos fogem à regra mais simples da lógica, portanto é irracional ser este tipo de pacificador. Os pacificadores da utopia pregam uma doutrina inalcançavel e a nossa própria experiência serve de prova, nos mostrando que é impossível viver na Terra e estar completamente livre de qualquer tipo de incomodação e problema. Assim sendo, racionalmente devemos ser pacificadores da Shalom, apregoadores da pax romana final, portadores do conforto universal.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou;” Você aceita o desafio?





O Último

3 12 2008

1150ef0202image_media_horizontalEra sua última refeição. Seu último abraço. Seu último ‘até logo’. Havia recebido uma promoção no mês anterior e estava radiante. Caminhava triunfante pelo saguão do aeroporto. Vestia roupa azul, sapatos pretos muito bem lustrados, gravata vermelha e um broche com o desenho de duas asas, o qual ostentava com muito orgulho, identificando-o como comandante. Henrique Stephanini Di Sacco, 54 anos, entra no Airbus A320 da TAM, voô JJ 3054. Cumprimenta toda tripulação, saúda seus passageiros, se assenta na poltrona e decola às 17h16 do aeroporto de Porto Alegre. Algum tempo depois, Henrique diria suas últimas palavras: “Vira! Vira! Vira!” Em seguida, apenas as chamas.

Se você soubesse quando seria o seu último momento que atitude tomaria? Alguns sairíam para um retiro com a família, outros passariam o tempo todo em oração, ou ainda ficariam a reparar as brechas. Quem sabe? Entretanto, de qualquer maneira, se refletirmos acerca do ‘Último’ (não o Causador ou o Primordial que é Deus, mas a Causa pura e simples), perceberemos quão frágil, impotente e necessitado é o homem.

O tempo corre em direção ao infinito, por mais que tentemos segurá-lo com as mãos, este escorrerá por entre nossos dedos como óleo e quando menos esperarmos, o Último do tempo estará batendo com a parede no nosso corpo, empurrando-nos para o desconhecido. Por mais que lutemos e relutemos para escapar perceberemos que nos é impossível. Não importa quanto conhecimento possamos ter ou a nossa situação financeira, todos somos cortados pela mesma navalha temporal, todos estamos incapacitados de lidar com o tempo. Então, chega o Último.

Pode ser uma imagem desagradável, mas, pare por um instante e imagine o momento de sua morte. Pessoas chorando em volta do esquife, a coroa de flores, roupas negras, uma música em acordes menores tocando ao fundo e alguém sempre afirmando: “Mas ele era tão bom!” A princípio, se congelarmos a imagem nesta ocasião, talvez pareçamos pessoas importantes e que sempre serão lembradas. Porém, deixe que as horas passem, o dias cheguem ao fim e se renovem, deixe que as flores da primavera se desprendam da árvore para dar lugar aos frutos anuais, o pó voltar ao pó, o tempo continuar sua corrida, então você perceberá que nada somos, incapazes de lidar com o Último, que se mostra mais forte que nós.

No momento, encontro-me em uma situação na qual estarei dentro de poucos dias encarando o Último. Não o Último moribundo, mas o Último que volta e meia temos que encarar na vida. Estou a poucos dias de deixar amigos que amo para trás, um local no qual passei momentos incríveis, para seguir em direção a uma nova fase da vida. Então paro para pensar: “Que farei nestes momentos que me restam?” Nesse instante não vale muito à pena refletir nas oportunidades que perdi, mas me concentrar nas últimas oportunidades. Agora começo dar valor àquilo que tem valor, pois, por mais que eu queira o progresso da minha maneira, o tempo é mais forte e me leva ao meu Último.

O Último é um grande paradoxo da vida. Ao mesmo tempo em que traz alegrias para alguns, carrega tristeza para outros, ao mesmo tempo em que encerra o velho, dá início ao novo. O último dia no hospital leva qualquer um à uma esfera de alegria, afinal, agora o doente está curado, as chagas foram levadas e a carne sadia mostra o vigor da pessoa que entra no carro rumo à sua casa, entretanto, o mesmo Último trará grandes lágrimas se a saída se der dentro de uma urna rumo ao local da mortuária. Quando o relógio bate meia-noite sob o manto escuro e flamejante do céu de 31 de Dezembro, ao mesmo tempo despedimos do ano velho e saudamos o ano novo. Alegria, tristeza, velharia, novidade… Em qual lado do paradoxo você prefere se encontrar?

Ainda estamos na Terra, portanto, mesmo que construam máquinas poderosas, computadores velozes, edifícios luxuosos nada disto é mais forte e imponente do que o tempo que leva todas as coisas ao seu Último inevitável. Entretanto, existe Um que é o possuidor do Tempo, Aquele cujo relógio não possui ponteiros, pois é impossível medir a eternidade. Este é o Ser que manifestará o desenlace do Último, levantando a cortina do espetáculo e revelando que o palco da História não tem fim. Ele, que desde milhares de anos antes de Cristo revelou com precisão o que haveria de acontecer em nossa era por meio daquilo que chamamos ‘profecias’, as quais são provas racionais o suficiente para comprovar tanto Sua existência quanto a capacidade de controlar o que foge ao nosso controle, o Tempo.

Chegará o dia em que uma nova era será inaugurada, não mais a Era do Fim, mas a Era do Infinito. O Senhor dos Céus descerá e com poder repetirá as palavras anteriormente ditas, agora em contexto totalmente diferente: “Está feito!” (Ap. 21.6) Encerrou-se o período do Último, as portas se fecharam para então dar início às ‘novas coisas’, pois este Poder disse: “O tempo está próximo. Eu sou o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Certamente venho sem demora.” (Ap. 22.10, 13, 20).

O Último pode causar tristeza. Mas lembre-se, o Último é um paradoxo. Portanto, fique feliz, salte de alegria, enxugue as lágrimas, pois estamos nos ‘últimos dias’.





Pois ainda estou na Terra!

18 09 2008

 

Não sei se você chegou a ler a página ‘Sobre’ do blog. Se não, leia-a antes de continuar o texto. Vai em frente. Não se preocupe, eu te espero. (pernas cruzadas, mãos cruzadas sobre o colo, assobiando esperando você voltar).

Pronto? Viu como foi rapidinho? E fiquei aqui te esperando voltar. Não, eu nunca vou te abandonar assim, ainda mais quando a causa é nobre. Mas, voltando ao assunto… Percebeu que ali eu falo acerca daqueles que pensam que já estão em uma esfera superior? Aquelas pessoas que deduzem, por meio de suas cabecinhas de jiló, que o ingresso em uma denominação as torna superiores por si mesmas? Pobres criaturas…

É interessante a complexidade da mente humana. Até hoje os estudiosos da medicina consideram esta máquina uma das mais fabulosas e intrigantes engenharias que existe. Entretanto, como já estabelecia a lei de Murphy (que nada tem que ver com azar, primordialmente): Quanto mais complexo um sistema, maior a probabilidade de aparecer defeitos. Portanto, se a ilusão de estar em uma esfera de vida superior às outras pessoas é algo criado na mente destas pessoinhas, só posso concluir que não passa de mero defeito de seus cérebros.

Seres humanos nascem, crescem, (muitos) se reproduzem e morrem. Este é o ciclo vital de todos. Sejam ricos, pobres, homens, mulheres, religiosos, não-religiosos, todos estão sob esta inevitabilidade. Então o que faz com que alguns pensem que são superiores? A ilusão própria de viver em outro planeta.

Uma grande prova disto é o sofrimento, assunto que já discutimos anteriormente. O sofrimento é umas das provas de que Deus existe e, ao mesmo tempo, também é uma prova de que todos somos iguais. Afinal, quem é que não sofre? E se as pessoas que estão dentro de denominações são superiores, então elas não deveriam ser infligidas com um fator tão negativo como este. Salomão já dizia: “Não há nada novo debaixo do Sol”.

Nada há de novidade debaixo do Sol. Tudo é igual para todos. As células corpóreas não modificam para nenhuma pessoa. Todos nós, em última instância, somos nada mais que um acumulado de prótons, neutrons e elétrons. Então – pergunto – qual a vantagem de ser cristão se não há nada de novo debaixo do Sol? A grande vantagem é que sendo cristão eu posso enxergar acima do Sol e ver que há uma luz mais brilhante que me ilumina. O grande problema da humanidade não é o que se encontra debaixo do Sol, mas é a incapacidade de observar acima dele.

Entretanto, ainda me encontro debaixo do Sol. Minha casa, minha família, meus amigos, meu emprego, tudo isto se encontra debaixo do Sol. Por que então eu deveria procurar olhar acima do Sol? Porque se as coisas que estão debaixo do Sol solucionassem as angústias da alma, aqueles vácuos que toda pessoa tem por inerência, então não encontraríamos uma humanidade catastrófica como a que vemos espalhada por toda a face da Terra. Procurar observar acima do Sol é buscar uma luz mais radiante que da estrela que ilumina o nosso sistema.

Viver no planeta Terra não é uma tarefa muito fácil, todavia, não tivemos a opção de escolher outro lugar. A nossa vida foi dada para habitar neste canto do cosmos, então devemos aprender a morar aqui.

O símbolo do ‘Pr. GugaGóes – Pois ainda estou na Terra’ retrata exatamente isto, apartir da nossa perspectiva. O bonequinho dentro do círculo representa cada um de nós. O círculo representa a Terra, nossa moradia. O quadrado envolta mostra a nossa incapacidade de escapar deste mundinho. Portanto, devemos aprender a viver enquanto estivermos aqui.

Incapacitados de sair daqui. Fechados em um quadrado neste planeta. Nada novo debaixo do Sol. Apenas dependendo da luz que está acima do Sol para viver iremos para outro lugar. Enquanto isso, olhemos para esta Luz maior que irá clarear este mundo e revelar outro que virá. Sem o Sol maior continuaremos com a visão turva e, por mais que haja esforço, continuaremos a caminhar como andarilhos.

“Não há nada de novo debaixo do Sol”, POIS AINDA ESTOU NA TERRA. Devo olhar acima do Sol, POIS AINDA ESTOU NA TERRA.

 





Racionalmente Amor…

15 09 2008

Já diziam: “O amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa.” Até que ponto posso considerar isto uma verdade? Ou será que nem mesmo é verdade?

É engraçado olhar às concepções de amor por aí a fora. Para se ter uma noção mais clara basta assistir a qualquer um destes filmes de ficção chamados popularmente de ‘romances’ em especial a seção chamada ‘comédia romântica’. Este último é aquele que os homens denominam de coisa sem-graça e as mulheres suspiram. Ali vemos aquelas histórias com finais previsivos que possuem um roteiro perfeito para qualquer apaixonado, entretanto nunca se viu algo como aquilo no que chamamos de ‘mundo real’.

Nesta surrealidade o amor é demonstrado como um sentimento etéreo que eleva qualquer alma para uma dimensão superior onde há cupidos espalhados por toda a parte, uma música depressiva toca de fundo, um cheiro muito prazeroso de nada invade o ar, os dois corpos correm em direção ao outro por um campo sem fim de trigo e flores (igual no musical Heide), porém, apesar de correr tanto nunca alcançam o outro, simplesmente permanecem naquela angústia de tê-lo nos braços. Isto é apenas uma ‘materialização’ daquilo que contam e dizem por aí.

Tem uma música que está no topo das paradas de download que entitula-se “Sem ar”. Com toda a sinceridade que explode de meu ser: Esta canção pinta a maior estupidez que a alma humana pôde produzir.

No início da música o autor suicida retrata-se flutuando com o corpo totalmente amortecido, pois aquilo que ele chama de ‘amor’, o entorpeceu de tal maneira que nem mesmo consegue pronunciar coisa com coisa. Depôs toda a sua confiança em uma pessoa, que agora não mais a tem, portanto permanece desnorteado e com uma dor profunda que apenas o sono pode amenizá-la. Então no refrão ele dá o golpe de mestre indo nadar na praia, porque é impossível empinar pipa, já que o vento traz o que se quer esquecer. Chorando copiosamente este indivíduo insiste que o seu lugar é nos braços daquela que não o quer mais e deste jeito ele permanece sem amor, sem luz, morre sufocado.

Querido leitor, se este é o produto do amor declaro neste momento perseguição ao amor! Tragam-no para a guilhotina que eu me proponho a ser o carrasco! Coloquem o amor na fogueira, pois ele não merece viver! Entretanto, pude descobrir que isto não é o amor, apenas uma cópia mal feita do verdadeiro, pois o amor verdadeiro não é irracional.

A Bíblia é muito clara quando diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha vida eterna.” (João 3.16) E isto resume toda a racionalidade do amor.

Ao contrário do que muitos pensam, o amor e a razão podem conviver muito bem juntos. Em realidade eles não são opostos, mas complementares. A razão é o guia, o amor o motor.

Veja que Deus ESCOLHEU amar o mundo. Como sei disto? Pois nos é dito que Ele deu. É possível dar alguma coisa sem escolher doá-la? Quando algo é tomado à força não pode ser doação, mas roubo. Entretanto Deus ‘deu Seu único Filho’. Para escolher amar é necessário parar e racionalizar a situação. E foi exatamente isto que Ele fez: Olhou para o mundo e raciocinou, “eles precisam de mim” (direção a ser tomada, guia); em seguida Deus agiu por meio do amor (motor) e ‘deu Seu único Filho’.

Este verso nos mostra também o caráter do amor, que, ao contrário daquilo que foi retatado na música “Sem ar”, o amor sofre pelo bem do outro. O amor dá total liberdade para que se possa agir, não fica criando joguinhos emocionais de maneira a forçar o outro a responder. Perceba que Deus ‘deu Seu único Filho’ não para salvar todos por meio da obrigatoriedade, mas somente para aqueles que ESCOLHERAM ‘nEle crer’.

O amor é um sentimento necessário para todas as pessoas que ESCOLHEM viver uma vida perfeita. Por isso é imprescindível reconhecer o verdadeiro amor. O amor centralizado nas pessoas. Amor que é tão verdadeiro ao ponto de se doar para qualquer pessoa. Não se mata por amor, morre-se por amor. Não se sente ciúmes por amor, sente-se amor por amor. Não se obriga por amor, se liberta por amor. C. S. Lewis já dizia: “De todos os poderes, ele [o amor] é o que perdoa mais, porém o que menos fecha os olhos: ele se satisfaz com pouco, mas exige tudo.”

Se Deus for a fonte de amor, amarei corretamente, pois amarei como ele ama. Se a fonte de amor for a mim mesmo, amarei da forma errada, pois o egoísmo é contrário ao amor. Este placebo de amor que circula por aí é exatamente este último.

Portanto, o amor não é uma flor roxa, nem mesmo é uma flor. Podemos comparar o amor à uma vacina que aniquila todo o mal. E ele não nasce no coração do trouxa, mas nasce no coração de Deus. Trouxa é quem pensa que ama quando na realidade não ama.

 





SPFW e a Guerra

26 06 2008

     É interessante observarmos as ações em favor da paz mundial. Atores renomados, cantores de sucesso, estrelas da mídia americanamente internacional, todos eles colocando suas carinhas angélicas na frente das câmeras demonstrando sua rebeldia com este planeta e doando milhares de dólares para entidades carentes (não sei, mas às vezes tenho minhas desconfianças que estas pessoas são entidades filantrópicas ambulantes). Paz e properidade são os temas principais que permeiam todo discurso do fim-de-ano, além das diversas promessas que se encerram no dia 1º de fevereiro. Paz e prosperidade é o maior discurso das pessoas ‘bem-intencionadas’. Paz e prosperidade, utopia moderna.
     A economia atual está entrando em colapso. O petróleo tem aumentado cada dia mais, nesta última semana o preço do barril chegou perto dos US$ 140. Entretanto, nada disso deveria nos assustar, exceto o bolso, se não fosse o caso de que os Estados Unidos estão perdendo com toda esta história, pois o seu óleo preto está acabando e o Oriente Médio tem se tornado o maior detentor petrolífico do mundo. Para misturar e temperar esta salada encontramos o preço dos alimentos subindo a proporções geométricas. Bom, uma pergunta então é levantada: “E daí?”
     George W. Bush diz ter procurado ‘armas de destruição em massa’ no Iraque, mas o que na realidade ele encontrou? Cavernas, população faminta, e de quebra deixou corpos inertes, ruínas modernas e um tesouro balístico perdido. Então após tudo isto permanece para dizer: “Estamos aqui para salvar este país!” Claro que está! A única coisa é que ele deveria especificar o objeto da oração, ‘este país’ se refere aos Estados Unidos, óbvio! Ele foi até lá para dar uma espionada no petróleo e salvar ‘este país’ de uma recessão econômica.
     A alta na indústria do petróleo e o aumento no preço dos alimentos poderão ocasionar uma guerra mundial com proporções inimagináveis, movida, como todas as guerras, por ambições monetárias. “Esse barril de petróleo é meu!” – morte de 500; “Devolva o saco de soja que você roubou de mim!” – morte de 1340; “Eu quero a sua água!” – morte de 3000. Aonde tudo isto irá parar? No SPFW!
Um dos maiores eventos estilísticos do mundo ocorre em São Paulo nesta semana, onde modelos magérrimas desfilam pelas passarelas se equilibrando tanto nem salto agulha como em pernas agulha. De tão magras que são, bem que podíam posar para uma campanha contra a fome (apesar de que os rostinhos bonitos seriam um tremendo ruído de informação). E por falar em fome, a ‘top model’ tcheca Karolina Kurkova, umas das ‘angels’ da grife Victoria’s Secret, foi chamada de GORDA! Isto mesmo, coloco de novo e com letras bem maiúsculas: GORDA! Simplesmente porque apareceu com umas dobrinhas nanométricas ao desfilar de biquini pela Cia. Marítima. Então lhe pergunto retoricamente: “Que raios estes estilistas, os quais esqueceram que nasceram homens, encontraram de gordura em uma mulher que tem a cintura com cerca de 30 cm de largura?”
     O mundo da moda é um universo que visa proclamar qual deve ser o meu gosto pessoal. ‘A tendência do próximo verão será vermelho!’, ‘Este outono só vai dar couro roxo.’, ‘Calças marcadas em bolinhas coloridas estarão totalmente na moda no ano que vem.’ E se eu não gosto de vermelho, nem de couro roxo ou de uma roupa circense!? Que eles têm a ver com isto? Desprendem tempo e talento procurando dizer o que deve ou não ser usado enquanto passa despercebido de seus olhos que moda é simplesmente uma questão sociológica, e ainda saem por aí dizendo que tem uma ‘top model’ gorda! O planeta está entrando em colapso internacional e eles aí, procurando gordura em modelo, assim como alguém procura rabo em caranguejo.
     O grande problema é que o mundo encara as eventualidades de maneira superficial. Seres humanos estão morrendo e a socialite está observando um universo virtual. Pessoas correm atrás de um prato de comida e estilistas correm atrás daquela que comeu um prato de comida. Depois todos estes declaram paz e prosperidade.
     Eu lhe digo: a fome tem uma solução. Mas também replico: a fome não tem solução. Eu lhe digo: a paz pode ser encontrada. Mas também replico: a paz nunca será encontrada. A resposta e a contra-resposta é a atitude do homem.
     Se não fosse esta banalidade da mente humana em procurar alcançar a superficialidade de seu ego, não haveria guerra. São estampadas na primeira página de um jornal: “Novas tecnologias para a indústria militar!” Esta frase esconde outra um tanto que terrível: “Novos meios mais eficazes de matar pessoas e destruir cidades!” Se os governos parássem de investir bilhões de dólares com este tipo de comércio e utilizasse o mesmo dinheiro para alimentar que necessita, a fome acabaria e conseqüentemente a guerra, pois sem armas não há guerra. Entretanto, o egoísmo humano é interminável, por isso não existe solução, tudo fica na beleza e utopia das passarelas que acham lindo a fome, nos discursos de indivíduos que procuram flashes e câmeras, nas declarações da Miss Universo. Enquanto isso, na sala de justiça econômica os nossos heróis economistas aumentam o preço do petróleo (afinal, não venha me dizer que isto é um ato da natureza), disparam com o preço dos alimentos e o mundo entra em guerra novamente.
     Falsos profetas modernos! Já dizia Ezequiel: “Visto que andam enganando, sim, enganando o meu povo, dizendo: Paz, quando não há paz.”
     O poder revela!