O Belo e o Feio

24 11 2008

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Observe o mundo e reflita: “O que é o Belo?” “Onde encontramos a beleza?” “Quem determinou o Belo?”.

Nas passarelas do mundo da moda encontramos aquilo que a sociedade determinou que seja o Belo. Top Models magérrimas que, de tão esqueléticas, dá pena, mesmo o Senado Brasileiro aprovou um texto proibindo modelos muito magras (cf. http://tinyurl.com/6gxpj9). Claro, também neste mesmo mundo encontramos outras como as Angels da Victoria’s Secret, time do qual fazem parte Giselle Bündchen, Karolína Kurková, Adriana Lima, Alessandra Ambrósio, dentre várias outras beldades, com carros abre-alas postos em uma pequena avenida. Porém, nada passa de mera estereotipação baseada em conceitos nazifascistas.

Tomamos estes conceitos e recriamos a imagem humana em uma caricatura digna de Dr. Frankenstein. “Nossa! Mulher bonita mesmo deve ter os seios como daquela, nariz como da outra, pernas como desta, olhos como de fulana de tal.” “Que é isto?! Homem bonito tem a boca daquele, mãos como do outro, coxas como deste, barriga de tanquinho como de fulano de tal.” Uau! Se precisar de linha e agulha para ajuntar tudo isso é só passar na loja de aviamentos mais próxima. Entretanto, esse não é o homem real, mas, quase sempre, uma imagem da figura européia mesclada com os conceitos definidos de nossa própria cultura, que refletem a força do mais poderoso empurrada sobre a massa. Uma seleção de raças mais ‘dignas’ de beleza em contraposição àquelas que nada merecem. Nazifascismo na estética!

Veja aquelas propagandas onde o objetivo principal é reunir e mostrar todo o país unido. Tiram uma foto com uma dúzia de criancinhas com feições européias, sorrindo com seus olhinhos azuis e demonstrando toda a meiguisse com suas peles rosadas, contudo, para não dar um ar ‘racista’, respingam um ou dois negrinhos, um exemplar de asiático e, se lembrarem, põem uma criancinha nua com pena na cabeça, como se os nossos índios estivessem congelados na gravura da primeira missa no Brasil. E onde está a representação dos 40% da população negra? Ou a grande quantidade de asiáticos que estão por aqui? Eu respondo. Eles estão ocultos por trás do véu do fantasma nazifascista que permeia nossa estética.

Como disse no texto anterior, é impossível definirmos o Belo e o Feio em um conceito de gostos, pois esta definição seria uma imposição de um acidente sobre essência alheia (confira o texto ‘Sobre cebolas, maçãs e batatas’), entretanto, moralmente falando (se é que podemos fundir a ética com a estética), sabemos que matar é uma ação Feia, enquanto que salvar é um ato heróico Belo. Carnificina cheira mal. Beijo sincero perfuma o ar.

O grande problema é uma visão focada na carcaça e não na essência. Damos atributos ao Belo que apenas algumas pessoas têm propriedade, sendo esta totalmente inata. Não houve um esforço no trabalho de alcançar o Belo, não houve reflexão. Pergunte a um artista quanto tempo ele gasta para alcançar o Belo de sua obra. Mesmo a imortalizada frase de Thomas Edison não transmite a idéia do ‘deixar-fluir-naturalmente’: “Uma obra é 10% inspiração e 90% transpiração.” Todavia, chegamos à conclusão que o Belo se encontra na fisiologia do homem e não em sua alma. Concentram-se na digestão e não no coração. Claro, não façamos alusão à dicotomia da separação de corpo e espírito, como se o primeiro fosse mau e o segundo bom, mas o que quero mostrar realmente é o local aonde a beleza se encontra em algo mais profundo que a mera aparência.

Talvez pudéssemos definir o Belo como uma organização do caos. Ao olharmos pessoas com formas que agradam aos olhos, pensamos que ali sim está a organização do caos que não está presente na maior parte, que contém a feiúra. Entretanto esta beleza está fadada ao espelho mágico do tempo que revela a força desorganizadora do caos. Não pense que com isto estou tomando o lado evolucionista onde o ser vivo progride para uma adaptação organizacional de seu corpo ao meio, pelo contrário, isto mostra que a evolução não é ideologicamente plausível em si mesma, pois não há uma organização (beleza) do caos, mas uma desorganização (feiúra) em direção ao caos, ainda que o conceito de ordem nos seja inerente.

Ao refletir sobre o Belo e o Feio pude encontrar um evento na história onde ambos se encontram. Em realidade, este fato foi um forte golpe na linha do tempo, quebrando-a em duas partes. A Revolução Francesa levou ao Modernismo, as Guerras Mundiais depõem este e em seu lugar elevam o Pós-Modernismo, entretanto, este outro evento que cito impactou a história como nenhum outro antes dele. Fez com que o planeta virasse de cabeça para baixo, deu poder aos flácidos, esmigalhou gigantes, chacoalhou governos, confundiu intelectos e ainda permanece um mistério a sua essência. Este foi o evento da cruz!

Muitos hoje, com a sua concepção turva de cristianismo, enxergam apenas os raios brilhantes que são lançados da cruz, entretanto, esquecem de enxergar a nuvem escura e densa que repousa sobre ela. As pinturas do período Renascentista e Romântico retratam a Cristo na cruz como sendo o corpo de um judeu, enrolado com um manto branco na cintura, no qual o sangramento não passa de algumas gotas que pingam de suas mãos. Entretanto, a realidade foi muito mais feia! Cristo foi o Mestre humilhado, pregado brutalmente em duas peças de madeira atravessadas, sua carne dilacerada revelava o vermelho vivo de seus músculos, o semblante terrivelmente apertado pela agonia, levantado nu perante os olhos dos inimigos, asfixiado pelo peso do próprio corpo. Uma imagem que não é nada Bela. Entretanto neste momento aparentemente desorganizador a divindade estava atuando para corrigir, organizar, a devastação do pecado na natureza humana. Foi na maior manifestação de Feiúra que a Beleza se revelou. Na cruz houve a fusão flamejante entre o Belo e o Feio, resultando naquilo que chamamos de Salvação. Na cena assombrosa em que o inocente morreu pelos culpados simultaneamente os culpados foram elevados à condição de inocência. No mesmo momento em que a desorganização do pecado era exposta, a organização da redenção estava se movendo.

Pessoas não contêm o Belo, pois isto seria um conceito mentiroso que parte da ideologia Nazifascista. Entretanto, todos nós podemos refletir o Belo que parte da Perfeição Plena. Portanto, “tributai ao SENHOR a glória devida ao Seu nome, adorai o SENHOR na beleza da Sua santidade.” (Salmos 29.2)





Sobre cebolas, maçãs e batatas

25 09 2008

Não sei se você sabe, pois eu também fiquei surpreso quando li. As cebolas, as maçãs e as batatas têm o mesmo gosto! É isto mesmo que você leu: mesmo gosto. Então, qual a diferença gritante na sensação de sabor? O cheiro. Algo tão simples que aparentemente passa despercebido, entretanto o seu efeito é incrível.

Faça uma experiência em sua casa com alguém. Peça para esta pessoa ficar sentada em uma cadeira com os olhos vendados. Então pegue um alimento e dê para ela comer. Enquanto ela degusta, coloque outro alimento embaixo de seu nariz. Pode crer, os gostos irão se misturar. Por exemplo: enquanto ela come uma barra de chocolate, deixe-a cheirando um pedaço de queijo parmesão. (Hummm! Chocolate coberto com queijo parmesão. Delícia!)

Certa noite, ao me deitar, me veio um insight sobre as cebolas, maçãs e batatas. Então, percebi que isto resolvia a minha dúvida no que diz respeito à verdade absoluta, pois essa pode ser absoluta em diversos pontos, mas, e com relação aos gostos? Quem e como deve reger a verdade absoluta?

Antes de continuarmos, é necessário que eu explique alguns termos e idéias que vou expor a seguir. São os termos ‘essência’ e ‘acidente’. Essência é o conjunto das características de um objeto sem as quais ele não seria, mas isto não é necessariamente a característica física. Acidente são as características físicas de um objeto (cheiro, textura, cor…) as quais podem ser modificadas. Por exemplo: um abacate é verde, tem certo gosto e é oleoso, porém, se o abacate fica podre sua aparência muda, seu gosto muda e pode até mesmo ficar seco (acidentes), entretanto nada irá nos provar que aquilo não seja um abacate (por causa da sua essência), ainda que eu pinte este abacate de azul (acidente), você continuará sabendo que é um abacate (por causa da essência). Entendeu? Continuemos então.

Sabemos que cada um de nós tem uma experiência de vida diferente. Um nasceu no Brasil, outro na Itália, outro na China. Um é acostumado a comer peixe, o outro não. Um sempre escutou bossa-nova, outro nem sabe o que é isto. Um fala português, o outro mandarim. Um veste saia e o outro acha que isto é coisa de mulherzinha. Todos estes fatores que nos rodeiam e moldam as nossas experiências é chamado de Cultura. Existem Culturas Gerais (como a brasileira, angolana, italiana) e as Culturas Específicas (aquela que pertence a cada indivíduo como pessoa).

As Culturas afetam grandemente a nossa maneira de perceber a verdade. Não estou querendo dizer que a verdade é relativa, sempre foi e será absoluta, mas a nossa percepção desta é alterada pela cultura. A figura abaixo representa bem o que estou querendo dizer.

 

A Verdade possui uma essência que se manifesta em um acidente. Tal Verdade lança raios de si mesma sobre nós, entretanto, a Cultura, que funciona como um filtro, irá alterar a maneira de percebermos esta Verdade, todavia a essência permanecerá a mesma. A Verdade não deixou de ser absoluta, apenas foi vista de maneira diferente.

O caso das cebolas, maçãs e batatas exemplifica bem isto. Imaginemos que todas possuem a mesma “essência” (gosto), todavia, a cultura (cheiro) irá alterar a nossa percepção da verdade, nos levando a sensações diferentes.

Portanto, quando alguém pergunta: “Morango é gostoso?” Esta pessoa já está invocando um padrão para algo que não tem padrão. É querer julgar o acidente do morango, no caso o gosto, por meio de filtro alheio, a Cultura. A pergunta de gosto não é passível de julgamento de Verdade, pois depende do filtro. Como poderia ser alterada esta pergunta para se encontrar algum tipo de verdade? Sendo da seguinte maneira: “Você gosta de morango?” Pois, sendo afirmativa ou negativa, em qualquer parte do mundo a resposta será sempre a mesma, absoluta.

Alguém pode levantar a seguinte questão: “E Adolf Hitler? Talvez não tivesse interpretado a Ética do assassinato por meio da cultura dele? Sendo assim, ele não estaria errado em matar.” Afirmação errada amiguinho, pois Ética não tem que ver com julgamento de filtro alheio, pois há uma lei imersa na alma de cada ser humano que aponta para o que é certo e errado.

Encontramos na Bíblia este mesmo conceito. Paulo diz em 1º Coríntios 9.22: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.” Veja que Paulo não alterou a Essência do Evangelho, apenas alterou a sua maneira da passar a Proclamação, a qual é o Acidente. Cada população tinha um filtro diferente, para cada pessoa a relevância de Deus se manifestava de maneiras diferentes, entretanto, em momento algum Paulo deixou de pregar a Cristo e este crucificado. Paulo no seu discurso junto aos filósofos de Atenas (Atos 17) pregou sobre Jesus à moda grega. Todavia um discurso totalmente diferente foi feito às pessoas judias. A Essência é a mesma, porém a sua percepção varia.

Em realidade, podemos afirmar que a Essência do Evangelho é impossível de ser percebida enquanto estamos na Terra. Cada pessoa tem uma maneira diferente de perceber a Verdade, a percepção do Evangelho varia (lembre-se, a percepção, não a Essência do Evangelho), claro que isto não nos impede de conhecermos a necessidade do Evangelho e seu impacto em nossa vida. Todavia, ainda possuimos filtros e acidentes para estes filtros que nos impedem de olhar a Essência do Evangelho em seu âmago, porém, um dia virá, quando todos estaremos vivendo em um mesmo país, falando a mesma língua, amando as mesmas coisas, possuindo uma mesma Cultura. Um dia virá em que estaremos estudando a Essência de nossa atual Proclamação, vendo o rosto e ouvindo a voz dAquele que é a própria fonte da Essência do Evangelho. Então, durante um tempo que não tem fim estaremos compreendendo o mistério de Deus e perceberemos, sem mais nenhum tipo de barreira, a grandiosidade e infinitude do Amor que recebemos, compreenderemos “que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus;” entenderemos que “de fato, somos filhos de Deus.” (1 João 3.1)

Mas, ainda estamos na Terra. E por enquanto as coisas se explicam por meio de cebolas, maçãs e batatas.





Pois ainda estou na Terra!

18 09 2008

 

Não sei se você chegou a ler a página ‘Sobre’ do blog. Se não, leia-a antes de continuar o texto. Vai em frente. Não se preocupe, eu te espero. (pernas cruzadas, mãos cruzadas sobre o colo, assobiando esperando você voltar).

Pronto? Viu como foi rapidinho? E fiquei aqui te esperando voltar. Não, eu nunca vou te abandonar assim, ainda mais quando a causa é nobre. Mas, voltando ao assunto… Percebeu que ali eu falo acerca daqueles que pensam que já estão em uma esfera superior? Aquelas pessoas que deduzem, por meio de suas cabecinhas de jiló, que o ingresso em uma denominação as torna superiores por si mesmas? Pobres criaturas…

É interessante a complexidade da mente humana. Até hoje os estudiosos da medicina consideram esta máquina uma das mais fabulosas e intrigantes engenharias que existe. Entretanto, como já estabelecia a lei de Murphy (que nada tem que ver com azar, primordialmente): Quanto mais complexo um sistema, maior a probabilidade de aparecer defeitos. Portanto, se a ilusão de estar em uma esfera de vida superior às outras pessoas é algo criado na mente destas pessoinhas, só posso concluir que não passa de mero defeito de seus cérebros.

Seres humanos nascem, crescem, (muitos) se reproduzem e morrem. Este é o ciclo vital de todos. Sejam ricos, pobres, homens, mulheres, religiosos, não-religiosos, todos estão sob esta inevitabilidade. Então o que faz com que alguns pensem que são superiores? A ilusão própria de viver em outro planeta.

Uma grande prova disto é o sofrimento, assunto que já discutimos anteriormente. O sofrimento é umas das provas de que Deus existe e, ao mesmo tempo, também é uma prova de que todos somos iguais. Afinal, quem é que não sofre? E se as pessoas que estão dentro de denominações são superiores, então elas não deveriam ser infligidas com um fator tão negativo como este. Salomão já dizia: “Não há nada novo debaixo do Sol”.

Nada há de novidade debaixo do Sol. Tudo é igual para todos. As células corpóreas não modificam para nenhuma pessoa. Todos nós, em última instância, somos nada mais que um acumulado de prótons, neutrons e elétrons. Então – pergunto – qual a vantagem de ser cristão se não há nada de novo debaixo do Sol? A grande vantagem é que sendo cristão eu posso enxergar acima do Sol e ver que há uma luz mais brilhante que me ilumina. O grande problema da humanidade não é o que se encontra debaixo do Sol, mas é a incapacidade de observar acima dele.

Entretanto, ainda me encontro debaixo do Sol. Minha casa, minha família, meus amigos, meu emprego, tudo isto se encontra debaixo do Sol. Por que então eu deveria procurar olhar acima do Sol? Porque se as coisas que estão debaixo do Sol solucionassem as angústias da alma, aqueles vácuos que toda pessoa tem por inerência, então não encontraríamos uma humanidade catastrófica como a que vemos espalhada por toda a face da Terra. Procurar observar acima do Sol é buscar uma luz mais radiante que da estrela que ilumina o nosso sistema.

Viver no planeta Terra não é uma tarefa muito fácil, todavia, não tivemos a opção de escolher outro lugar. A nossa vida foi dada para habitar neste canto do cosmos, então devemos aprender a morar aqui.

O símbolo do ‘Pr. GugaGóes – Pois ainda estou na Terra’ retrata exatamente isto, apartir da nossa perspectiva. O bonequinho dentro do círculo representa cada um de nós. O círculo representa a Terra, nossa moradia. O quadrado envolta mostra a nossa incapacidade de escapar deste mundinho. Portanto, devemos aprender a viver enquanto estivermos aqui.

Incapacitados de sair daqui. Fechados em um quadrado neste planeta. Nada novo debaixo do Sol. Apenas dependendo da luz que está acima do Sol para viver iremos para outro lugar. Enquanto isso, olhemos para esta Luz maior que irá clarear este mundo e revelar outro que virá. Sem o Sol maior continuaremos com a visão turva e, por mais que haja esforço, continuaremos a caminhar como andarilhos.

“Não há nada de novo debaixo do Sol”, POIS AINDA ESTOU NA TERRA. Devo olhar acima do Sol, POIS AINDA ESTOU NA TERRA.

 





Racionalmente Amor…

15 09 2008

Já diziam: “O amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa.” Até que ponto posso considerar isto uma verdade? Ou será que nem mesmo é verdade?

É engraçado olhar às concepções de amor por aí a fora. Para se ter uma noção mais clara basta assistir a qualquer um destes filmes de ficção chamados popularmente de ‘romances’ em especial a seção chamada ‘comédia romântica’. Este último é aquele que os homens denominam de coisa sem-graça e as mulheres suspiram. Ali vemos aquelas histórias com finais previsivos que possuem um roteiro perfeito para qualquer apaixonado, entretanto nunca se viu algo como aquilo no que chamamos de ‘mundo real’.

Nesta surrealidade o amor é demonstrado como um sentimento etéreo que eleva qualquer alma para uma dimensão superior onde há cupidos espalhados por toda a parte, uma música depressiva toca de fundo, um cheiro muito prazeroso de nada invade o ar, os dois corpos correm em direção ao outro por um campo sem fim de trigo e flores (igual no musical Heide), porém, apesar de correr tanto nunca alcançam o outro, simplesmente permanecem naquela angústia de tê-lo nos braços. Isto é apenas uma ‘materialização’ daquilo que contam e dizem por aí.

Tem uma música que está no topo das paradas de download que entitula-se “Sem ar”. Com toda a sinceridade que explode de meu ser: Esta canção pinta a maior estupidez que a alma humana pôde produzir.

No início da música o autor suicida retrata-se flutuando com o corpo totalmente amortecido, pois aquilo que ele chama de ‘amor’, o entorpeceu de tal maneira que nem mesmo consegue pronunciar coisa com coisa. Depôs toda a sua confiança em uma pessoa, que agora não mais a tem, portanto permanece desnorteado e com uma dor profunda que apenas o sono pode amenizá-la. Então no refrão ele dá o golpe de mestre indo nadar na praia, porque é impossível empinar pipa, já que o vento traz o que se quer esquecer. Chorando copiosamente este indivíduo insiste que o seu lugar é nos braços daquela que não o quer mais e deste jeito ele permanece sem amor, sem luz, morre sufocado.

Querido leitor, se este é o produto do amor declaro neste momento perseguição ao amor! Tragam-no para a guilhotina que eu me proponho a ser o carrasco! Coloquem o amor na fogueira, pois ele não merece viver! Entretanto, pude descobrir que isto não é o amor, apenas uma cópia mal feita do verdadeiro, pois o amor verdadeiro não é irracional.

A Bíblia é muito clara quando diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha vida eterna.” (João 3.16) E isto resume toda a racionalidade do amor.

Ao contrário do que muitos pensam, o amor e a razão podem conviver muito bem juntos. Em realidade eles não são opostos, mas complementares. A razão é o guia, o amor o motor.

Veja que Deus ESCOLHEU amar o mundo. Como sei disto? Pois nos é dito que Ele deu. É possível dar alguma coisa sem escolher doá-la? Quando algo é tomado à força não pode ser doação, mas roubo. Entretanto Deus ‘deu Seu único Filho’. Para escolher amar é necessário parar e racionalizar a situação. E foi exatamente isto que Ele fez: Olhou para o mundo e raciocinou, “eles precisam de mim” (direção a ser tomada, guia); em seguida Deus agiu por meio do amor (motor) e ‘deu Seu único Filho’.

Este verso nos mostra também o caráter do amor, que, ao contrário daquilo que foi retatado na música “Sem ar”, o amor sofre pelo bem do outro. O amor dá total liberdade para que se possa agir, não fica criando joguinhos emocionais de maneira a forçar o outro a responder. Perceba que Deus ‘deu Seu único Filho’ não para salvar todos por meio da obrigatoriedade, mas somente para aqueles que ESCOLHERAM ‘nEle crer’.

O amor é um sentimento necessário para todas as pessoas que ESCOLHEM viver uma vida perfeita. Por isso é imprescindível reconhecer o verdadeiro amor. O amor centralizado nas pessoas. Amor que é tão verdadeiro ao ponto de se doar para qualquer pessoa. Não se mata por amor, morre-se por amor. Não se sente ciúmes por amor, sente-se amor por amor. Não se obriga por amor, se liberta por amor. C. S. Lewis já dizia: “De todos os poderes, ele [o amor] é o que perdoa mais, porém o que menos fecha os olhos: ele se satisfaz com pouco, mas exige tudo.”

Se Deus for a fonte de amor, amarei corretamente, pois amarei como ele ama. Se a fonte de amor for a mim mesmo, amarei da forma errada, pois o egoísmo é contrário ao amor. Este placebo de amor que circula por aí é exatamente este último.

Portanto, o amor não é uma flor roxa, nem mesmo é uma flor. Podemos comparar o amor à uma vacina que aniquila todo o mal. E ele não nasce no coração do trouxa, mas nasce no coração de Deus. Trouxa é quem pensa que ama quando na realidade não ama.

 





O Onipotente sem Poder

10 09 2008

 

Quantas vezes nos deparamos com situações aparentemente impossíveis de se realizar? Talvez chegar a tempo em um determinado local quando há aquele engarrafamento quilométrico à sua frente. Ou então fazer com que colha-se dinheiro em árvore para que as contas sejam pagas. Impossíveis! Bom, entretanto, antes de continuarmos esta discussão é necessário definirmos o que é impossibilidade.

A palavra impossível é definida da seguinte maneira pelo dicionário Houaiss: Que não se coaduna com a realidade, que se opõe à razão e ao bom senso; que é destituído de sentido, de racionalidade; extravagante, esquisito, absurdo. Entretanto, podemos por meio da razão detectar certos acontecimentos que fogem à compreensão intuitiva da racionalidade, a estes fenômenos chamamos ‘milagres’ (tratarei a respeito deles em outra ocasião).

Sabemos que Deus é capaz de realizar diversos milagres. Podemos ver o milagre da ressurreição de Cristo, para o qual temos até mesmo provas históricas. O milagre da criação deste planeta (ou você vai me dizer que uma explosão, a qual por si mesma deveria ser um milagre, pois foge à racionalidade intuitiva, originou sozinha todo o universo?). O milagre da transformação do caráter que ocorre em todo aquele que anda verdadeiramente com Cristo. Norman Geisler define o planeta Terra como sendo uma caixa aberta na qual Deus pode intervir, portanto, milagres existem. Sendo assim, se milagres existem as impossibilidades são totalmente possíveis.

Entretanto, o mais interessante de se observar no que diz respeito às impossibilidades são as declarações que as pessoas fazem: “É impossível que não haja fome no mundo!” “É impossível que a violência acabe!” “É impossível que as pessoas se amem!” Veja que são possibilidades declaradas impossíveis. Certo, devo admitir que a transformação do homem é um milagre, portanto, é impossível realizá-lo sozinho (isto sim é um impossibilidade!), porém, o homem precisa simplesmente deixar a sua vontade dominar-se pelo amor, então todas estas aparentes impossibilidades se tornam possíveis. As pessoas gritam com o Céu culpando-o do silêncio sepulcral quanto ao mal na Terra, porém na verdade a mudança é uma atitude que deve vir do homem. Casos de impossíveis completamente possíveis.

Outro ponto a ser destacado é aquilo que C. S. Lewis denominou de ‘impossibilidade intrínseca’, a qual é tanto impossível para o homem como impossível para Deus. Quer um exemplo? Quantos quilômetros existem em uma hora? Qual a forma da cor vermelha? Quanto de maçã existe em um eucalipto? Estas são coisas impossíveis de se medir! Depois vem aquele energúmeno e diz: “Viu? Deus não é onipotente, afinal Ele não consegue fazer nada disto!” Sumidade burra! Por um acaso palavras aglutinadas de maneira que expressem nenhum sentido o passem a ter pelo simples fato de acrescentar a frase ‘Deus pode…’!? É claro que não! Isto nos faz concluir sem nenhuma sombra de dúvida que Paulo tinha razão ao denominar Jeová como “o Deus que não pode mentir” (Tito 1.2), pois afirmar que Deus pode mentir é ajuntar palavras que não fazem sentido algum; Deus, por essência (em parte no sentido aristotélico), é a verdade.

Com isto chegamos a um ponto que podemos afirmar que Deus é um onipotente sem poder. Entretanto, precisamos completar esta frase. Deus é um onipotente sem poder para realizar aquilo que é responsabilidade do homem realizar (apesar de poder fazê-lo Ele não o faz, pois concede o livre-arbítrio). Deus é um onipotente sem poder para realizar aquilo que é impossível em si mesmo. Mas é extremamente poderoso para realizar milagres em nossa vida, para tocar e solucionar aquilo que não tem solução. Curar pacientes terminais. Parar a rotação da Terra. Ressucitar mortos. Intervir na vida do homem quando este não pode fazer mais nada. Neste momento ficamos pasmos, os pêlos de nosso corpo se arrepiam, a expressão fica paralisada como se tivesse visto um ser espiritual, os músculos ficam relaxados, mas nos sentimos enrijecidos, então nos maravilhamos ante a impossibilidade tornada possível pelo poder que não podemos conhecer. Não me pergunte como posso entender pelo método científico os milagres, pois estes estão em uma abóbada superior à nossa inteligência. Todavia, por muito tempo não declarávamos piamente que a Terra se encerrava em um abismo de uma superfície plana? O simples fato de não poder compreender algo não significa que este não seja real. Não compreendo as mulheres, mas isto não às torna ilusórias. Um camponês não compreende a internet, entretanto, isto não significa que ela não exista.

As possibilidades estão ao meu alcance. As impossíbilidades intrínsecas nem mesmo Deus realiza. As minhas impossibilidades são milagres que Deus nos dá. “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.” (Mateus 19.26).

 





Sofro, logo Deus existe…

13 08 2008

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Eram duas horas da manhã. O telefone toca. Cambaleando e sonolenta ela dirige ao aparelho.

-Alô! É a esposa do Gabriel?

-Sim. Quem fala?

-Minha senhora, sente-se, por favor.

Um calafrio percorreu todo o seu corpo. As mãos começaram a suar. Com certo receio Joana se assenta no baquinho que está ao lado.

-Que aconteceu?

-Minha senhora, é preciso ter muita calma neste momento.

Assalto. Seqüestro. Perseguição. Pistolas. Facas. Sangue. Desespero. Cheiro de formol. Milhões de coisas passaram pos sua cabeça naquele intervalo de 2 segundos.

-O Gabriel está bem, não está?

-Por favor, venha até o Hospital Santa Lúcia, preciso conversar com você. Sou Eduardo Canedos, médico.

-Não me deixe aflita doutor! Me diga, o Gabriel está bem, não?

Cerca de trinta minutos depois Joana estava aos prantos na UTI. Havia recebido a notícia: Seu esposo estava dirigindo ao voltar de uma viagem de negócios. Queria chegar logo em casa, pois precisava comparecer logo cedo ao escritório para prestar relatórios. Entretanto, Gabriel, vencido pelo cansaço, dorme ao volante e choca-se contra uma carreta. No acidente ele sofre perda de massa cefálica e lesões em diversas partes de sua coluna. Foi levado às pressas para o hospital e então o médico dá o diagnóstico: Gabriel ficou tetraplégico e passará a viver o restante de sua vida em estado vegetativo.

Dor e sofrimento. Ninguém está imune a eles. Porém, nestes últimos tempos, estes têm sido os argumentos mais usados para negar a existência de Deus, afinal, “se Deus fosse bom, Ele desejaria tornar Suas criaturas felizes, e se fosse todo-poderoso, seria capaz de fazer o que quisesse. Mas as criaturas não são felizes. Portanto, a Deus falta a bondade ou o poder – ou ambas as coisas”. Dor e sofrimento incomodam, mexem com o ego e a alma humana, fazem com que servos se revoltem contra o seu Senhor, colocam fogo no caldeirão fazendo com que o ódio borbulhe.

C. S. Lewis, um autor cristão do início do século XX, em seu livro O Problema do Sofrimento, diz que o cristianismo “cria, em vez de resolver, o problema do sofrimento, pois este não seria um problema se, aliado à nossa experiência diária neste mundo de dor, não tivéssemos recebido o que julgamos ser uma boa certeza de que a realidade última é justa e amorosa.” (p. 29 e 30). O mundo está mergulhado em uma aflição sem fim e então aparece um homem que diz ter um lugar melhor, fala que estas coisas estão para acabar, diz que há um Ser que ouve o ser humano, que Ele mesmo leva as dores e aflições, entretanto, o fim de sua vida se dá, como que em sadismo satírico, na mão de seus inimigos, o profeta do fim do sofrimento sofre Ele mesmo a própria morte. Bertrand Russell, filósofo agnóstico do século XX, em No que Acredito, diz que a igreja simplesmente aumenta o sofrimento em vez de minimizá-lo, pois não trata no âmbito da razão e apela para o espiritual, que segundo ele, não é perceptível. Pergunto: como posso crer em um Deus amoroso se há sofrimento no mundo? No mínimo, deveria ignorar a Sua existência, o que não faria diferença alguma, pois Ele não deve ser poderoso o suficiente para me castigar, já que não tem poder nem mesmo para acabar com o sofrimento.

Veja que o maior erro incorre no fato de que as pessoas observam o mundo sob sua própria perspectiva, agora, olhe por outro ângulo. O sofrimento sob a perscpectiva divina. Deus olhando do Céu para Suas criaturas cegas, que pelo fato de possuírem uma massa cinzenta que Ele mesmo pôs nelas pensam (em realidade é o que mais pressupõe fazer) que detêm todo o conhecimento possível e por meio disto detectam que o Criador não existe. Então estes seres tolos andam machucando uns aos outros com suas espadas da ganância e orgulho que criam guerras nas quais, como em um suicídio massivo, destroem-se. Olhando para tudo isto este Criador aflito se propõe a ajudar e restaurar, entretanto, Suas criaturas, por meio da ‘sabedoria imbecílica’, preferem ignorá-lO e continuar a sofrer, jogando a culpa nAquele que estava buscando auxiliá-los.

Claro, isto não resolve todos os problemas, pois nem sempre o sofrimento é causado por meio de guerras. Ninguém escolhe desenvolver câncer ou ficar tetraplégico. O mundo havia sido criado em completa perfeição. Dor e sofrimento não existiam. A natureza e o homem interagiam-se em perfeita harmonia, em realidade o homem fazia parte desta natureza sendo o primordial. A perfeição e imortalidade eram regidas por meio da ligação entre o planeta e Deus. Porém, o homem, a criação primordial RESOLVE rebelar-se. A ligação é cortada. A natureza entra em colapso passando a combater contra si mesma e contra o próprio homem. A folha que não caia, sem a ligação vital do Criador se degenera e morre. O homem que tinha a carne em completo vigor passa a desenvolver a lepra que apodrece o corpo. O perfeito é invadido pelo imperfeito. O prazer é substituído pela dor. A alegria dá lugar ao sofrimento.

Entretanto nem todos os homens permanecem completamente à parte do Ser Criador, mas estão no meio de um campo de batalha entre o inimigo da humanidade e o seu Salvador. Enquanto um busca o resgate, o outro busca a derrota. Este inimigo procurará de todas as formas que estas criaturas, por meio do sofrimento, ignorem o Criador. Ele fará com que os olhos fiquem tão merejados que enxergar além ficará impossível.

Se você parar e raciocinar irá ‘facilmente’ perceber que o sofrimento, em vez de esconder a Deus mais O revela. Pois esta insatisfação humana mostra que a alma anseia estar de volta ao seu ponto de origem, afinal, eu não desejo a minha casa quando estou longe se eu nunca estivesse estado lá. C. S. Lewis diz que “sua alma tem uma forma curiosa porque ela é um buraco feito para se ajustar a uma protuberância específica nos contornos divinos.” (p.164 e 165). O sofrimento é o vácuo que arde pela falta daquele que pode preenchê-lo.

Não crer em Deus é a maior irracionalidade que o ser humano pôde imaginar. Esta descrença mais inexplica a dor do que explica. Se eu não crer em Deus não encontrarei solução alguma para o sofrimento, pois esta nossa sociedade em evolução também tem evoluído as formas de causar dor. A crença em um Ser superior não é o ópio da sociedade, como já disseram, mas uma realidade última que explica plausivelmente o mau. Deus continua tendo todo o poder para retirar a dor do homem, mas enquanto este preferir viver a ignorá-lo e estar em estado de rebelião (natureza caída), Ele nada poderá fazer, pois sendo um Deus de amor Ele não interfere no livre-arbítrio de Suas criaturas (quanto a onipotência divina tratarei em outra ocasião).

O sofrimento de maneira alguma fará com que eu fique longe de meu Criador, mas ao contrário, cada vez mais me revelará que meu lugar não é aqui. Muitas pessoas declaram: “O SENHOR me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu [o SENHOR], todavia, não me esquecerei de ti.” Isaías 49.14 e 15.

 





Pólo Sul, Pólo Norte, Vice-versa

7 07 2008
     Eu me encontro a  22°28’24.18″ ao sul e  47°11’26.28″ ao oeste, ou seja, precisamente dentro do meu quarto. Entretanto, paro para pensar: “Por que estou ao sul e não ao norte ou ao leste?”
     Estamos acostumados a tomar os mapas escolares que apontam os EUA na parte superior, enquanto que a Autrália se encontra na região inferior. Vemos a África ao centro de tudo e o estreito de Bering localizado nas pontas da carta geográfica. Todavia, esta é uma visão predeterminada.
     Se fosse possível estarmos quilômetros acima do nível do mar poderíamos ver a Terra do espaço, onde não há gravidade considerável, portanto, não existe a noção de ‘em cima’ e ‘embaixo’. Observando por esta perspectiva percebemos que toda classificação de norte e sul se perde em meio a este vácuo infinito que é o nosso universo. Planetas e estrelas não passam de meros pontos distribuídos em um espaço-tempo indefinido. Posso mergulhar, nadar na direção que eu quiser e ainda assim dizer que estou indo na direção correta. Quando nos encontramos no espaço cósmico não existe mais posição norte, sul, leste ou oeste, mas simplesmente, pela lógica do princípio antrópico (um princípio que toma a mim mesmo como prova da minha existência) estou em algum lugar, podendo tomar a mim mesmo como centro do universo, ou ainda tornar como ponto de referência a estrela Sirius da constelação de Cão Menor. Tudo isto não passa de convenção.
     Isto me leva a refletir acerca do conceito de verdade. Seria a verdade absoluta ou relativa? O que é verdade para mim pode não ser verdade para o outro? Ou a verdade é única e imutável? O que seria em realidade a verdade?
     Existem muitas pessoas que dizem que a verdade em realidade é relativa, pois o que é verdade para mim pode não ser verdade para o outro. Para tais indivíduos, o mundo e as questões que nos rodeiam não passam de gostos. Um diz que chocolate é a melhor coisa que existe, enquanto o outro diz que doce de limão é a melhor coisa que exitste. Qual das duas coisas é a verdade? Depende, dizem alguns, tudo é um detalhe de gosto pessoal.
     Entretanto, estas sumidades entram em conflito com elas mesmas, pois a própria afirmação: “A verdade é relativa!” é uma contradição, pois se a declaração é uma verdade eu pergunto: ‘Isto é absoluto ou relativo?’ Perceba que esta entra em um movimento centrípeto até se chocar em si mesma.
     Considerar a verdade como relativa abraça outros conceitos muitos mais graves do que o mero pensamento filosófico. Quem disse que o homicídio é errado? Por que nos causa aflição saber que uma pessoa próxima foi estuprada? Por que ficamos com raiva se somos roubados? Afinal, estas coisas podem ser erradas e hediondas para mim, mas para o sujeito que praticou a ação nada disso é errado. Veja que com o conceito de verdade relativa a sociedade entraria em um caos. É simplesmente impossível fazer a declaração de que não há verdade absoluta, pois o próprio meio em que vivemos nos mostra claramente, por meio de leis, que é assim.
     Gostaria de ver algumas destas pessoas dizendo que não há gravidade. Ou que a Terra tem o formato de um cubo. Ou ainda, vê-las afirmando lagartos voam e pássaros nadam. Engraçado, se encontrarmos alguém no meio da rua fazendo estas afirmações e dizendo piamente que são verdades, logo a colocaríamos em um hospício. Ué!? Mas a verdade não é relativa?
     Veja que o simples fato de afirmar que não existe gravidade, não fará com que ela deixe de existir. Ou ainda a Terra não será um cubo, ou lagartos estarão a voar e pássaros a nadar. Pois o que eu afirmo ser verdade não altera a verdade em si.
     Voltemos ao início do texto quando observávamos o planeta quilômetros acima do nível do mar. Nesta perspectiva percebemos que não existe norte, sul, leste, oeste, tudo é uma questão de convenção. Isto é relativo, pois é convencionado. Entretanto, a Terra, tanto em sua essência com na aparência, não sofre alteração alguma, pois não importa o nome que eu dê para o planeta, ele continuará o mesmo. Pólo sul, polo norte? Mera convenção.
     Assim também é Deus. Existem milhões de pessoas na atualidade que negam a Sua existência. Sumidades acadêmicas como Richard Dawkins praticamente decretam: “Deus, no sentido da definição, é um delírio; … um delírio pernicioso.” (Deus, um delírio; p. 56) Outros, como Freud e Niestzsche, dizem que Deus foi uma mera ilusão criada na mente humana que não se encaixa mais nos padrões modernos. Então eu pergunto: ‘Que diferença faz este tipo de declaração? Deixará Deus de existir apenas porque certas ‘inteligências’ negam Sua existência?’ A resposta é não. O que eu digo ou deixo de dizer acerca de Deus não fará com que Ele deixe de existir. Temos provas suficientes para captar a Sua existência, para perceber que a Sua mão está agindo neste planeta. A única coisa relativa em Deus é o seu nome, alguns chamam de Jeová, outros de Altíssimo, outros de Todo-Poderoso, ainda outros apenas não chamam, por considerar o Seu nome santo demais para ser pronunciado. Apesar de os nomes diferirem, Deus permanece o mesmo e imutável. Ele mesmo declarou: “Porque eu, o SENHOR, não mudo!” (Malaquias 3.6).
     Pólo norte, pólo sul? Pode ser vice-versa. Nada altera a verdade.