Esperança e Silêncio

15 01 2011

(ver o texto Sofro, logo Deus existe)

Mais uma tragédia das muitas que ocorrem pelo mundo a fora. Uma tromba d’água que levou consigo toneladas de barro e muitas vidas, um momento em que muitos ficam apenas se perguntando: “Por quê?”. Respostas evasivas e inacreditáveis surgem no meio de tanto alvoroço, vozes quase do além. Além da tristeza, além da realidade, além do consolo. Tanto tem para se falar para pessoas que nada tem, e misturado a este palavrório insensato outros brigam com a existência do divino.

Devo admitir que algumas vezes deixamos o sofrimento falar tão alto que não conseguimos compreender que há uma esfera superior (apenas superior, o que não a coloca como irreal ou meramente transcendente, pois esta mesma também é imanente) e nos voltamos para Aquele que É apontando o dedo com arrogância e acusando-O de não fazer nada, na verdade, colocando as tragédias como provas para a sua inexistência. Tolice ilógica! O garoto que se joga em cima dos espinhos e coloca a culpa em seu próprio pai. O mundo é destruído pelo ser humano, porém, a sua loucura desvairada se excede tanto que, ainda cambaleando pela embriaguez, diz bobagens, procura causas ocultas imaginárias e continua a destruir a própria casa.

André Comte-Sponville em seu livro “Tratado do Desespero e da Beatitude” nos conclama a seguir uma vida des-esperada. Pois aqueles que possuem esperança vivem eternamente em um mundo sem alegria, pois quem espera o faz porque anseia que tudo seja melhor, mas os que não possuem esperança, os des-esperados, resolvem viver uma vida plena aqui e agora. Todavia, eu me volto para Comte-Sponville e pergunto se o mesmo vale para a tragédia no Rio de Janeiro, se este discurso é válido para aquelas famílias que com muito esforço construíram suas casas, mas que em questão de minutos viram os sonhos de suas vidas ruírem e serem levados pela enxurrada. Viver uma vida sem esperança é viver uma vida burra, pois a esperança não trás tristeza, como ele alega, entretanto, a esperança traz alegria e conforto, porque tem-se a certeza que de ainda não se vive o fim. Resumir a existência humana meramente ao planeta Terra com se vê é a maior angústia que se pode dar a qualquer ser humano.

Claro que o divino não é um lenitivo como a morfina (a URSS não foi um LENINtivo para o mundo), nem mesmo os bancos de uma igreja funcionam como o divã de um psicanalista invisível, porém, o ateísmo não pode preencher esta falha visivelmente necessária na atual existência humana: a ESPERANÇA, fator que cada vez mais se encontra em falta. Eleitores não se preocupam com seu voto, pois perderam a esperança, pais não se preocupam com a escola, pois perderam a esperança, jornalistas transmitem catástrofes da mesma forma que Ana Maria Braga passa uma receita porque não há mais esperança, as pessoas não querem acreditar em Deus porque não há esperança (por mais contraditório que pareça!). Não vivemos em um mundo desesperado, mas em uma sociedade amorfa e apática, que não sabe de onde vem e muito menos para onde vai, uma sociedade que deixa o etéreo lhe causar estresse enquanto que as realidades mais concretas são postas de lado. Um pós-modernismo que tem levado ao catastrofismo.

O que fazer então?

Eu proponho uma volta aos propósitos de Cristo. Ele mesmo disse que no fim dos tempos a sociedade e a natureza dariam sinais de que tudo estaria se encerrando (Mateus 24), como as últimas notas de uma música anunciam o desfecho do espetáculo: guerras, rumores de guerras, fome, terremotos e tantas outras catástrofes dignas de livros de ficção, mas que infelizmente não são. Será que nada disto acontecia a 2000 anos atrás? Será que estas coisas fazem parte do mal moderno? A resposta é um claro não, pois quando Jesus disse que nos últimos dias estas coisas se dariam, Ele estava declarando que o Reino de Deus já havia chegado, porém, uma coisa ainda faltava: o evangelho do Reino ser pregado a todas as nações.

É inegável que nestes últimos anos estes eventos (que gostaríamos de tê-los longe da nossa mente e da realidade) tem se tornado cada vez mais intensos e frequentes, mas a nossa missão é levar o evangelho àqueles que nos rodeiam. João em sua primeira carta nos diz que o rosto de Deus é revelado aos outros por meio das intenções e atitudes de cada um de nós. Portanto, quanto às famílias do Rio de Janeiro, deixe as palavras de lado e abrace, chore e doe calor humano, pois é assim que se leva o evangelho e diz as palavras de Cristo: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” (Mateus 11.28, NVI).





Paz e Pacificadores // parte2

1 01 2009

paz_pacif2No texto anterior abordamos a questão da paz. Podemos perceber que o nosso conceito comum de paz (pax romana), não é nada mais que um desejo intenso, imerso na alma humana, portanto, tentar alcançá-lo enquanto estamos na Terra é uma tarefa árdua e infinita, pois é impossível. Enquanto estamos neste planetinha, resta-nos viver a Shalom, uma paz que não está livre de problemas, mas é chamada de ‘paz’ porque apesar dos problemas, estamos de mãos dadas com o Ser Supremo.

Agora, abordemos a questão do pacificador, pois não é possível haver paz se não houver quem a leve, ou seja, o pacificador.

O conceito de pacificador se encontra um tanto que defazado na sociedade moderna. Este meio pluralista em que nos encontramos, acaba levando à uma confusão de ideologias e doutrinas. Hoje encontramos a paz mesclada com a guerra. O caso mais recente é a guerra no Iraque, justificada pelo conceito de paz que os americanos querem introduzir naquele país abandonado. Os pacificadores modernos não mais portam mãos que acariciam e confortam, mas, carregam rifles e metralhadoras. Imagine um soldado chutando a porta da sua casa até derrubá-la, apontando uma arma para o seu rosto e dizendo asperamente: “Viemos trazer-lhe paz! Aceita ou morre!”

Talvez você se pergunte: “Mas não é exatamente assim que deve ser enquanto estamos na Terra? Afinal, já que nunca alcançaremos a pax romana, devemos nos comportar da maneira que o mundo vive, nos adaptar ao meio.” Sim, devemos nos adaptar ao meio (assunto visto em: “Sobre cebolas, maçãs e batatas” e será esclarecido no próximo texto), entretanto, o conceito de pacificador foge ao conceito mais simples da lógica que diz: “A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo”. Se o pacificador deve trazer novamente as coisas à ordem (ainda que não alcance a perfeição) como posso realizar tal feito por meio da desordem?

Cristo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.” (João 14.27). Esta declaração O coloca na categoria de pacificador, todavia, o mesmo Cristo também disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.” (Mateus 10.34). Será que Jesus se contradizia nas Suas palavras? Será que Ele é mais um destes pacificadores modernos? Para responder, devemos perceber as características das subcategorias de pacificadores.

Já vimos que o conceito de paz experiencial, esta que já podemos viver, possui visões totalmente diferentes, dependendo da ideologia que se vive. A divina ou a humana. A real ou a utópica. Cristo disse que nos deixaria a paz, mas também disse que não veio trazer paz e ainda completou afirmando que veio trazer espada. Será que Cristo estava dando bandeira branca para os cristãos iniciarem uma Jihad? Ou estava falando de diferentes conceitos de paz?

Existem duas esferas de realidade que estão em constante oposição. A esfera superior, onde Deus se encontra e a esfera inferior, onde nós nos encontramos. Uma batalha está sendo travada entre o Rei do Universo e o príncipe deste mundo. Nós mesmos vivemos em um constante duelo interno, entre a explosão da vontade de estar no seio de perfeição e a dura realidade débil e mácula da imperfeição. Um desejo intenso de estar agora no Céu e o fato de ainda estar na Terra. Os braços levantados para alcançar a transcedência tendo os pés sólidos na imanência.

Quando Cristo disse que não veio trazer paz, mas espada, Ele estava simplesmente tomando posição de um lado do conflito. A Espada de Cristo não é arma de fogo, bombas, punhais ou qualquer outro armamento, mas é a decisão irrevogável de estar em oposição ao pecado (fator que muitos teólogos modernos negam a existência, negação que G. K. Chesterton denomina como loucura). Tal atitude coloca Cristo em uma categoria de pacificador totalmente diferente dos contraditórios pacificadores modernos, pois o cristianismo crê e atesta que no último tempo, na consumação final, o Poder do Universo, o Mestre Jesus, trará tudo à ordem original, Ele diz: “Faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21.5). A Espada de Cristo não leva o mundo ao caos, mas ajunta todas as peças espalhadas pelo pecado a um único quadro flamejante e belo.

Agora podemos entender, que ser pacificador não estabelece que este necessariamente tenha paz, pois um pacificador da Shalom não tem em si a paz da  utopia, assim como um pacificador utópico não tem em si a Shalom. E ainda acrescento uma terceira categoria, a dos pacificadores modernos que creêm na possibilidade de trazer ordem por meio da desordem. Então nos deparamos com esta forquilha de três vias e devemos escolher o caminho a seguir (pois é impossível viver e não ser um pacificador, seja qual for a categoria que se encontre). Qual trilha você irá prosseguir?

Veja que os pacificadores modernos fogem à regra mais simples da lógica, portanto é irracional ser este tipo de pacificador. Os pacificadores da utopia pregam uma doutrina inalcançavel e a nossa própria experiência serve de prova, nos mostrando que é impossível viver na Terra e estar completamente livre de qualquer tipo de incomodação e problema. Assim sendo, racionalmente devemos ser pacificadores da Shalom, apregoadores da pax romana final, portadores do conforto universal.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou;” Você aceita o desafio?





Paz e Pacificadores // parte1

19 12 2008

200289527-002A Lua estava cheia. Linda! O céu mais estrelado do que o normal. Um vento fresco acariciava meu rosto. Tinha amigos em minha companhia e estávamos a caminho de uma programação. Belíssima paisagem, digna de Monet. Entretanto, eu me sentia mal, indignado, revoltado comigo mesmo e com o mundo.

O programa ainda não havia começado então eu e a Mirian, minha amiga, sentamos no banco e esperamos. Nestes momentos prévios estava sendo projetado a gravação do DVD ao vivo de um grupo chamado ‘Novo Tom’, e a música que tocava dizia o seguinte:

 

“Paz é a certeza de que Cristo irá voltar.

“Paz é a segurança de que o Céu é nosso lar.

“Paz é ter na cruz meus pecados perdoados.

“Paz é ter Jesus caminhando ao nosso lado.”

 

Neste momento eu me viro para a Mirian e faço uma pergunta, daquelas feitas em forma de exclamação: “Paz!? Que paz maldita é esta? Eu creio que Cristo irá voltar, tenho a segurança do Céu, sei do perdão, sei de Cristo, mas ainda assim eu não tenho paz. Que paz é esta?” Naquela hora, simplesmente não podia concordar com a letra que estava sendo cantada. Como pode haver paz? Creio na Bíblia e em tudo o que ela diz, entretanto, não estava tendo paz, ao contrário, nada parecia ter sentido. Que tipo de paz é esta? Cristo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14.27). Será que Cristo sabia o que estava dizendo ou teve um momento de falta de lucidez? Pois se Ele, por meio desta frase, queria mostrar algo possível, só posso concluir que não era Deus, certamente estava louco, porém, se Ele sabia o que realmente estava dizendo, não poderei contestá-lo, mais uma vez.

Observe que encontramos dois elementos: A Paz e o Pacificador. Um não pode existir sem o outro, ainda que não seja necessária a presença de um no outro. Posso ter paz e não ser um pacificador, ou ainda, posso ser um pacificador e não ter paz (discorreremos acerca disto mais à frente). Entretanto, o que é paz e pacificador?

Paz é o resultado de um estilo de vida. Pacificador é o pregador ambulante do conceito de paz. Cristo era o pacificador e estava levando a paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.” Esta frase até pode soar bonita, ter uma poesia bem estruturada, mas, até que ponto posso considerá-la, ou será que eu mesmo não estou compreendendo-a?

Existe um termo, cunhado pelo historiador Edward Gibbon, que reflete o conceito comum de paz, a Pax Romana (também conhecida como Pax Augustus). Esta expressão é usada para denominar o período experimentado por Roma que foi caracterizado por uma ausência de guerra e pequena expansão por meios militares. Este contexto invade a nossa compreensão de paz, como o próprio dicionário Houaiss define: “estado de espírito de uma pessoa que não é perturbada por conflitos ou inquietações; calma, quietude, tranqüilidade.” E eu pergunto: Você já experimentou uma pax romana na sua vida? Você já teve períodos onde se encontrava em completa paz? Onde nenhum tipo de problema lhe incomodou? Não?! Então como pode haver o conceito de paz se nem mesmo sabemos o que é isto?

Cristo parecia entender o que era paz e ainda mais, prometeu nos dar a paz. Entretanto, se você é cristão como eu, sabe muito bem que, apesar de Cristo, temos muitos problemas. Se pararmos por aqui, chegaremos à conclusão de que Jesus não passou de um mentiroso, um lunático que apregoava doidices absorvidas posteriormente por um grupo de incultos, todavia, se cremos que Cristo não é um enganador, devemos procurar ver o que Ele disse realmente.

Depois de dizer que deixaria-nos a Sua paz, Cristo falou: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições;” (João 16.33). Se Ele não está excluindo as aflições, então provavelmente meu conceito de paz está completamente errado. A pax romana é diferente da paz cristã (ao menos o que podemos dizer de realidade vivida). Então, o que é a paz cristã?

Se você ler e compreender o contexto em que Jesus está proferindo estas palavras, perceberá que Ele está falando da sua volta e confortando os discípulos. A volta de Cristo é aquilo que todos nós aguardamos, seja você cristão ou não. Todos nós ansiamos uma pax romana. Como posso esperar por esta volta se nem mesmo creio nEle? Muito simples: se você não crê em Cristo, mas tem o desejo de viver em um lugar sem sofrimento, mesmo que nunca tenha vivido lá, é porque alguém colocou este desejo dentro de você, ainda que não saiba. Da mesma forma que desejamos ir a certos lugares, não porque já estivemos lá antes, mas por causa da descrição exuberante e vivacidade que nos são passadas por quem já esteve nestes lugares. Todos nós ansiamos um mundo de pax romana por termos um coração que ouviu acerca deste lugar. Em realidade, o que Cristo promete no futuro é o cumprimento desta paz que nos é utópica, por enquanto, a pax romana. Não adianta tentarmos viver esta calma aqui na Terra, pois quando um problema nos deixa, logo vem outro para incomodar, quando adquirimos as forças perdidas pelo cansaço, logo surgem novos esforços, não há pax romana, apenas o desejo intenso por ela. Todavia, sejamos honestos, ainda estamos na Terra.

Quando Cristo nos disse que deixaria a Sua paz, bem especificou: “não vo-la dou como a dá o mundo;”. A paz de Cristo para esta Terra não é a pax romana, mas a Shalom, a qual não fala da ausência de problemas, porém da presença de dificuldades com um diferencial. Temos a Shalom quando apesar dos problemas não largamos a mão de Deus. Por isso Ele nos diz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” A paz real vem de Cristo.

Não estou procurando transmitir uma idéia de acomodação, ou o conceito hinudísta de destino. “Nasci em dificuldade e devo continuar na dificuldade.” Apenas estou querendo mostrar que há outra visão, existe uma paz que nos é alcançável, a paz cristã!

Ainda que desejemos a pax romana, a qual está inserida na ansiedade de cada alma humana, não podemos experimentá-la, pois ainda estamos na Terra. Sabemos de sua existência, mas não a conhecemos realmente. Deus nos deixou a Shalom, a qual podemos viver intensamente aqui e agora. A Shalom conduz à pax romana. O viver em Deus conduz ao local de paz.

 

Esta semana falamos sobre o objeto de uso de um pacificador, a paz. Semana que vem falaremos acerca do pacificador.

Não perca!





Dura Lex Sed Lex

10 12 2008

a0008-000020aOs jornais noticiam: “A ortografia sofrerá mudanças.” Quando? “Até 2010 todos os livros didáticos deverão utilizar a nova ortografia.” Estranho? Mas é real. O que até pouco tempo se escrevia, ‘Tive uma idéia!’, será alterado para, ‘Tive uma ideia!’. Qual o objetivo disto? Simplificar. Segundo o presidente Lula, esta atitude irá facilitar os acordos de comércio entre os países de fala portuguesa, irá auxiliar os países que necessitam da ajuda brasileira para o crescimento do sistema educacional e outros motivos (cf. http://tinyurl.com/6jdduu). Se você não sabe utilizar esta nova ortografia já é tempo de ir aprendendo, pois ela entrará em vigor apartir de janeiro de 2009.

Uma lei foi assinada para que tivéssemos uma nova ortografia, os motivos não me interessam no momento, entretanto, isto me faz refletir acerca de um assunto. A volatilidade das leis. Até este ano era correto o uso de um tipo de ortografia, todavia, por causa de um papel que foi assinado, apartir do ano que vem já teremos outro tipo de ortografia, o que consideramos agora como certo já não o será mais! Claro que não será nenhum crime utilizar-se da antiga ortografia, porém, veja que esta foi estabelecida por meio de algo instável. Então vamos mais fundo e tomemos como exemplo algo mais sério: Se o governo brasileiro decretasse que matar não é mais um crime, isto me daria o direito de assassinar que eu quisesse? Afinal, tirar a vida de alguém não seria mais um crime. Perceba que o órgão que, hipoteticamente, daria efeito à esta lei é o mesmo que modificou a ortografia.

Veja que temos dois pontos para discutir: Um diz respeito ao crime e ao cumprimento da lei, outro ao conceito de certo e errado. Crime necessariamente é errado? Cumprir a lei é correto? Não pense que estou aqui fazendo apologia ao anarquismo ou ao anomianismo, mas vamos refletir nestas duas perguntas.

O conceito de certo e errado, que faz parte da disciplina da Moral, é algo absoluto, afinal, não podemos ter algo que é correto e não-correto ao mesmo tempo. “Ah! Mas tudo depende da compreensão de cada um!” – alguém poderia dizer. Então eu pergunto: “Que tipo de moral você possui?! Se eu não gostar de você e acho correto depositar um objeto balístico no meio de sua massa cefálica, isto seria uma atitude certa e errada ao mesmo tempo? Certa pra mim e errada para você?” Perceba que, o conceito de moralidade relativa é aceito desde que não me afete.

No caso das leis tudo muda. Leis não são absolutas. Leis não dizem respeito à moralidade. Leis são um conjunto de regras que visam a ordem do país ou organização a qual pertencem. Portanto, uma lei que pode ser válida aqui no Brasil não será válida na Inglaterra. Aqui no Brasil (e em quase todo lugar no mundo) a lei diz que devemos dirigir na faixa da direita, porém, na Inglaterra os motoristas devem ficar com seus veículos na faixa da esquerda. Se fizer a moda brasileira (e quase mundial) na Inglaterra, eu poderei ser preso, assim como se for executado o jeito inglês no Brasil, poderei ir para a cadeia. Entretanto, isso não nos diz respeito à moralidade, pois esta é absoluta, o que podemos perceber que não é válido para as leis.

Dura lex sed lex (a lei é dura, mas é lei)! Qual é o limite desta afirmação? Até onde a rigidez da lei pode fixar seus olhos de “Medusa” sobre mim?

Certa vez, no século I d.C., um homem chamado Pedro e outros que seguiam ao Rabi Jesus, o qual eles criam ser o próprio filho de Deus, sendo em realidade o próprio Deus encarnado, foram submetidos a um interrogatório sob a acusação de causarem desordem pública. (Quando cruzamos informações externas ao Livro Sagrado descobrimos que, dificilmente, esse Jesus não teria sido Deus.) Neste ínterim, Pedro e os outros, foram proibidos de pregar os ensinos de Jesus. Então eles respondem: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5.29). Todavia chegamos a um impasse: ‘Se as leis são passíveis de mudança e são válidas apenas para uma comunidade específica, por que eu seguiria a Deus e Suas leis? Estas não seriam válidas apenas para o povo judeu daquela época?’

Antes de mais nada devemos saber que as leis divinas são diferentes das humanas. Deus também, assim como a Moral, é absoluto. Em realidade, nEle habita todo o nosso conceito de Moral. Não que as coisas sejam boas porque Deus determina, mas Deus é bom por Sua própria natureza e não há nada que seja superior a Ele. Portanto, Seus ‘ensinos’ (este é o real significado da palavra Torah) não podem ser considerados específicos para um grupo de pessoas, nem mesmo passíveis de mudança, já que a Moral é absoluta. Não que seja autoritária, mas não há outra que possa colocá-la em um nível de comparação. Assim, como não posso dizer qual Mona Lisa de Da Vinci é mais bonita, pois não há outras, mas posso diferenciar o original das cópias, assim é com a ‘lei’ de Deus, não é autoritária, pois ela é por si própria, apenas posso verificá-la em comparação com as suas réplicas (isso eu me refiro tanto às falsas como àquelas que estão imersas no coração do homem que chamados de lei natural).

Em diversos momentos estaremos face-a-face para escolher a quem seguir: Deus ou homens? Confiar no poder divino ou roubar para sobreviver? Sexo dentro do casamento ou viver carpe diem? Se a dura lex nos obrigar a fugir de Deus, qual será a tua decisão? Momentos onde a lei (seja ela social ou política) e a Moral estarão em combate.

Lembre-se: Apenas Deus é imutável, Ele é o originador de toda a Moral que flui até nós que fomos criados “à Sua imagem”. Não podemos fazer os fundamentos de nossa vida com meios voláteis. As leis de hoje são totalmente diferentes das leis de amanhã, entretanto, a Moral de hoje será a mesma eternamente, pois a sua origem é superior, sem comparações, imutável.

Que farei então com as leis de meu país? Cumpra todas elas. Todavia, se em algum ponto elas se chocarem com a Moral, lembre-se: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.”

 

 

 





Sobre cebolas, maçãs e batatas

25 09 2008

Não sei se você sabe, pois eu também fiquei surpreso quando li. As cebolas, as maçãs e as batatas têm o mesmo gosto! É isto mesmo que você leu: mesmo gosto. Então, qual a diferença gritante na sensação de sabor? O cheiro. Algo tão simples que aparentemente passa despercebido, entretanto o seu efeito é incrível.

Faça uma experiência em sua casa com alguém. Peça para esta pessoa ficar sentada em uma cadeira com os olhos vendados. Então pegue um alimento e dê para ela comer. Enquanto ela degusta, coloque outro alimento embaixo de seu nariz. Pode crer, os gostos irão se misturar. Por exemplo: enquanto ela come uma barra de chocolate, deixe-a cheirando um pedaço de queijo parmesão. (Hummm! Chocolate coberto com queijo parmesão. Delícia!)

Certa noite, ao me deitar, me veio um insight sobre as cebolas, maçãs e batatas. Então, percebi que isto resolvia a minha dúvida no que diz respeito à verdade absoluta, pois essa pode ser absoluta em diversos pontos, mas, e com relação aos gostos? Quem e como deve reger a verdade absoluta?

Antes de continuarmos, é necessário que eu explique alguns termos e idéias que vou expor a seguir. São os termos ‘essência’ e ‘acidente’. Essência é o conjunto das características de um objeto sem as quais ele não seria, mas isto não é necessariamente a característica física. Acidente são as características físicas de um objeto (cheiro, textura, cor…) as quais podem ser modificadas. Por exemplo: um abacate é verde, tem certo gosto e é oleoso, porém, se o abacate fica podre sua aparência muda, seu gosto muda e pode até mesmo ficar seco (acidentes), entretanto nada irá nos provar que aquilo não seja um abacate (por causa da sua essência), ainda que eu pinte este abacate de azul (acidente), você continuará sabendo que é um abacate (por causa da essência). Entendeu? Continuemos então.

Sabemos que cada um de nós tem uma experiência de vida diferente. Um nasceu no Brasil, outro na Itália, outro na China. Um é acostumado a comer peixe, o outro não. Um sempre escutou bossa-nova, outro nem sabe o que é isto. Um fala português, o outro mandarim. Um veste saia e o outro acha que isto é coisa de mulherzinha. Todos estes fatores que nos rodeiam e moldam as nossas experiências é chamado de Cultura. Existem Culturas Gerais (como a brasileira, angolana, italiana) e as Culturas Específicas (aquela que pertence a cada indivíduo como pessoa).

As Culturas afetam grandemente a nossa maneira de perceber a verdade. Não estou querendo dizer que a verdade é relativa, sempre foi e será absoluta, mas a nossa percepção desta é alterada pela cultura. A figura abaixo representa bem o que estou querendo dizer.

 

A Verdade possui uma essência que se manifesta em um acidente. Tal Verdade lança raios de si mesma sobre nós, entretanto, a Cultura, que funciona como um filtro, irá alterar a maneira de percebermos esta Verdade, todavia a essência permanecerá a mesma. A Verdade não deixou de ser absoluta, apenas foi vista de maneira diferente.

O caso das cebolas, maçãs e batatas exemplifica bem isto. Imaginemos que todas possuem a mesma “essência” (gosto), todavia, a cultura (cheiro) irá alterar a nossa percepção da verdade, nos levando a sensações diferentes.

Portanto, quando alguém pergunta: “Morango é gostoso?” Esta pessoa já está invocando um padrão para algo que não tem padrão. É querer julgar o acidente do morango, no caso o gosto, por meio de filtro alheio, a Cultura. A pergunta de gosto não é passível de julgamento de Verdade, pois depende do filtro. Como poderia ser alterada esta pergunta para se encontrar algum tipo de verdade? Sendo da seguinte maneira: “Você gosta de morango?” Pois, sendo afirmativa ou negativa, em qualquer parte do mundo a resposta será sempre a mesma, absoluta.

Alguém pode levantar a seguinte questão: “E Adolf Hitler? Talvez não tivesse interpretado a Ética do assassinato por meio da cultura dele? Sendo assim, ele não estaria errado em matar.” Afirmação errada amiguinho, pois Ética não tem que ver com julgamento de filtro alheio, pois há uma lei imersa na alma de cada ser humano que aponta para o que é certo e errado.

Encontramos na Bíblia este mesmo conceito. Paulo diz em 1º Coríntios 9.22: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.” Veja que Paulo não alterou a Essência do Evangelho, apenas alterou a sua maneira da passar a Proclamação, a qual é o Acidente. Cada população tinha um filtro diferente, para cada pessoa a relevância de Deus se manifestava de maneiras diferentes, entretanto, em momento algum Paulo deixou de pregar a Cristo e este crucificado. Paulo no seu discurso junto aos filósofos de Atenas (Atos 17) pregou sobre Jesus à moda grega. Todavia um discurso totalmente diferente foi feito às pessoas judias. A Essência é a mesma, porém a sua percepção varia.

Em realidade, podemos afirmar que a Essência do Evangelho é impossível de ser percebida enquanto estamos na Terra. Cada pessoa tem uma maneira diferente de perceber a Verdade, a percepção do Evangelho varia (lembre-se, a percepção, não a Essência do Evangelho), claro que isto não nos impede de conhecermos a necessidade do Evangelho e seu impacto em nossa vida. Todavia, ainda possuimos filtros e acidentes para estes filtros que nos impedem de olhar a Essência do Evangelho em seu âmago, porém, um dia virá, quando todos estaremos vivendo em um mesmo país, falando a mesma língua, amando as mesmas coisas, possuindo uma mesma Cultura. Um dia virá em que estaremos estudando a Essência de nossa atual Proclamação, vendo o rosto e ouvindo a voz dAquele que é a própria fonte da Essência do Evangelho. Então, durante um tempo que não tem fim estaremos compreendendo o mistério de Deus e perceberemos, sem mais nenhum tipo de barreira, a grandiosidade e infinitude do Amor que recebemos, compreenderemos “que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus;” entenderemos que “de fato, somos filhos de Deus.” (1 João 3.1)

Mas, ainda estamos na Terra. E por enquanto as coisas se explicam por meio de cebolas, maçãs e batatas.





Pois ainda estou na Terra!

18 09 2008

 

Não sei se você chegou a ler a página ‘Sobre’ do blog. Se não, leia-a antes de continuar o texto. Vai em frente. Não se preocupe, eu te espero. (pernas cruzadas, mãos cruzadas sobre o colo, assobiando esperando você voltar).

Pronto? Viu como foi rapidinho? E fiquei aqui te esperando voltar. Não, eu nunca vou te abandonar assim, ainda mais quando a causa é nobre. Mas, voltando ao assunto… Percebeu que ali eu falo acerca daqueles que pensam que já estão em uma esfera superior? Aquelas pessoas que deduzem, por meio de suas cabecinhas de jiló, que o ingresso em uma denominação as torna superiores por si mesmas? Pobres criaturas…

É interessante a complexidade da mente humana. Até hoje os estudiosos da medicina consideram esta máquina uma das mais fabulosas e intrigantes engenharias que existe. Entretanto, como já estabelecia a lei de Murphy (que nada tem que ver com azar, primordialmente): Quanto mais complexo um sistema, maior a probabilidade de aparecer defeitos. Portanto, se a ilusão de estar em uma esfera de vida superior às outras pessoas é algo criado na mente destas pessoinhas, só posso concluir que não passa de mero defeito de seus cérebros.

Seres humanos nascem, crescem, (muitos) se reproduzem e morrem. Este é o ciclo vital de todos. Sejam ricos, pobres, homens, mulheres, religiosos, não-religiosos, todos estão sob esta inevitabilidade. Então o que faz com que alguns pensem que são superiores? A ilusão própria de viver em outro planeta.

Uma grande prova disto é o sofrimento, assunto que já discutimos anteriormente. O sofrimento é umas das provas de que Deus existe e, ao mesmo tempo, também é uma prova de que todos somos iguais. Afinal, quem é que não sofre? E se as pessoas que estão dentro de denominações são superiores, então elas não deveriam ser infligidas com um fator tão negativo como este. Salomão já dizia: “Não há nada novo debaixo do Sol”.

Nada há de novidade debaixo do Sol. Tudo é igual para todos. As células corpóreas não modificam para nenhuma pessoa. Todos nós, em última instância, somos nada mais que um acumulado de prótons, neutrons e elétrons. Então – pergunto – qual a vantagem de ser cristão se não há nada de novo debaixo do Sol? A grande vantagem é que sendo cristão eu posso enxergar acima do Sol e ver que há uma luz mais brilhante que me ilumina. O grande problema da humanidade não é o que se encontra debaixo do Sol, mas é a incapacidade de observar acima dele.

Entretanto, ainda me encontro debaixo do Sol. Minha casa, minha família, meus amigos, meu emprego, tudo isto se encontra debaixo do Sol. Por que então eu deveria procurar olhar acima do Sol? Porque se as coisas que estão debaixo do Sol solucionassem as angústias da alma, aqueles vácuos que toda pessoa tem por inerência, então não encontraríamos uma humanidade catastrófica como a que vemos espalhada por toda a face da Terra. Procurar observar acima do Sol é buscar uma luz mais radiante que da estrela que ilumina o nosso sistema.

Viver no planeta Terra não é uma tarefa muito fácil, todavia, não tivemos a opção de escolher outro lugar. A nossa vida foi dada para habitar neste canto do cosmos, então devemos aprender a morar aqui.

O símbolo do ‘Pr. GugaGóes – Pois ainda estou na Terra’ retrata exatamente isto, apartir da nossa perspectiva. O bonequinho dentro do círculo representa cada um de nós. O círculo representa a Terra, nossa moradia. O quadrado envolta mostra a nossa incapacidade de escapar deste mundinho. Portanto, devemos aprender a viver enquanto estivermos aqui.

Incapacitados de sair daqui. Fechados em um quadrado neste planeta. Nada novo debaixo do Sol. Apenas dependendo da luz que está acima do Sol para viver iremos para outro lugar. Enquanto isso, olhemos para esta Luz maior que irá clarear este mundo e revelar outro que virá. Sem o Sol maior continuaremos com a visão turva e, por mais que haja esforço, continuaremos a caminhar como andarilhos.

“Não há nada de novo debaixo do Sol”, POIS AINDA ESTOU NA TERRA. Devo olhar acima do Sol, POIS AINDA ESTOU NA TERRA.

 





Racionalmente Amor…

15 09 2008

Já diziam: “O amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa.” Até que ponto posso considerar isto uma verdade? Ou será que nem mesmo é verdade?

É engraçado olhar às concepções de amor por aí a fora. Para se ter uma noção mais clara basta assistir a qualquer um destes filmes de ficção chamados popularmente de ‘romances’ em especial a seção chamada ‘comédia romântica’. Este último é aquele que os homens denominam de coisa sem-graça e as mulheres suspiram. Ali vemos aquelas histórias com finais previsivos que possuem um roteiro perfeito para qualquer apaixonado, entretanto nunca se viu algo como aquilo no que chamamos de ‘mundo real’.

Nesta surrealidade o amor é demonstrado como um sentimento etéreo que eleva qualquer alma para uma dimensão superior onde há cupidos espalhados por toda a parte, uma música depressiva toca de fundo, um cheiro muito prazeroso de nada invade o ar, os dois corpos correm em direção ao outro por um campo sem fim de trigo e flores (igual no musical Heide), porém, apesar de correr tanto nunca alcançam o outro, simplesmente permanecem naquela angústia de tê-lo nos braços. Isto é apenas uma ‘materialização’ daquilo que contam e dizem por aí.

Tem uma música que está no topo das paradas de download que entitula-se “Sem ar”. Com toda a sinceridade que explode de meu ser: Esta canção pinta a maior estupidez que a alma humana pôde produzir.

No início da música o autor suicida retrata-se flutuando com o corpo totalmente amortecido, pois aquilo que ele chama de ‘amor’, o entorpeceu de tal maneira que nem mesmo consegue pronunciar coisa com coisa. Depôs toda a sua confiança em uma pessoa, que agora não mais a tem, portanto permanece desnorteado e com uma dor profunda que apenas o sono pode amenizá-la. Então no refrão ele dá o golpe de mestre indo nadar na praia, porque é impossível empinar pipa, já que o vento traz o que se quer esquecer. Chorando copiosamente este indivíduo insiste que o seu lugar é nos braços daquela que não o quer mais e deste jeito ele permanece sem amor, sem luz, morre sufocado.

Querido leitor, se este é o produto do amor declaro neste momento perseguição ao amor! Tragam-no para a guilhotina que eu me proponho a ser o carrasco! Coloquem o amor na fogueira, pois ele não merece viver! Entretanto, pude descobrir que isto não é o amor, apenas uma cópia mal feita do verdadeiro, pois o amor verdadeiro não é irracional.

A Bíblia é muito clara quando diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha vida eterna.” (João 3.16) E isto resume toda a racionalidade do amor.

Ao contrário do que muitos pensam, o amor e a razão podem conviver muito bem juntos. Em realidade eles não são opostos, mas complementares. A razão é o guia, o amor o motor.

Veja que Deus ESCOLHEU amar o mundo. Como sei disto? Pois nos é dito que Ele deu. É possível dar alguma coisa sem escolher doá-la? Quando algo é tomado à força não pode ser doação, mas roubo. Entretanto Deus ‘deu Seu único Filho’. Para escolher amar é necessário parar e racionalizar a situação. E foi exatamente isto que Ele fez: Olhou para o mundo e raciocinou, “eles precisam de mim” (direção a ser tomada, guia); em seguida Deus agiu por meio do amor (motor) e ‘deu Seu único Filho’.

Este verso nos mostra também o caráter do amor, que, ao contrário daquilo que foi retatado na música “Sem ar”, o amor sofre pelo bem do outro. O amor dá total liberdade para que se possa agir, não fica criando joguinhos emocionais de maneira a forçar o outro a responder. Perceba que Deus ‘deu Seu único Filho’ não para salvar todos por meio da obrigatoriedade, mas somente para aqueles que ESCOLHERAM ‘nEle crer’.

O amor é um sentimento necessário para todas as pessoas que ESCOLHEM viver uma vida perfeita. Por isso é imprescindível reconhecer o verdadeiro amor. O amor centralizado nas pessoas. Amor que é tão verdadeiro ao ponto de se doar para qualquer pessoa. Não se mata por amor, morre-se por amor. Não se sente ciúmes por amor, sente-se amor por amor. Não se obriga por amor, se liberta por amor. C. S. Lewis já dizia: “De todos os poderes, ele [o amor] é o que perdoa mais, porém o que menos fecha os olhos: ele se satisfaz com pouco, mas exige tudo.”

Se Deus for a fonte de amor, amarei corretamente, pois amarei como ele ama. Se a fonte de amor for a mim mesmo, amarei da forma errada, pois o egoísmo é contrário ao amor. Este placebo de amor que circula por aí é exatamente este último.

Portanto, o amor não é uma flor roxa, nem mesmo é uma flor. Podemos comparar o amor à uma vacina que aniquila todo o mal. E ele não nasce no coração do trouxa, mas nasce no coração de Deus. Trouxa é quem pensa que ama quando na realidade não ama.