Dura Lex Sed Lex

10 12 2008

a0008-000020aOs jornais noticiam: “A ortografia sofrerá mudanças.” Quando? “Até 2010 todos os livros didáticos deverão utilizar a nova ortografia.” Estranho? Mas é real. O que até pouco tempo se escrevia, ‘Tive uma idéia!’, será alterado para, ‘Tive uma ideia!’. Qual o objetivo disto? Simplificar. Segundo o presidente Lula, esta atitude irá facilitar os acordos de comércio entre os países de fala portuguesa, irá auxiliar os países que necessitam da ajuda brasileira para o crescimento do sistema educacional e outros motivos (cf. http://tinyurl.com/6jdduu). Se você não sabe utilizar esta nova ortografia já é tempo de ir aprendendo, pois ela entrará em vigor apartir de janeiro de 2009.

Uma lei foi assinada para que tivéssemos uma nova ortografia, os motivos não me interessam no momento, entretanto, isto me faz refletir acerca de um assunto. A volatilidade das leis. Até este ano era correto o uso de um tipo de ortografia, todavia, por causa de um papel que foi assinado, apartir do ano que vem já teremos outro tipo de ortografia, o que consideramos agora como certo já não o será mais! Claro que não será nenhum crime utilizar-se da antiga ortografia, porém, veja que esta foi estabelecida por meio de algo instável. Então vamos mais fundo e tomemos como exemplo algo mais sério: Se o governo brasileiro decretasse que matar não é mais um crime, isto me daria o direito de assassinar que eu quisesse? Afinal, tirar a vida de alguém não seria mais um crime. Perceba que o órgão que, hipoteticamente, daria efeito à esta lei é o mesmo que modificou a ortografia.

Veja que temos dois pontos para discutir: Um diz respeito ao crime e ao cumprimento da lei, outro ao conceito de certo e errado. Crime necessariamente é errado? Cumprir a lei é correto? Não pense que estou aqui fazendo apologia ao anarquismo ou ao anomianismo, mas vamos refletir nestas duas perguntas.

O conceito de certo e errado, que faz parte da disciplina da Moral, é algo absoluto, afinal, não podemos ter algo que é correto e não-correto ao mesmo tempo. “Ah! Mas tudo depende da compreensão de cada um!” – alguém poderia dizer. Então eu pergunto: “Que tipo de moral você possui?! Se eu não gostar de você e acho correto depositar um objeto balístico no meio de sua massa cefálica, isto seria uma atitude certa e errada ao mesmo tempo? Certa pra mim e errada para você?” Perceba que, o conceito de moralidade relativa é aceito desde que não me afete.

No caso das leis tudo muda. Leis não são absolutas. Leis não dizem respeito à moralidade. Leis são um conjunto de regras que visam a ordem do país ou organização a qual pertencem. Portanto, uma lei que pode ser válida aqui no Brasil não será válida na Inglaterra. Aqui no Brasil (e em quase todo lugar no mundo) a lei diz que devemos dirigir na faixa da direita, porém, na Inglaterra os motoristas devem ficar com seus veículos na faixa da esquerda. Se fizer a moda brasileira (e quase mundial) na Inglaterra, eu poderei ser preso, assim como se for executado o jeito inglês no Brasil, poderei ir para a cadeia. Entretanto, isso não nos diz respeito à moralidade, pois esta é absoluta, o que podemos perceber que não é válido para as leis.

Dura lex sed lex (a lei é dura, mas é lei)! Qual é o limite desta afirmação? Até onde a rigidez da lei pode fixar seus olhos de “Medusa” sobre mim?

Certa vez, no século I d.C., um homem chamado Pedro e outros que seguiam ao Rabi Jesus, o qual eles criam ser o próprio filho de Deus, sendo em realidade o próprio Deus encarnado, foram submetidos a um interrogatório sob a acusação de causarem desordem pública. (Quando cruzamos informações externas ao Livro Sagrado descobrimos que, dificilmente, esse Jesus não teria sido Deus.) Neste ínterim, Pedro e os outros, foram proibidos de pregar os ensinos de Jesus. Então eles respondem: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5.29). Todavia chegamos a um impasse: ‘Se as leis são passíveis de mudança e são válidas apenas para uma comunidade específica, por que eu seguiria a Deus e Suas leis? Estas não seriam válidas apenas para o povo judeu daquela época?’

Antes de mais nada devemos saber que as leis divinas são diferentes das humanas. Deus também, assim como a Moral, é absoluto. Em realidade, nEle habita todo o nosso conceito de Moral. Não que as coisas sejam boas porque Deus determina, mas Deus é bom por Sua própria natureza e não há nada que seja superior a Ele. Portanto, Seus ‘ensinos’ (este é o real significado da palavra Torah) não podem ser considerados específicos para um grupo de pessoas, nem mesmo passíveis de mudança, já que a Moral é absoluta. Não que seja autoritária, mas não há outra que possa colocá-la em um nível de comparação. Assim, como não posso dizer qual Mona Lisa de Da Vinci é mais bonita, pois não há outras, mas posso diferenciar o original das cópias, assim é com a ‘lei’ de Deus, não é autoritária, pois ela é por si própria, apenas posso verificá-la em comparação com as suas réplicas (isso eu me refiro tanto às falsas como àquelas que estão imersas no coração do homem que chamados de lei natural).

Em diversos momentos estaremos face-a-face para escolher a quem seguir: Deus ou homens? Confiar no poder divino ou roubar para sobreviver? Sexo dentro do casamento ou viver carpe diem? Se a dura lex nos obrigar a fugir de Deus, qual será a tua decisão? Momentos onde a lei (seja ela social ou política) e a Moral estarão em combate.

Lembre-se: Apenas Deus é imutável, Ele é o originador de toda a Moral que flui até nós que fomos criados “à Sua imagem”. Não podemos fazer os fundamentos de nossa vida com meios voláteis. As leis de hoje são totalmente diferentes das leis de amanhã, entretanto, a Moral de hoje será a mesma eternamente, pois a sua origem é superior, sem comparações, imutável.

Que farei então com as leis de meu país? Cumpra todas elas. Todavia, se em algum ponto elas se chocarem com a Moral, lembre-se: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.”

 

 

 





O Onipotente sem Poder

10 09 2008

 

Quantas vezes nos deparamos com situações aparentemente impossíveis de se realizar? Talvez chegar a tempo em um determinado local quando há aquele engarrafamento quilométrico à sua frente. Ou então fazer com que colha-se dinheiro em árvore para que as contas sejam pagas. Impossíveis! Bom, entretanto, antes de continuarmos esta discussão é necessário definirmos o que é impossibilidade.

A palavra impossível é definida da seguinte maneira pelo dicionário Houaiss: Que não se coaduna com a realidade, que se opõe à razão e ao bom senso; que é destituído de sentido, de racionalidade; extravagante, esquisito, absurdo. Entretanto, podemos por meio da razão detectar certos acontecimentos que fogem à compreensão intuitiva da racionalidade, a estes fenômenos chamamos ‘milagres’ (tratarei a respeito deles em outra ocasião).

Sabemos que Deus é capaz de realizar diversos milagres. Podemos ver o milagre da ressurreição de Cristo, para o qual temos até mesmo provas históricas. O milagre da criação deste planeta (ou você vai me dizer que uma explosão, a qual por si mesma deveria ser um milagre, pois foge à racionalidade intuitiva, originou sozinha todo o universo?). O milagre da transformação do caráter que ocorre em todo aquele que anda verdadeiramente com Cristo. Norman Geisler define o planeta Terra como sendo uma caixa aberta na qual Deus pode intervir, portanto, milagres existem. Sendo assim, se milagres existem as impossibilidades são totalmente possíveis.

Entretanto, o mais interessante de se observar no que diz respeito às impossibilidades são as declarações que as pessoas fazem: “É impossível que não haja fome no mundo!” “É impossível que a violência acabe!” “É impossível que as pessoas se amem!” Veja que são possibilidades declaradas impossíveis. Certo, devo admitir que a transformação do homem é um milagre, portanto, é impossível realizá-lo sozinho (isto sim é um impossibilidade!), porém, o homem precisa simplesmente deixar a sua vontade dominar-se pelo amor, então todas estas aparentes impossibilidades se tornam possíveis. As pessoas gritam com o Céu culpando-o do silêncio sepulcral quanto ao mal na Terra, porém na verdade a mudança é uma atitude que deve vir do homem. Casos de impossíveis completamente possíveis.

Outro ponto a ser destacado é aquilo que C. S. Lewis denominou de ‘impossibilidade intrínseca’, a qual é tanto impossível para o homem como impossível para Deus. Quer um exemplo? Quantos quilômetros existem em uma hora? Qual a forma da cor vermelha? Quanto de maçã existe em um eucalipto? Estas são coisas impossíveis de se medir! Depois vem aquele energúmeno e diz: “Viu? Deus não é onipotente, afinal Ele não consegue fazer nada disto!” Sumidade burra! Por um acaso palavras aglutinadas de maneira que expressem nenhum sentido o passem a ter pelo simples fato de acrescentar a frase ‘Deus pode…’!? É claro que não! Isto nos faz concluir sem nenhuma sombra de dúvida que Paulo tinha razão ao denominar Jeová como “o Deus que não pode mentir” (Tito 1.2), pois afirmar que Deus pode mentir é ajuntar palavras que não fazem sentido algum; Deus, por essência (em parte no sentido aristotélico), é a verdade.

Com isto chegamos a um ponto que podemos afirmar que Deus é um onipotente sem poder. Entretanto, precisamos completar esta frase. Deus é um onipotente sem poder para realizar aquilo que é responsabilidade do homem realizar (apesar de poder fazê-lo Ele não o faz, pois concede o livre-arbítrio). Deus é um onipotente sem poder para realizar aquilo que é impossível em si mesmo. Mas é extremamente poderoso para realizar milagres em nossa vida, para tocar e solucionar aquilo que não tem solução. Curar pacientes terminais. Parar a rotação da Terra. Ressucitar mortos. Intervir na vida do homem quando este não pode fazer mais nada. Neste momento ficamos pasmos, os pêlos de nosso corpo se arrepiam, a expressão fica paralisada como se tivesse visto um ser espiritual, os músculos ficam relaxados, mas nos sentimos enrijecidos, então nos maravilhamos ante a impossibilidade tornada possível pelo poder que não podemos conhecer. Não me pergunte como posso entender pelo método científico os milagres, pois estes estão em uma abóbada superior à nossa inteligência. Todavia, por muito tempo não declarávamos piamente que a Terra se encerrava em um abismo de uma superfície plana? O simples fato de não poder compreender algo não significa que este não seja real. Não compreendo as mulheres, mas isto não às torna ilusórias. Um camponês não compreende a internet, entretanto, isto não significa que ela não exista.

As possibilidades estão ao meu alcance. As impossíbilidades intrínsecas nem mesmo Deus realiza. As minhas impossibilidades são milagres que Deus nos dá. “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.” (Mateus 19.26).

 





Sofro, logo Deus existe…

13 08 2008

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Eram duas horas da manhã. O telefone toca. Cambaleando e sonolenta ela dirige ao aparelho.

-Alô! É a esposa do Gabriel?

-Sim. Quem fala?

-Minha senhora, sente-se, por favor.

Um calafrio percorreu todo o seu corpo. As mãos começaram a suar. Com certo receio Joana se assenta no baquinho que está ao lado.

-Que aconteceu?

-Minha senhora, é preciso ter muita calma neste momento.

Assalto. Seqüestro. Perseguição. Pistolas. Facas. Sangue. Desespero. Cheiro de formol. Milhões de coisas passaram pos sua cabeça naquele intervalo de 2 segundos.

-O Gabriel está bem, não está?

-Por favor, venha até o Hospital Santa Lúcia, preciso conversar com você. Sou Eduardo Canedos, médico.

-Não me deixe aflita doutor! Me diga, o Gabriel está bem, não?

Cerca de trinta minutos depois Joana estava aos prantos na UTI. Havia recebido a notícia: Seu esposo estava dirigindo ao voltar de uma viagem de negócios. Queria chegar logo em casa, pois precisava comparecer logo cedo ao escritório para prestar relatórios. Entretanto, Gabriel, vencido pelo cansaço, dorme ao volante e choca-se contra uma carreta. No acidente ele sofre perda de massa cefálica e lesões em diversas partes de sua coluna. Foi levado às pressas para o hospital e então o médico dá o diagnóstico: Gabriel ficou tetraplégico e passará a viver o restante de sua vida em estado vegetativo.

Dor e sofrimento. Ninguém está imune a eles. Porém, nestes últimos tempos, estes têm sido os argumentos mais usados para negar a existência de Deus, afinal, “se Deus fosse bom, Ele desejaria tornar Suas criaturas felizes, e se fosse todo-poderoso, seria capaz de fazer o que quisesse. Mas as criaturas não são felizes. Portanto, a Deus falta a bondade ou o poder – ou ambas as coisas”. Dor e sofrimento incomodam, mexem com o ego e a alma humana, fazem com que servos se revoltem contra o seu Senhor, colocam fogo no caldeirão fazendo com que o ódio borbulhe.

C. S. Lewis, um autor cristão do início do século XX, em seu livro O Problema do Sofrimento, diz que o cristianismo “cria, em vez de resolver, o problema do sofrimento, pois este não seria um problema se, aliado à nossa experiência diária neste mundo de dor, não tivéssemos recebido o que julgamos ser uma boa certeza de que a realidade última é justa e amorosa.” (p. 29 e 30). O mundo está mergulhado em uma aflição sem fim e então aparece um homem que diz ter um lugar melhor, fala que estas coisas estão para acabar, diz que há um Ser que ouve o ser humano, que Ele mesmo leva as dores e aflições, entretanto, o fim de sua vida se dá, como que em sadismo satírico, na mão de seus inimigos, o profeta do fim do sofrimento sofre Ele mesmo a própria morte. Bertrand Russell, filósofo agnóstico do século XX, em No que Acredito, diz que a igreja simplesmente aumenta o sofrimento em vez de minimizá-lo, pois não trata no âmbito da razão e apela para o espiritual, que segundo ele, não é perceptível. Pergunto: como posso crer em um Deus amoroso se há sofrimento no mundo? No mínimo, deveria ignorar a Sua existência, o que não faria diferença alguma, pois Ele não deve ser poderoso o suficiente para me castigar, já que não tem poder nem mesmo para acabar com o sofrimento.

Veja que o maior erro incorre no fato de que as pessoas observam o mundo sob sua própria perspectiva, agora, olhe por outro ângulo. O sofrimento sob a perscpectiva divina. Deus olhando do Céu para Suas criaturas cegas, que pelo fato de possuírem uma massa cinzenta que Ele mesmo pôs nelas pensam (em realidade é o que mais pressupõe fazer) que detêm todo o conhecimento possível e por meio disto detectam que o Criador não existe. Então estes seres tolos andam machucando uns aos outros com suas espadas da ganância e orgulho que criam guerras nas quais, como em um suicídio massivo, destroem-se. Olhando para tudo isto este Criador aflito se propõe a ajudar e restaurar, entretanto, Suas criaturas, por meio da ‘sabedoria imbecílica’, preferem ignorá-lO e continuar a sofrer, jogando a culpa nAquele que estava buscando auxiliá-los.

Claro, isto não resolve todos os problemas, pois nem sempre o sofrimento é causado por meio de guerras. Ninguém escolhe desenvolver câncer ou ficar tetraplégico. O mundo havia sido criado em completa perfeição. Dor e sofrimento não existiam. A natureza e o homem interagiam-se em perfeita harmonia, em realidade o homem fazia parte desta natureza sendo o primordial. A perfeição e imortalidade eram regidas por meio da ligação entre o planeta e Deus. Porém, o homem, a criação primordial RESOLVE rebelar-se. A ligação é cortada. A natureza entra em colapso passando a combater contra si mesma e contra o próprio homem. A folha que não caia, sem a ligação vital do Criador se degenera e morre. O homem que tinha a carne em completo vigor passa a desenvolver a lepra que apodrece o corpo. O perfeito é invadido pelo imperfeito. O prazer é substituído pela dor. A alegria dá lugar ao sofrimento.

Entretanto nem todos os homens permanecem completamente à parte do Ser Criador, mas estão no meio de um campo de batalha entre o inimigo da humanidade e o seu Salvador. Enquanto um busca o resgate, o outro busca a derrota. Este inimigo procurará de todas as formas que estas criaturas, por meio do sofrimento, ignorem o Criador. Ele fará com que os olhos fiquem tão merejados que enxergar além ficará impossível.

Se você parar e raciocinar irá ‘facilmente’ perceber que o sofrimento, em vez de esconder a Deus mais O revela. Pois esta insatisfação humana mostra que a alma anseia estar de volta ao seu ponto de origem, afinal, eu não desejo a minha casa quando estou longe se eu nunca estivesse estado lá. C. S. Lewis diz que “sua alma tem uma forma curiosa porque ela é um buraco feito para se ajustar a uma protuberância específica nos contornos divinos.” (p.164 e 165). O sofrimento é o vácuo que arde pela falta daquele que pode preenchê-lo.

Não crer em Deus é a maior irracionalidade que o ser humano pôde imaginar. Esta descrença mais inexplica a dor do que explica. Se eu não crer em Deus não encontrarei solução alguma para o sofrimento, pois esta nossa sociedade em evolução também tem evoluído as formas de causar dor. A crença em um Ser superior não é o ópio da sociedade, como já disseram, mas uma realidade última que explica plausivelmente o mau. Deus continua tendo todo o poder para retirar a dor do homem, mas enquanto este preferir viver a ignorá-lo e estar em estado de rebelião (natureza caída), Ele nada poderá fazer, pois sendo um Deus de amor Ele não interfere no livre-arbítrio de Suas criaturas (quanto a onipotência divina tratarei em outra ocasião).

O sofrimento de maneira alguma fará com que eu fique longe de meu Criador, mas ao contrário, cada vez mais me revelará que meu lugar não é aqui. Muitas pessoas declaram: “O SENHOR me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu [o SENHOR], todavia, não me esquecerei de ti.” Isaías 49.14 e 15.

 





Pólo Sul, Pólo Norte, Vice-versa

7 07 2008
     Eu me encontro a  22°28’24.18″ ao sul e  47°11’26.28″ ao oeste, ou seja, precisamente dentro do meu quarto. Entretanto, paro para pensar: “Por que estou ao sul e não ao norte ou ao leste?”
     Estamos acostumados a tomar os mapas escolares que apontam os EUA na parte superior, enquanto que a Autrália se encontra na região inferior. Vemos a África ao centro de tudo e o estreito de Bering localizado nas pontas da carta geográfica. Todavia, esta é uma visão predeterminada.
     Se fosse possível estarmos quilômetros acima do nível do mar poderíamos ver a Terra do espaço, onde não há gravidade considerável, portanto, não existe a noção de ‘em cima’ e ‘embaixo’. Observando por esta perspectiva percebemos que toda classificação de norte e sul se perde em meio a este vácuo infinito que é o nosso universo. Planetas e estrelas não passam de meros pontos distribuídos em um espaço-tempo indefinido. Posso mergulhar, nadar na direção que eu quiser e ainda assim dizer que estou indo na direção correta. Quando nos encontramos no espaço cósmico não existe mais posição norte, sul, leste ou oeste, mas simplesmente, pela lógica do princípio antrópico (um princípio que toma a mim mesmo como prova da minha existência) estou em algum lugar, podendo tomar a mim mesmo como centro do universo, ou ainda tornar como ponto de referência a estrela Sirius da constelação de Cão Menor. Tudo isto não passa de convenção.
     Isto me leva a refletir acerca do conceito de verdade. Seria a verdade absoluta ou relativa? O que é verdade para mim pode não ser verdade para o outro? Ou a verdade é única e imutável? O que seria em realidade a verdade?
     Existem muitas pessoas que dizem que a verdade em realidade é relativa, pois o que é verdade para mim pode não ser verdade para o outro. Para tais indivíduos, o mundo e as questões que nos rodeiam não passam de gostos. Um diz que chocolate é a melhor coisa que existe, enquanto o outro diz que doce de limão é a melhor coisa que exitste. Qual das duas coisas é a verdade? Depende, dizem alguns, tudo é um detalhe de gosto pessoal.
     Entretanto, estas sumidades entram em conflito com elas mesmas, pois a própria afirmação: “A verdade é relativa!” é uma contradição, pois se a declaração é uma verdade eu pergunto: ‘Isto é absoluto ou relativo?’ Perceba que esta entra em um movimento centrípeto até se chocar em si mesma.
     Considerar a verdade como relativa abraça outros conceitos muitos mais graves do que o mero pensamento filosófico. Quem disse que o homicídio é errado? Por que nos causa aflição saber que uma pessoa próxima foi estuprada? Por que ficamos com raiva se somos roubados? Afinal, estas coisas podem ser erradas e hediondas para mim, mas para o sujeito que praticou a ação nada disso é errado. Veja que com o conceito de verdade relativa a sociedade entraria em um caos. É simplesmente impossível fazer a declaração de que não há verdade absoluta, pois o próprio meio em que vivemos nos mostra claramente, por meio de leis, que é assim.
     Gostaria de ver algumas destas pessoas dizendo que não há gravidade. Ou que a Terra tem o formato de um cubo. Ou ainda, vê-las afirmando lagartos voam e pássaros nadam. Engraçado, se encontrarmos alguém no meio da rua fazendo estas afirmações e dizendo piamente que são verdades, logo a colocaríamos em um hospício. Ué!? Mas a verdade não é relativa?
     Veja que o simples fato de afirmar que não existe gravidade, não fará com que ela deixe de existir. Ou ainda a Terra não será um cubo, ou lagartos estarão a voar e pássaros a nadar. Pois o que eu afirmo ser verdade não altera a verdade em si.
     Voltemos ao início do texto quando observávamos o planeta quilômetros acima do nível do mar. Nesta perspectiva percebemos que não existe norte, sul, leste, oeste, tudo é uma questão de convenção. Isto é relativo, pois é convencionado. Entretanto, a Terra, tanto em sua essência com na aparência, não sofre alteração alguma, pois não importa o nome que eu dê para o planeta, ele continuará o mesmo. Pólo sul, polo norte? Mera convenção.
     Assim também é Deus. Existem milhões de pessoas na atualidade que negam a Sua existência. Sumidades acadêmicas como Richard Dawkins praticamente decretam: “Deus, no sentido da definição, é um delírio; … um delírio pernicioso.” (Deus, um delírio; p. 56) Outros, como Freud e Niestzsche, dizem que Deus foi uma mera ilusão criada na mente humana que não se encaixa mais nos padrões modernos. Então eu pergunto: ‘Que diferença faz este tipo de declaração? Deixará Deus de existir apenas porque certas ‘inteligências’ negam Sua existência?’ A resposta é não. O que eu digo ou deixo de dizer acerca de Deus não fará com que Ele deixe de existir. Temos provas suficientes para captar a Sua existência, para perceber que a Sua mão está agindo neste planeta. A única coisa relativa em Deus é o seu nome, alguns chamam de Jeová, outros de Altíssimo, outros de Todo-Poderoso, ainda outros apenas não chamam, por considerar o Seu nome santo demais para ser pronunciado. Apesar de os nomes diferirem, Deus permanece o mesmo e imutável. Ele mesmo declarou: “Porque eu, o SENHOR, não mudo!” (Malaquias 3.6).
     Pólo norte, pólo sul? Pode ser vice-versa. Nada altera a verdade.