Paz e Pacificadores // parte1

19 12 2008

200289527-002A Lua estava cheia. Linda! O céu mais estrelado do que o normal. Um vento fresco acariciava meu rosto. Tinha amigos em minha companhia e estávamos a caminho de uma programação. Belíssima paisagem, digna de Monet. Entretanto, eu me sentia mal, indignado, revoltado comigo mesmo e com o mundo.

O programa ainda não havia começado então eu e a Mirian, minha amiga, sentamos no banco e esperamos. Nestes momentos prévios estava sendo projetado a gravação do DVD ao vivo de um grupo chamado ‘Novo Tom’, e a música que tocava dizia o seguinte:

 

“Paz é a certeza de que Cristo irá voltar.

“Paz é a segurança de que o Céu é nosso lar.

“Paz é ter na cruz meus pecados perdoados.

“Paz é ter Jesus caminhando ao nosso lado.”

 

Neste momento eu me viro para a Mirian e faço uma pergunta, daquelas feitas em forma de exclamação: “Paz!? Que paz maldita é esta? Eu creio que Cristo irá voltar, tenho a segurança do Céu, sei do perdão, sei de Cristo, mas ainda assim eu não tenho paz. Que paz é esta?” Naquela hora, simplesmente não podia concordar com a letra que estava sendo cantada. Como pode haver paz? Creio na Bíblia e em tudo o que ela diz, entretanto, não estava tendo paz, ao contrário, nada parecia ter sentido. Que tipo de paz é esta? Cristo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14.27). Será que Cristo sabia o que estava dizendo ou teve um momento de falta de lucidez? Pois se Ele, por meio desta frase, queria mostrar algo possível, só posso concluir que não era Deus, certamente estava louco, porém, se Ele sabia o que realmente estava dizendo, não poderei contestá-lo, mais uma vez.

Observe que encontramos dois elementos: A Paz e o Pacificador. Um não pode existir sem o outro, ainda que não seja necessária a presença de um no outro. Posso ter paz e não ser um pacificador, ou ainda, posso ser um pacificador e não ter paz (discorreremos acerca disto mais à frente). Entretanto, o que é paz e pacificador?

Paz é o resultado de um estilo de vida. Pacificador é o pregador ambulante do conceito de paz. Cristo era o pacificador e estava levando a paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.” Esta frase até pode soar bonita, ter uma poesia bem estruturada, mas, até que ponto posso considerá-la, ou será que eu mesmo não estou compreendendo-a?

Existe um termo, cunhado pelo historiador Edward Gibbon, que reflete o conceito comum de paz, a Pax Romana (também conhecida como Pax Augustus). Esta expressão é usada para denominar o período experimentado por Roma que foi caracterizado por uma ausência de guerra e pequena expansão por meios militares. Este contexto invade a nossa compreensão de paz, como o próprio dicionário Houaiss define: “estado de espírito de uma pessoa que não é perturbada por conflitos ou inquietações; calma, quietude, tranqüilidade.” E eu pergunto: Você já experimentou uma pax romana na sua vida? Você já teve períodos onde se encontrava em completa paz? Onde nenhum tipo de problema lhe incomodou? Não?! Então como pode haver o conceito de paz se nem mesmo sabemos o que é isto?

Cristo parecia entender o que era paz e ainda mais, prometeu nos dar a paz. Entretanto, se você é cristão como eu, sabe muito bem que, apesar de Cristo, temos muitos problemas. Se pararmos por aqui, chegaremos à conclusão de que Jesus não passou de um mentiroso, um lunático que apregoava doidices absorvidas posteriormente por um grupo de incultos, todavia, se cremos que Cristo não é um enganador, devemos procurar ver o que Ele disse realmente.

Depois de dizer que deixaria-nos a Sua paz, Cristo falou: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições;” (João 16.33). Se Ele não está excluindo as aflições, então provavelmente meu conceito de paz está completamente errado. A pax romana é diferente da paz cristã (ao menos o que podemos dizer de realidade vivida). Então, o que é a paz cristã?

Se você ler e compreender o contexto em que Jesus está proferindo estas palavras, perceberá que Ele está falando da sua volta e confortando os discípulos. A volta de Cristo é aquilo que todos nós aguardamos, seja você cristão ou não. Todos nós ansiamos uma pax romana. Como posso esperar por esta volta se nem mesmo creio nEle? Muito simples: se você não crê em Cristo, mas tem o desejo de viver em um lugar sem sofrimento, mesmo que nunca tenha vivido lá, é porque alguém colocou este desejo dentro de você, ainda que não saiba. Da mesma forma que desejamos ir a certos lugares, não porque já estivemos lá antes, mas por causa da descrição exuberante e vivacidade que nos são passadas por quem já esteve nestes lugares. Todos nós ansiamos um mundo de pax romana por termos um coração que ouviu acerca deste lugar. Em realidade, o que Cristo promete no futuro é o cumprimento desta paz que nos é utópica, por enquanto, a pax romana. Não adianta tentarmos viver esta calma aqui na Terra, pois quando um problema nos deixa, logo vem outro para incomodar, quando adquirimos as forças perdidas pelo cansaço, logo surgem novos esforços, não há pax romana, apenas o desejo intenso por ela. Todavia, sejamos honestos, ainda estamos na Terra.

Quando Cristo nos disse que deixaria a Sua paz, bem especificou: “não vo-la dou como a dá o mundo;”. A paz de Cristo para esta Terra não é a pax romana, mas a Shalom, a qual não fala da ausência de problemas, porém da presença de dificuldades com um diferencial. Temos a Shalom quando apesar dos problemas não largamos a mão de Deus. Por isso Ele nos diz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” A paz real vem de Cristo.

Não estou procurando transmitir uma idéia de acomodação, ou o conceito hinudísta de destino. “Nasci em dificuldade e devo continuar na dificuldade.” Apenas estou querendo mostrar que há outra visão, existe uma paz que nos é alcançável, a paz cristã!

Ainda que desejemos a pax romana, a qual está inserida na ansiedade de cada alma humana, não podemos experimentá-la, pois ainda estamos na Terra. Sabemos de sua existência, mas não a conhecemos realmente. Deus nos deixou a Shalom, a qual podemos viver intensamente aqui e agora. A Shalom conduz à pax romana. O viver em Deus conduz ao local de paz.

 

Esta semana falamos sobre o objeto de uso de um pacificador, a paz. Semana que vem falaremos acerca do pacificador.

Não perca!


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