O Belo e o Feio

24 11 2008

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Observe o mundo e reflita: “O que é o Belo?” “Onde encontramos a beleza?” “Quem determinou o Belo?”.

Nas passarelas do mundo da moda encontramos aquilo que a sociedade determinou que seja o Belo. Top Models magérrimas que, de tão esqueléticas, dá pena, mesmo o Senado Brasileiro aprovou um texto proibindo modelos muito magras (cf. http://tinyurl.com/6gxpj9). Claro, também neste mesmo mundo encontramos outras como as Angels da Victoria’s Secret, time do qual fazem parte Giselle Bündchen, Karolína Kurková, Adriana Lima, Alessandra Ambrósio, dentre várias outras beldades, com carros abre-alas postos em uma pequena avenida. Porém, nada passa de mera estereotipação baseada em conceitos nazifascistas.

Tomamos estes conceitos e recriamos a imagem humana em uma caricatura digna de Dr. Frankenstein. “Nossa! Mulher bonita mesmo deve ter os seios como daquela, nariz como da outra, pernas como desta, olhos como de fulana de tal.” “Que é isto?! Homem bonito tem a boca daquele, mãos como do outro, coxas como deste, barriga de tanquinho como de fulano de tal.” Uau! Se precisar de linha e agulha para ajuntar tudo isso é só passar na loja de aviamentos mais próxima. Entretanto, esse não é o homem real, mas, quase sempre, uma imagem da figura européia mesclada com os conceitos definidos de nossa própria cultura, que refletem a força do mais poderoso empurrada sobre a massa. Uma seleção de raças mais ‘dignas’ de beleza em contraposição àquelas que nada merecem. Nazifascismo na estética!

Veja aquelas propagandas onde o objetivo principal é reunir e mostrar todo o país unido. Tiram uma foto com uma dúzia de criancinhas com feições européias, sorrindo com seus olhinhos azuis e demonstrando toda a meiguisse com suas peles rosadas, contudo, para não dar um ar ‘racista’, respingam um ou dois negrinhos, um exemplar de asiático e, se lembrarem, põem uma criancinha nua com pena na cabeça, como se os nossos índios estivessem congelados na gravura da primeira missa no Brasil. E onde está a representação dos 40% da população negra? Ou a grande quantidade de asiáticos que estão por aqui? Eu respondo. Eles estão ocultos por trás do véu do fantasma nazifascista que permeia nossa estética.

Como disse no texto anterior, é impossível definirmos o Belo e o Feio em um conceito de gostos, pois esta definição seria uma imposição de um acidente sobre essência alheia (confira o texto ‘Sobre cebolas, maçãs e batatas’), entretanto, moralmente falando (se é que podemos fundir a ética com a estética), sabemos que matar é uma ação Feia, enquanto que salvar é um ato heróico Belo. Carnificina cheira mal. Beijo sincero perfuma o ar.

O grande problema é uma visão focada na carcaça e não na essência. Damos atributos ao Belo que apenas algumas pessoas têm propriedade, sendo esta totalmente inata. Não houve um esforço no trabalho de alcançar o Belo, não houve reflexão. Pergunte a um artista quanto tempo ele gasta para alcançar o Belo de sua obra. Mesmo a imortalizada frase de Thomas Edison não transmite a idéia do ‘deixar-fluir-naturalmente’: “Uma obra é 10% inspiração e 90% transpiração.” Todavia, chegamos à conclusão que o Belo se encontra na fisiologia do homem e não em sua alma. Concentram-se na digestão e não no coração. Claro, não façamos alusão à dicotomia da separação de corpo e espírito, como se o primeiro fosse mau e o segundo bom, mas o que quero mostrar realmente é o local aonde a beleza se encontra em algo mais profundo que a mera aparência.

Talvez pudéssemos definir o Belo como uma organização do caos. Ao olharmos pessoas com formas que agradam aos olhos, pensamos que ali sim está a organização do caos que não está presente na maior parte, que contém a feiúra. Entretanto esta beleza está fadada ao espelho mágico do tempo que revela a força desorganizadora do caos. Não pense que com isto estou tomando o lado evolucionista onde o ser vivo progride para uma adaptação organizacional de seu corpo ao meio, pelo contrário, isto mostra que a evolução não é ideologicamente plausível em si mesma, pois não há uma organização (beleza) do caos, mas uma desorganização (feiúra) em direção ao caos, ainda que o conceito de ordem nos seja inerente.

Ao refletir sobre o Belo e o Feio pude encontrar um evento na história onde ambos se encontram. Em realidade, este fato foi um forte golpe na linha do tempo, quebrando-a em duas partes. A Revolução Francesa levou ao Modernismo, as Guerras Mundiais depõem este e em seu lugar elevam o Pós-Modernismo, entretanto, este outro evento que cito impactou a história como nenhum outro antes dele. Fez com que o planeta virasse de cabeça para baixo, deu poder aos flácidos, esmigalhou gigantes, chacoalhou governos, confundiu intelectos e ainda permanece um mistério a sua essência. Este foi o evento da cruz!

Muitos hoje, com a sua concepção turva de cristianismo, enxergam apenas os raios brilhantes que são lançados da cruz, entretanto, esquecem de enxergar a nuvem escura e densa que repousa sobre ela. As pinturas do período Renascentista e Romântico retratam a Cristo na cruz como sendo o corpo de um judeu, enrolado com um manto branco na cintura, no qual o sangramento não passa de algumas gotas que pingam de suas mãos. Entretanto, a realidade foi muito mais feia! Cristo foi o Mestre humilhado, pregado brutalmente em duas peças de madeira atravessadas, sua carne dilacerada revelava o vermelho vivo de seus músculos, o semblante terrivelmente apertado pela agonia, levantado nu perante os olhos dos inimigos, asfixiado pelo peso do próprio corpo. Uma imagem que não é nada Bela. Entretanto neste momento aparentemente desorganizador a divindade estava atuando para corrigir, organizar, a devastação do pecado na natureza humana. Foi na maior manifestação de Feiúra que a Beleza se revelou. Na cruz houve a fusão flamejante entre o Belo e o Feio, resultando naquilo que chamamos de Salvação. Na cena assombrosa em que o inocente morreu pelos culpados simultaneamente os culpados foram elevados à condição de inocência. No mesmo momento em que a desorganização do pecado era exposta, a organização da redenção estava se movendo.

Pessoas não contêm o Belo, pois isto seria um conceito mentiroso que parte da ideologia Nazifascista. Entretanto, todos nós podemos refletir o Belo que parte da Perfeição Plena. Portanto, “tributai ao SENHOR a glória devida ao Seu nome, adorai o SENHOR na beleza da Sua santidade.” (Salmos 29.2)


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27 11 2008
gugagoes

Nota de correção:

Os textos do ‘Pr. GugaGóes’ são totalmente plásticos, quero dizer, estão passíveis de mudança quando for necessário, por isso os seus comentários e retornos acerca do blog sempre serão muito bem-vindos. Este texto em especial já recebeu algumas críticas, todas elas muito construtivas, portanto, realizei algumas alterações, tanto de palavras, quanto adição de texto para que não ficasse nenhuma dúvida. Para tanto, tratarei de deixar claro alguns conceitos expressos em ‘O Belo e o Feio’:

Quando trato de nazifascismo estou apresentando uma ideologia que foi proposta entre a década de 30 e 40 no século passado e continua até o dia de hoje. O que é muito claro com os nossos próprios conceitos de belo e feio, os quais refletem muito a idéia do arianismo de Hitler.
Em seguida, no fim do texto, ao demonstrar a fusão do belo e o feio no evento da cruz devo ressaltar que a feiúra se deve à cratera que o pecado abriu na perfeição que Deus havia posto no ser humano, se deve à pavorosa deturpação na natureza. O belo deve-se ao trabalho restaurador da divindade na humanidade deturpada. A fusão do belo e do feio diz respeito à esta natureza assumida na cruz, onde a deturpação máxima do pecado foi apresentada ao Universo inteiro da maneira mais escrachada, com os sofrimentos e morte do Filho de Deus, entretanto, ali também foi manifestada a restauração do homem.

Devido à crítica recebida, as alterações foram feitas para que possa haver uma melhor compreensão.
Não deixem de criticar o texto. Comente. Diga no que concorda ou discorda. Aqui você é livre para se expressar.

Obrigado à todos aqueles que criticaram,
Abraços,

Pr. GugaGóes

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