Pólo Sul, Pólo Norte, Vice-versa

7 07 2008
     Eu me encontro a  22°28’24.18″ ao sul e  47°11’26.28″ ao oeste, ou seja, precisamente dentro do meu quarto. Entretanto, paro para pensar: “Por que estou ao sul e não ao norte ou ao leste?”
     Estamos acostumados a tomar os mapas escolares que apontam os EUA na parte superior, enquanto que a Autrália se encontra na região inferior. Vemos a África ao centro de tudo e o estreito de Bering localizado nas pontas da carta geográfica. Todavia, esta é uma visão predeterminada.
     Se fosse possível estarmos quilômetros acima do nível do mar poderíamos ver a Terra do espaço, onde não há gravidade considerável, portanto, não existe a noção de ‘em cima’ e ‘embaixo’. Observando por esta perspectiva percebemos que toda classificação de norte e sul se perde em meio a este vácuo infinito que é o nosso universo. Planetas e estrelas não passam de meros pontos distribuídos em um espaço-tempo indefinido. Posso mergulhar, nadar na direção que eu quiser e ainda assim dizer que estou indo na direção correta. Quando nos encontramos no espaço cósmico não existe mais posição norte, sul, leste ou oeste, mas simplesmente, pela lógica do princípio antrópico (um princípio que toma a mim mesmo como prova da minha existência) estou em algum lugar, podendo tomar a mim mesmo como centro do universo, ou ainda tornar como ponto de referência a estrela Sirius da constelação de Cão Menor. Tudo isto não passa de convenção.
     Isto me leva a refletir acerca do conceito de verdade. Seria a verdade absoluta ou relativa? O que é verdade para mim pode não ser verdade para o outro? Ou a verdade é única e imutável? O que seria em realidade a verdade?
     Existem muitas pessoas que dizem que a verdade em realidade é relativa, pois o que é verdade para mim pode não ser verdade para o outro. Para tais indivíduos, o mundo e as questões que nos rodeiam não passam de gostos. Um diz que chocolate é a melhor coisa que existe, enquanto o outro diz que doce de limão é a melhor coisa que exitste. Qual das duas coisas é a verdade? Depende, dizem alguns, tudo é um detalhe de gosto pessoal.
     Entretanto, estas sumidades entram em conflito com elas mesmas, pois a própria afirmação: “A verdade é relativa!” é uma contradição, pois se a declaração é uma verdade eu pergunto: ‘Isto é absoluto ou relativo?’ Perceba que esta entra em um movimento centrípeto até se chocar em si mesma.
     Considerar a verdade como relativa abraça outros conceitos muitos mais graves do que o mero pensamento filosófico. Quem disse que o homicídio é errado? Por que nos causa aflição saber que uma pessoa próxima foi estuprada? Por que ficamos com raiva se somos roubados? Afinal, estas coisas podem ser erradas e hediondas para mim, mas para o sujeito que praticou a ação nada disso é errado. Veja que com o conceito de verdade relativa a sociedade entraria em um caos. É simplesmente impossível fazer a declaração de que não há verdade absoluta, pois o próprio meio em que vivemos nos mostra claramente, por meio de leis, que é assim.
     Gostaria de ver algumas destas pessoas dizendo que não há gravidade. Ou que a Terra tem o formato de um cubo. Ou ainda, vê-las afirmando lagartos voam e pássaros nadam. Engraçado, se encontrarmos alguém no meio da rua fazendo estas afirmações e dizendo piamente que são verdades, logo a colocaríamos em um hospício. Ué!? Mas a verdade não é relativa?
     Veja que o simples fato de afirmar que não existe gravidade, não fará com que ela deixe de existir. Ou ainda a Terra não será um cubo, ou lagartos estarão a voar e pássaros a nadar. Pois o que eu afirmo ser verdade não altera a verdade em si.
     Voltemos ao início do texto quando observávamos o planeta quilômetros acima do nível do mar. Nesta perspectiva percebemos que não existe norte, sul, leste, oeste, tudo é uma questão de convenção. Isto é relativo, pois é convencionado. Entretanto, a Terra, tanto em sua essência com na aparência, não sofre alteração alguma, pois não importa o nome que eu dê para o planeta, ele continuará o mesmo. Pólo sul, polo norte? Mera convenção.
     Assim também é Deus. Existem milhões de pessoas na atualidade que negam a Sua existência. Sumidades acadêmicas como Richard Dawkins praticamente decretam: “Deus, no sentido da definição, é um delírio; … um delírio pernicioso.” (Deus, um delírio; p. 56) Outros, como Freud e Niestzsche, dizem que Deus foi uma mera ilusão criada na mente humana que não se encaixa mais nos padrões modernos. Então eu pergunto: ‘Que diferença faz este tipo de declaração? Deixará Deus de existir apenas porque certas ‘inteligências’ negam Sua existência?’ A resposta é não. O que eu digo ou deixo de dizer acerca de Deus não fará com que Ele deixe de existir. Temos provas suficientes para captar a Sua existência, para perceber que a Sua mão está agindo neste planeta. A única coisa relativa em Deus é o seu nome, alguns chamam de Jeová, outros de Altíssimo, outros de Todo-Poderoso, ainda outros apenas não chamam, por considerar o Seu nome santo demais para ser pronunciado. Apesar de os nomes diferirem, Deus permanece o mesmo e imutável. Ele mesmo declarou: “Porque eu, o SENHOR, não mudo!” (Malaquias 3.6).
     Pólo norte, pólo sul? Pode ser vice-versa. Nada altera a verdade.
 

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