Testemunho

3 03 2011

O que se tem a seguir é uma cópia de um email, o qual enviei para várias pessoas após uma experiência maravilhosa. Sei da característica predominante deste blog que soa um tanto racionalista, entretanto, sem sombra de dúvidas, existem certas experiências das quais é inegável a realidade. Esta é, talvez, uma Crítica da Razão Pura. Todavia, resolvi compartilhar esta mensagem com todos por acreditar no poder do TESTEMUNHO:

 


Neste link (http://twitpic.com/45o09p) [esta é a imagem ao lado] vocês irão encontrar uma foto que tirei com o meu celular hoje às 10h quando a música tocou na escola e todos os alunos pararam suas atividades e entraram em comunhão com Deus. Sei que foi apenas um minuto, ou alguns segundos, entretanto a atmosfera que dominou a escola foi sem igual, um silêncio que dificilmente você iria encontrar ali, pois, como em todo colégio, o som de alunos é constante, porém, neste momento, o único som capaz de ser ouvido era o da música, não porque ela estivesse muito alta, mas pelo fato de que todo o colégio entrou em oração. Admito que ao olhar aquela cena o meu coração se comoveu e aprendi uma grande lição: MUITAS VEZES ESQUECEMOS DO MAIS IMPORTANTE.

Cheguei em casa, depois de várias atividades da capelania, e aquilo simplesmente não saia da minha cabeça. Refletindo em tudo o que tenho feito no colégio esta foi a conclusão que pude chegar e a maior lição que eu aprendi, ainda que seja em pouco tempo na obra. Entretanto, pude ver que ao iniciar o ano buscamos encontrar o melhor projeto, aquele que muitos vão aplaudir e em seguida você poderá ouvir: “Esta foi a melhor coisa que pôde acontecer este ano!” E aparentemente tudo vai às mil maravilhas, porém, depois de passar por uma experiência desta, e nestes poucos segundos de pura reflexão divina, percebi que muitas vezes esqueci do mais importante.

Em um livro li a seguinte frase: “Necessito de Cristo, e não de algo que se pareça com Ele!” Tantas vezes apresentei algo que se parecesse com Cristo, tinha as feições do Mestre, mas não era o próprio Mestre. Nossos alunos e nossa igreja necessitam de Cristo, não de discursos e bibelôs ideológicos. Creio que o documento da Associação Geral chamando-nos para um reavivamento não poderia vir em melhor momento, e com toda a certeza, isto está começando a acontecer. Como já disse Joel e foi reproduzido em Atos 2.17-21: “‘Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. Mostrarei maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!’”

“Ouço os passos de um Deus que se aproxima” e cada vez mais posso ver o Evangelho sendo pregado a todo mundo e a toda geração.

Cristo vem!

 

 

Graça e Paz,

 

 

Gustavo C. Góes





Esperança e Silêncio

15 01 2011

(ver o texto Sofro, logo Deus existe)

Mais uma tragédia das muitas que ocorrem pelo mundo a fora. Uma tromba d’água que levou consigo toneladas de barro e muitas vidas, um momento em que muitos ficam apenas se perguntando: “Por quê?”. Respostas evasivas e inacreditáveis surgem no meio de tanto alvoroço, vozes quase do além. Além da tristeza, além da realidade, além do consolo. Tanto tem para se falar para pessoas que nada tem, e misturado a este palavrório insensato outros brigam com a existência do divino.

Devo admitir que algumas vezes deixamos o sofrimento falar tão alto que não conseguimos compreender que há uma esfera superior (apenas superior, o que não a coloca como irreal ou meramente transcendente, pois esta mesma também é imanente) e nos voltamos para Aquele que É apontando o dedo com arrogância e acusando-O de não fazer nada, na verdade, colocando as tragédias como provas para a sua inexistência. Tolice ilógica! O garoto que se joga em cima dos espinhos e coloca a culpa em seu próprio pai. O mundo é destruído pelo ser humano, porém, a sua loucura desvairada se excede tanto que, ainda cambaleando pela embriaguez, diz bobagens, procura causas ocultas imaginárias e continua a destruir a própria casa.

André Comte-Sponville em seu livro “Tratado do Desespero e da Beatitude” nos conclama a seguir uma vida des-esperada. Pois aqueles que possuem esperança vivem eternamente em um mundo sem alegria, pois quem espera o faz porque anseia que tudo seja melhor, mas os que não possuem esperança, os des-esperados, resolvem viver uma vida plena aqui e agora. Todavia, eu me volto para Comte-Sponville e pergunto se o mesmo vale para a tragédia no Rio de Janeiro, se este discurso é válido para aquelas famílias que com muito esforço construíram suas casas, mas que em questão de minutos viram os sonhos de suas vidas ruírem e serem levados pela enxurrada. Viver uma vida sem esperança é viver uma vida burra, pois a esperança não trás tristeza, como ele alega, entretanto, a esperança traz alegria e conforto, porque tem-se a certeza que de ainda não se vive o fim. Resumir a existência humana meramente ao planeta Terra com se vê é a maior angústia que se pode dar a qualquer ser humano.

Claro que o divino não é um lenitivo como a morfina (a URSS não foi um LENINtivo para o mundo), nem mesmo os bancos de uma igreja funcionam como o divã de um psicanalista invisível, porém, o ateísmo não pode preencher esta falha visivelmente necessária na atual existência humana: a ESPERANÇA, fator que cada vez mais se encontra em falta. Eleitores não se preocupam com seu voto, pois perderam a esperança, pais não se preocupam com a escola, pois perderam a esperança, jornalistas transmitem catástrofes da mesma forma que Ana Maria Braga passa uma receita porque não há mais esperança, as pessoas não querem acreditar em Deus porque não há esperança (por mais contraditório que pareça!). Não vivemos em um mundo desesperado, mas em uma sociedade amorfa e apática, que não sabe de onde vem e muito menos para onde vai, uma sociedade que deixa o etéreo lhe causar estresse enquanto que as realidades mais concretas são postas de lado. Um pós-modernismo que tem levado ao catastrofismo.

O que fazer então?

Eu proponho uma volta aos propósitos de Cristo. Ele mesmo disse que no fim dos tempos a sociedade e a natureza dariam sinais de que tudo estaria se encerrando (Mateus 24), como as últimas notas de uma música anunciam o desfecho do espetáculo: guerras, rumores de guerras, fome, terremotos e tantas outras catástrofes dignas de livros de ficção, mas que infelizmente não são. Será que nada disto acontecia a 2000 anos atrás? Será que estas coisas fazem parte do mal moderno? A resposta é um claro não, pois quando Jesus disse que nos últimos dias estas coisas se dariam, Ele estava declarando que o Reino de Deus já havia chegado, porém, uma coisa ainda faltava: o evangelho do Reino ser pregado a todas as nações.

É inegável que nestes últimos anos estes eventos (que gostaríamos de tê-los longe da nossa mente e da realidade) tem se tornado cada vez mais intensos e frequentes, mas a nossa missão é levar o evangelho àqueles que nos rodeiam. João em sua primeira carta nos diz que o rosto de Deus é revelado aos outros por meio das intenções e atitudes de cada um de nós. Portanto, quanto às famílias do Rio de Janeiro, deixe as palavras de lado e abrace, chore e doe calor humano, pois é assim que se leva o evangelho e diz as palavras de Cristo: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” (Mateus 11.28, NVI).





Livre(mente)

9 01 2009

livre(mente)[Obs.: Recomendo a leitura do texto ‘Sobre cebolas, maçãs e batatas’ para compreender melhor o que se segue]

 

Qual a imagem que vem à sua mente quando é proferida a palavra ‘liberdade’? Uma pessoa de braços abertos? Um escravo correndo com suas algemas partidas? O oceano infinito? O vôo de uma águia? As estrelas espalhadas pelo vasto universo? Quando eu penso em liberdade vem à minha mente uma mescla de tudo isto. O som da palavra liberdade produz uma vibração na minha alma, que reverbera por todo o meu corpo, escapando por meio de uma luz invisível ao som da respiração. Não é possível explicar exatamente qual o efeito da liberdade em mim, mas de uma coisa eu sei: Todos nós a buscamos.

Em 1888, segundo os livros de história e a clássica compreensão, o Brasil assinou a chamada Lei Áurea, dando liberdade à todos os escravos. Sabemos muito bem que não é só o Brasil, mas praticamente todos os países do mundo possuem leis contra um regime escravocrata. Tudo isso é o reflexo de um impulso interior que flui do ser humano. Não fomos feitos para viver presos, mas somos pássaros que voam do penhasco em direção ao horizonte rumo à liberdade. Leonardo Boff diz que “possuímos essa dimensão de abertura, de romper barreiras, de superar interditos, de ir para além de todos os limites” (Tempo de Transcendência, p. 28). Somos seres da liberdade. G. K. Chesterton, ao falar da criação, diz que “toda criação é uma separação”, pois o vaso não é parte do oleiro, foi fruto da idéia dele, mas agora está desprendido para exercer sua função de vaso. Tendo isto em mente, Chesterton completa: “o princípio filosófico básico do cristianismo era que esse divórcio no ato divino de criar … era a verdadeira descrição com o qual a energia absoluta criou o mundo. Segundo a maioria dos filósofos, Deus ao criar o mundo, o escravizou. Segundo o cristianismo, ao criá-lo, Deus o LIBERTOU.” (Ortodoxia, pp. 129, 130. Ênfase minha). Portanto, fomos colocados no mundo para viver em plena liberdade.

Somos seres para viver livre(mente). Livres para tomarmos nossas próprias decisões, caminhar pela via que escolhermos, crer naquilo que quisermos. E possuímos uma mente, que nos direciona para tal liberdade. Livre(mente) tem o mesmo complemento que total(mente), com o espírito pleno, e forte(mente), de alma decidida, portanto, livre(mente) significa um espírito liberto. Entretanto, nossa sociedade atual tem transmitido um conceito irracional, estúpido, transformando-nos de livre(mente) para mente(captos), de águias para avestruzes, dando-nos um placebo de total liberdade, quando na verdade não conseguimos nem mesmo levantar do chão. Esta doença é chamada de relativismo.

Por muito tempo vivemos sob o regime da tradição, ou como Chesterton a define, a “democracia dos mortos”. Não importa a causa, devemos seguir o que nossos antepassados têm feito por muitos e muitos anos. Tradição. Como a tradição do Natal, comemorada no dia 25 de dezembro, data que a princípio relembrava o nascimento de Jesus, pura tradição. Cristo provavelmente nasceu entre o período de fevereiro a maio (não sabemos ao certo); não havia um pinheiro com bolas lá na estrebaria, nem mesmo um peru assado para ser comido, entretanto, por assimilação de outra cultura, o cristianismo estabeleceu a data e tudo o mais seguiu-se por meio da tradição. Veja que não condeno a tradição, pois sem ela muito da história se perderia e mesmo o conhecimento não cresceria (pois não existe pesquisa científica sem pressupostos), porém, se esta for assimilada como meio de vida, internalizando-a na alma, o indivíduo acaba se tornando um escravo do passado com algemas que o arrastam para trás, fazendo-o crer em crendices, imaginar o que já foi imaginado, possuir medo de abrir novas trilhas.

Em 1789, com a Revolução Francesa, é levantada a bandeira da liberdade. ‘Não mais presos pelos dogmas da igreja. Não mais pressionados pela escuridão do falso conhecimento. Não mais governo totalitário. Agora somos todos livres, para viver da forma que quisermos!’ “Laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même!” (Deixai fazer, deixai passar, que o mundo caminha por si mesmo). Viva o relativismo! Todavia, os ânimos se vão, a confusão é acirrada e em 1795 o governo levantado na Revolução, cai. Apesar desta derrota os conceitos relativistas perduram até hoje.

Anteriormente os homens estavam escravizados à tradição, então se levanta o relativismo procurando liberdade, mas novamente escraviza o ser humano. Em realidade, devemos buscar ser livre(mente) como as pessoas que viviam antes da tradição (se algo é tradição, alguém deve tê-lo iniciado) e que transcendiam o relativismo.

Os relativistas dizem: “Fora a tradição! Agora sou livre para voar e fazer o que bem quiser! Se caso não gostarem das minhas idéias, do meu jeito de vestir, da minha fala, dos meus gostos, que se danem! Eu sou um ser à frente da minha época!” Pobre coitado, pensa possuir asas de águia quando na verdade não passa de um avestruz; crê estar liberto, mas acabou de se tornar escravo de suas próprias idéias.

Os Seres livre(mente) não estão presos a uma linha de tempo, mas caminham pelas eras, como um rei em seu palácio. Entretanto, esses sabem muito bem que para serem livres é necessário que se limitem. O relativismo nos diz que para obter a liberdade não devo me prender a caminho nenhum, no entanto, se todos os caminhos levam à Roma, não posso ir à Roma por todos os caminhos de uma só vez, pois se assim for, provavelmente me encontrarei perdido, vagando de um caminho para o outro. Para ser realmente livre é necessário se limitar, caminhar por um só caminho, enraizar-se em um único solo para então abrir os galhos e alcançar toda a redondeza da Terra. Os Seres livre(mente) são plásticos o suficiente para adaptar-se a qualquer pessoa sem perder os princípios nos quais está enraizado, porém, é necessário lembrar que nem todos os caminhos levam à Roma, pois o caminho para Londres não te levará para as terras ítalas. Então, se uns dizem que a felicidade é alcançada pelo Nirvana, outros pelo materialismo e outros por Cristo, todos não podem estar certos, pois se contradizem. O Ser livre(mente) raciocina e fundamenta suas raízes na visão correta para então viver sua liberdade.

Paulo disse: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.” (2 Coríntios 3.17), e também falou: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos. E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo.” (1 Coríntios 8.9, 13). Paulo, desde os tempos anteriores à tradição cristã, já vivia de maneira livre(mente), fixava sua raiz no caminho certo e se expandia para o mundo inteiro.

Sou um ser livre(mente), não me importo em me adaptar à pessoas ao meu redor, não me importo em me modificar para ser melhor compreendido. Isso não diz que eu não possuo modismos e gostos, entretanto, estou disposto a abandoná-los se for para que outras pessoas entendam o verdadeiro Caminho, se for para lembrar que ainda estamos na Terra, se for para anunciar a vinda de um Novo Reino. Não me importo em falar chinês, vestir turbante, bater continência, pois sei onde está a minha raiz, de onde sugo energia e vida, o resto, são galhos.

Anuncio-lhes, pois, o retorno ao Ser Livre(mente).

 





Paz e Pacificadores // parte2

1 01 2009

paz_pacif2No texto anterior abordamos a questão da paz. Podemos perceber que o nosso conceito comum de paz (pax romana), não é nada mais que um desejo intenso, imerso na alma humana, portanto, tentar alcançá-lo enquanto estamos na Terra é uma tarefa árdua e infinita, pois é impossível. Enquanto estamos neste planetinha, resta-nos viver a Shalom, uma paz que não está livre de problemas, mas é chamada de ‘paz’ porque apesar dos problemas, estamos de mãos dadas com o Ser Supremo.

Agora, abordemos a questão do pacificador, pois não é possível haver paz se não houver quem a leve, ou seja, o pacificador.

O conceito de pacificador se encontra um tanto que defazado na sociedade moderna. Este meio pluralista em que nos encontramos, acaba levando à uma confusão de ideologias e doutrinas. Hoje encontramos a paz mesclada com a guerra. O caso mais recente é a guerra no Iraque, justificada pelo conceito de paz que os americanos querem introduzir naquele país abandonado. Os pacificadores modernos não mais portam mãos que acariciam e confortam, mas, carregam rifles e metralhadoras. Imagine um soldado chutando a porta da sua casa até derrubá-la, apontando uma arma para o seu rosto e dizendo asperamente: “Viemos trazer-lhe paz! Aceita ou morre!”

Talvez você se pergunte: “Mas não é exatamente assim que deve ser enquanto estamos na Terra? Afinal, já que nunca alcançaremos a pax romana, devemos nos comportar da maneira que o mundo vive, nos adaptar ao meio.” Sim, devemos nos adaptar ao meio (assunto visto em: “Sobre cebolas, maçãs e batatas” e será esclarecido no próximo texto), entretanto, o conceito de pacificador foge ao conceito mais simples da lógica que diz: “A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo”. Se o pacificador deve trazer novamente as coisas à ordem (ainda que não alcance a perfeição) como posso realizar tal feito por meio da desordem?

Cristo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.” (João 14.27). Esta declaração O coloca na categoria de pacificador, todavia, o mesmo Cristo também disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.” (Mateus 10.34). Será que Jesus se contradizia nas Suas palavras? Será que Ele é mais um destes pacificadores modernos? Para responder, devemos perceber as características das subcategorias de pacificadores.

Já vimos que o conceito de paz experiencial, esta que já podemos viver, possui visões totalmente diferentes, dependendo da ideologia que se vive. A divina ou a humana. A real ou a utópica. Cristo disse que nos deixaria a paz, mas também disse que não veio trazer paz e ainda completou afirmando que veio trazer espada. Será que Cristo estava dando bandeira branca para os cristãos iniciarem uma Jihad? Ou estava falando de diferentes conceitos de paz?

Existem duas esferas de realidade que estão em constante oposição. A esfera superior, onde Deus se encontra e a esfera inferior, onde nós nos encontramos. Uma batalha está sendo travada entre o Rei do Universo e o príncipe deste mundo. Nós mesmos vivemos em um constante duelo interno, entre a explosão da vontade de estar no seio de perfeição e a dura realidade débil e mácula da imperfeição. Um desejo intenso de estar agora no Céu e o fato de ainda estar na Terra. Os braços levantados para alcançar a transcedência tendo os pés sólidos na imanência.

Quando Cristo disse que não veio trazer paz, mas espada, Ele estava simplesmente tomando posição de um lado do conflito. A Espada de Cristo não é arma de fogo, bombas, punhais ou qualquer outro armamento, mas é a decisão irrevogável de estar em oposição ao pecado (fator que muitos teólogos modernos negam a existência, negação que G. K. Chesterton denomina como loucura). Tal atitude coloca Cristo em uma categoria de pacificador totalmente diferente dos contraditórios pacificadores modernos, pois o cristianismo crê e atesta que no último tempo, na consumação final, o Poder do Universo, o Mestre Jesus, trará tudo à ordem original, Ele diz: “Faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21.5). A Espada de Cristo não leva o mundo ao caos, mas ajunta todas as peças espalhadas pelo pecado a um único quadro flamejante e belo.

Agora podemos entender, que ser pacificador não estabelece que este necessariamente tenha paz, pois um pacificador da Shalom não tem em si a paz da  utopia, assim como um pacificador utópico não tem em si a Shalom. E ainda acrescento uma terceira categoria, a dos pacificadores modernos que creêm na possibilidade de trazer ordem por meio da desordem. Então nos deparamos com esta forquilha de três vias e devemos escolher o caminho a seguir (pois é impossível viver e não ser um pacificador, seja qual for a categoria que se encontre). Qual trilha você irá prosseguir?

Veja que os pacificadores modernos fogem à regra mais simples da lógica, portanto é irracional ser este tipo de pacificador. Os pacificadores da utopia pregam uma doutrina inalcançavel e a nossa própria experiência serve de prova, nos mostrando que é impossível viver na Terra e estar completamente livre de qualquer tipo de incomodação e problema. Assim sendo, racionalmente devemos ser pacificadores da Shalom, apregoadores da pax romana final, portadores do conforto universal.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou;” Você aceita o desafio?





Paz e Pacificadores // parte1

19 12 2008

200289527-002A Lua estava cheia. Linda! O céu mais estrelado do que o normal. Um vento fresco acariciava meu rosto. Tinha amigos em minha companhia e estávamos a caminho de uma programação. Belíssima paisagem, digna de Monet. Entretanto, eu me sentia mal, indignado, revoltado comigo mesmo e com o mundo.

O programa ainda não havia começado então eu e a Mirian, minha amiga, sentamos no banco e esperamos. Nestes momentos prévios estava sendo projetado a gravação do DVD ao vivo de um grupo chamado ‘Novo Tom’, e a música que tocava dizia o seguinte:

 

“Paz é a certeza de que Cristo irá voltar.

“Paz é a segurança de que o Céu é nosso lar.

“Paz é ter na cruz meus pecados perdoados.

“Paz é ter Jesus caminhando ao nosso lado.”

 

Neste momento eu me viro para a Mirian e faço uma pergunta, daquelas feitas em forma de exclamação: “Paz!? Que paz maldita é esta? Eu creio que Cristo irá voltar, tenho a segurança do Céu, sei do perdão, sei de Cristo, mas ainda assim eu não tenho paz. Que paz é esta?” Naquela hora, simplesmente não podia concordar com a letra que estava sendo cantada. Como pode haver paz? Creio na Bíblia e em tudo o que ela diz, entretanto, não estava tendo paz, ao contrário, nada parecia ter sentido. Que tipo de paz é esta? Cristo disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14.27). Será que Cristo sabia o que estava dizendo ou teve um momento de falta de lucidez? Pois se Ele, por meio desta frase, queria mostrar algo possível, só posso concluir que não era Deus, certamente estava louco, porém, se Ele sabia o que realmente estava dizendo, não poderei contestá-lo, mais uma vez.

Observe que encontramos dois elementos: A Paz e o Pacificador. Um não pode existir sem o outro, ainda que não seja necessária a presença de um no outro. Posso ter paz e não ser um pacificador, ou ainda, posso ser um pacificador e não ter paz (discorreremos acerca disto mais à frente). Entretanto, o que é paz e pacificador?

Paz é o resultado de um estilo de vida. Pacificador é o pregador ambulante do conceito de paz. Cristo era o pacificador e estava levando a paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.” Esta frase até pode soar bonita, ter uma poesia bem estruturada, mas, até que ponto posso considerá-la, ou será que eu mesmo não estou compreendendo-a?

Existe um termo, cunhado pelo historiador Edward Gibbon, que reflete o conceito comum de paz, a Pax Romana (também conhecida como Pax Augustus). Esta expressão é usada para denominar o período experimentado por Roma que foi caracterizado por uma ausência de guerra e pequena expansão por meios militares. Este contexto invade a nossa compreensão de paz, como o próprio dicionário Houaiss define: “estado de espírito de uma pessoa que não é perturbada por conflitos ou inquietações; calma, quietude, tranqüilidade.” E eu pergunto: Você já experimentou uma pax romana na sua vida? Você já teve períodos onde se encontrava em completa paz? Onde nenhum tipo de problema lhe incomodou? Não?! Então como pode haver o conceito de paz se nem mesmo sabemos o que é isto?

Cristo parecia entender o que era paz e ainda mais, prometeu nos dar a paz. Entretanto, se você é cristão como eu, sabe muito bem que, apesar de Cristo, temos muitos problemas. Se pararmos por aqui, chegaremos à conclusão de que Jesus não passou de um mentiroso, um lunático que apregoava doidices absorvidas posteriormente por um grupo de incultos, todavia, se cremos que Cristo não é um enganador, devemos procurar ver o que Ele disse realmente.

Depois de dizer que deixaria-nos a Sua paz, Cristo falou: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições;” (João 16.33). Se Ele não está excluindo as aflições, então provavelmente meu conceito de paz está completamente errado. A pax romana é diferente da paz cristã (ao menos o que podemos dizer de realidade vivida). Então, o que é a paz cristã?

Se você ler e compreender o contexto em que Jesus está proferindo estas palavras, perceberá que Ele está falando da sua volta e confortando os discípulos. A volta de Cristo é aquilo que todos nós aguardamos, seja você cristão ou não. Todos nós ansiamos uma pax romana. Como posso esperar por esta volta se nem mesmo creio nEle? Muito simples: se você não crê em Cristo, mas tem o desejo de viver em um lugar sem sofrimento, mesmo que nunca tenha vivido lá, é porque alguém colocou este desejo dentro de você, ainda que não saiba. Da mesma forma que desejamos ir a certos lugares, não porque já estivemos lá antes, mas por causa da descrição exuberante e vivacidade que nos são passadas por quem já esteve nestes lugares. Todos nós ansiamos um mundo de pax romana por termos um coração que ouviu acerca deste lugar. Em realidade, o que Cristo promete no futuro é o cumprimento desta paz que nos é utópica, por enquanto, a pax romana. Não adianta tentarmos viver esta calma aqui na Terra, pois quando um problema nos deixa, logo vem outro para incomodar, quando adquirimos as forças perdidas pelo cansaço, logo surgem novos esforços, não há pax romana, apenas o desejo intenso por ela. Todavia, sejamos honestos, ainda estamos na Terra.

Quando Cristo nos disse que deixaria a Sua paz, bem especificou: “não vo-la dou como a dá o mundo;”. A paz de Cristo para esta Terra não é a pax romana, mas a Shalom, a qual não fala da ausência de problemas, porém da presença de dificuldades com um diferencial. Temos a Shalom quando apesar dos problemas não largamos a mão de Deus. Por isso Ele nos diz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” A paz real vem de Cristo.

Não estou procurando transmitir uma idéia de acomodação, ou o conceito hinudísta de destino. “Nasci em dificuldade e devo continuar na dificuldade.” Apenas estou querendo mostrar que há outra visão, existe uma paz que nos é alcançável, a paz cristã!

Ainda que desejemos a pax romana, a qual está inserida na ansiedade de cada alma humana, não podemos experimentá-la, pois ainda estamos na Terra. Sabemos de sua existência, mas não a conhecemos realmente. Deus nos deixou a Shalom, a qual podemos viver intensamente aqui e agora. A Shalom conduz à pax romana. O viver em Deus conduz ao local de paz.

 

Esta semana falamos sobre o objeto de uso de um pacificador, a paz. Semana que vem falaremos acerca do pacificador.

Não perca!





Dura Lex Sed Lex

10 12 2008

a0008-000020aOs jornais noticiam: “A ortografia sofrerá mudanças.” Quando? “Até 2010 todos os livros didáticos deverão utilizar a nova ortografia.” Estranho? Mas é real. O que até pouco tempo se escrevia, ‘Tive uma idéia!’, será alterado para, ‘Tive uma ideia!’. Qual o objetivo disto? Simplificar. Segundo o presidente Lula, esta atitude irá facilitar os acordos de comércio entre os países de fala portuguesa, irá auxiliar os países que necessitam da ajuda brasileira para o crescimento do sistema educacional e outros motivos (cf. http://tinyurl.com/6jdduu). Se você não sabe utilizar esta nova ortografia já é tempo de ir aprendendo, pois ela entrará em vigor apartir de janeiro de 2009.

Uma lei foi assinada para que tivéssemos uma nova ortografia, os motivos não me interessam no momento, entretanto, isto me faz refletir acerca de um assunto. A volatilidade das leis. Até este ano era correto o uso de um tipo de ortografia, todavia, por causa de um papel que foi assinado, apartir do ano que vem já teremos outro tipo de ortografia, o que consideramos agora como certo já não o será mais! Claro que não será nenhum crime utilizar-se da antiga ortografia, porém, veja que esta foi estabelecida por meio de algo instável. Então vamos mais fundo e tomemos como exemplo algo mais sério: Se o governo brasileiro decretasse que matar não é mais um crime, isto me daria o direito de assassinar que eu quisesse? Afinal, tirar a vida de alguém não seria mais um crime. Perceba que o órgão que, hipoteticamente, daria efeito à esta lei é o mesmo que modificou a ortografia.

Veja que temos dois pontos para discutir: Um diz respeito ao crime e ao cumprimento da lei, outro ao conceito de certo e errado. Crime necessariamente é errado? Cumprir a lei é correto? Não pense que estou aqui fazendo apologia ao anarquismo ou ao anomianismo, mas vamos refletir nestas duas perguntas.

O conceito de certo e errado, que faz parte da disciplina da Moral, é algo absoluto, afinal, não podemos ter algo que é correto e não-correto ao mesmo tempo. “Ah! Mas tudo depende da compreensão de cada um!” – alguém poderia dizer. Então eu pergunto: “Que tipo de moral você possui?! Se eu não gostar de você e acho correto depositar um objeto balístico no meio de sua massa cefálica, isto seria uma atitude certa e errada ao mesmo tempo? Certa pra mim e errada para você?” Perceba que, o conceito de moralidade relativa é aceito desde que não me afete.

No caso das leis tudo muda. Leis não são absolutas. Leis não dizem respeito à moralidade. Leis são um conjunto de regras que visam a ordem do país ou organização a qual pertencem. Portanto, uma lei que pode ser válida aqui no Brasil não será válida na Inglaterra. Aqui no Brasil (e em quase todo lugar no mundo) a lei diz que devemos dirigir na faixa da direita, porém, na Inglaterra os motoristas devem ficar com seus veículos na faixa da esquerda. Se fizer a moda brasileira (e quase mundial) na Inglaterra, eu poderei ser preso, assim como se for executado o jeito inglês no Brasil, poderei ir para a cadeia. Entretanto, isso não nos diz respeito à moralidade, pois esta é absoluta, o que podemos perceber que não é válido para as leis.

Dura lex sed lex (a lei é dura, mas é lei)! Qual é o limite desta afirmação? Até onde a rigidez da lei pode fixar seus olhos de “Medusa” sobre mim?

Certa vez, no século I d.C., um homem chamado Pedro e outros que seguiam ao Rabi Jesus, o qual eles criam ser o próprio filho de Deus, sendo em realidade o próprio Deus encarnado, foram submetidos a um interrogatório sob a acusação de causarem desordem pública. (Quando cruzamos informações externas ao Livro Sagrado descobrimos que, dificilmente, esse Jesus não teria sido Deus.) Neste ínterim, Pedro e os outros, foram proibidos de pregar os ensinos de Jesus. Então eles respondem: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5.29). Todavia chegamos a um impasse: ‘Se as leis são passíveis de mudança e são válidas apenas para uma comunidade específica, por que eu seguiria a Deus e Suas leis? Estas não seriam válidas apenas para o povo judeu daquela época?’

Antes de mais nada devemos saber que as leis divinas são diferentes das humanas. Deus também, assim como a Moral, é absoluto. Em realidade, nEle habita todo o nosso conceito de Moral. Não que as coisas sejam boas porque Deus determina, mas Deus é bom por Sua própria natureza e não há nada que seja superior a Ele. Portanto, Seus ‘ensinos’ (este é o real significado da palavra Torah) não podem ser considerados específicos para um grupo de pessoas, nem mesmo passíveis de mudança, já que a Moral é absoluta. Não que seja autoritária, mas não há outra que possa colocá-la em um nível de comparação. Assim, como não posso dizer qual Mona Lisa de Da Vinci é mais bonita, pois não há outras, mas posso diferenciar o original das cópias, assim é com a ‘lei’ de Deus, não é autoritária, pois ela é por si própria, apenas posso verificá-la em comparação com as suas réplicas (isso eu me refiro tanto às falsas como àquelas que estão imersas no coração do homem que chamados de lei natural).

Em diversos momentos estaremos face-a-face para escolher a quem seguir: Deus ou homens? Confiar no poder divino ou roubar para sobreviver? Sexo dentro do casamento ou viver carpe diem? Se a dura lex nos obrigar a fugir de Deus, qual será a tua decisão? Momentos onde a lei (seja ela social ou política) e a Moral estarão em combate.

Lembre-se: Apenas Deus é imutável, Ele é o originador de toda a Moral que flui até nós que fomos criados “à Sua imagem”. Não podemos fazer os fundamentos de nossa vida com meios voláteis. As leis de hoje são totalmente diferentes das leis de amanhã, entretanto, a Moral de hoje será a mesma eternamente, pois a sua origem é superior, sem comparações, imutável.

Que farei então com as leis de meu país? Cumpra todas elas. Todavia, se em algum ponto elas se chocarem com a Moral, lembre-se: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.”

 

 

 





O Último

3 12 2008

1150ef0202image_media_horizontalEra sua última refeição. Seu último abraço. Seu último ‘até logo’. Havia recebido uma promoção no mês anterior e estava radiante. Caminhava triunfante pelo saguão do aeroporto. Vestia roupa azul, sapatos pretos muito bem lustrados, gravata vermelha e um broche com o desenho de duas asas, o qual ostentava com muito orgulho, identificando-o como comandante. Henrique Stephanini Di Sacco, 54 anos, entra no Airbus A320 da TAM, voô JJ 3054. Cumprimenta toda tripulação, saúda seus passageiros, se assenta na poltrona e decola às 17h16 do aeroporto de Porto Alegre. Algum tempo depois, Henrique diria suas últimas palavras: “Vira! Vira! Vira!” Em seguida, apenas as chamas.

Se você soubesse quando seria o seu último momento que atitude tomaria? Alguns sairíam para um retiro com a família, outros passariam o tempo todo em oração, ou ainda ficariam a reparar as brechas. Quem sabe? Entretanto, de qualquer maneira, se refletirmos acerca do ‘Último’ (não o Causador ou o Primordial que é Deus, mas a Causa pura e simples), perceberemos quão frágil, impotente e necessitado é o homem.

O tempo corre em direção ao infinito, por mais que tentemos segurá-lo com as mãos, este escorrerá por entre nossos dedos como óleo e quando menos esperarmos, o Último do tempo estará batendo com a parede no nosso corpo, empurrando-nos para o desconhecido. Por mais que lutemos e relutemos para escapar perceberemos que nos é impossível. Não importa quanto conhecimento possamos ter ou a nossa situação financeira, todos somos cortados pela mesma navalha temporal, todos estamos incapacitados de lidar com o tempo. Então, chega o Último.

Pode ser uma imagem desagradável, mas, pare por um instante e imagine o momento de sua morte. Pessoas chorando em volta do esquife, a coroa de flores, roupas negras, uma música em acordes menores tocando ao fundo e alguém sempre afirmando: “Mas ele era tão bom!” A princípio, se congelarmos a imagem nesta ocasião, talvez pareçamos pessoas importantes e que sempre serão lembradas. Porém, deixe que as horas passem, o dias cheguem ao fim e se renovem, deixe que as flores da primavera se desprendam da árvore para dar lugar aos frutos anuais, o pó voltar ao pó, o tempo continuar sua corrida, então você perceberá que nada somos, incapazes de lidar com o Último, que se mostra mais forte que nós.

No momento, encontro-me em uma situação na qual estarei dentro de poucos dias encarando o Último. Não o Último moribundo, mas o Último que volta e meia temos que encarar na vida. Estou a poucos dias de deixar amigos que amo para trás, um local no qual passei momentos incríveis, para seguir em direção a uma nova fase da vida. Então paro para pensar: “Que farei nestes momentos que me restam?” Nesse instante não vale muito à pena refletir nas oportunidades que perdi, mas me concentrar nas últimas oportunidades. Agora começo dar valor àquilo que tem valor, pois, por mais que eu queira o progresso da minha maneira, o tempo é mais forte e me leva ao meu Último.

O Último é um grande paradoxo da vida. Ao mesmo tempo em que traz alegrias para alguns, carrega tristeza para outros, ao mesmo tempo em que encerra o velho, dá início ao novo. O último dia no hospital leva qualquer um à uma esfera de alegria, afinal, agora o doente está curado, as chagas foram levadas e a carne sadia mostra o vigor da pessoa que entra no carro rumo à sua casa, entretanto, o mesmo Último trará grandes lágrimas se a saída se der dentro de uma urna rumo ao local da mortuária. Quando o relógio bate meia-noite sob o manto escuro e flamejante do céu de 31 de Dezembro, ao mesmo tempo despedimos do ano velho e saudamos o ano novo. Alegria, tristeza, velharia, novidade… Em qual lado do paradoxo você prefere se encontrar?

Ainda estamos na Terra, portanto, mesmo que construam máquinas poderosas, computadores velozes, edifícios luxuosos nada disto é mais forte e imponente do que o tempo que leva todas as coisas ao seu Último inevitável. Entretanto, existe Um que é o possuidor do Tempo, Aquele cujo relógio não possui ponteiros, pois é impossível medir a eternidade. Este é o Ser que manifestará o desenlace do Último, levantando a cortina do espetáculo e revelando que o palco da História não tem fim. Ele, que desde milhares de anos antes de Cristo revelou com precisão o que haveria de acontecer em nossa era por meio daquilo que chamamos ‘profecias’, as quais são provas racionais o suficiente para comprovar tanto Sua existência quanto a capacidade de controlar o que foge ao nosso controle, o Tempo.

Chegará o dia em que uma nova era será inaugurada, não mais a Era do Fim, mas a Era do Infinito. O Senhor dos Céus descerá e com poder repetirá as palavras anteriormente ditas, agora em contexto totalmente diferente: “Está feito!” (Ap. 21.6) Encerrou-se o período do Último, as portas se fecharam para então dar início às ‘novas coisas’, pois este Poder disse: “O tempo está próximo. Eu sou o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Certamente venho sem demora.” (Ap. 22.10, 13, 20).

O Último pode causar tristeza. Mas lembre-se, o Último é um paradoxo. Portanto, fique feliz, salte de alegria, enxugue as lágrimas, pois estamos nos ‘últimos dias’.








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