Testemunho

3 03 2011

O que se tem a seguir é uma cópia de um email, o qual enviei para várias pessoas após uma experiência maravilhosa. Sei da característica predominante deste blog que soa um tanto racionalista, entretanto, sem sombra de dúvidas, existem certas experiências das quais é inegável a realidade. Esta é, talvez, uma Crítica da Razão Pura. Todavia, resolvi compartilhar esta mensagem com todos por acreditar no poder do TESTEMUNHO:

 


Neste link (http://twitpic.com/45o09p) [esta é a imagem ao lado] vocês irão encontrar uma foto que tirei com o meu celular hoje às 10h quando a música tocou na escola e todos os alunos pararam suas atividades e entraram em comunhão com Deus. Sei que foi apenas um minuto, ou alguns segundos, entretanto a atmosfera que dominou a escola foi sem igual, um silêncio que dificilmente você iria encontrar ali, pois, como em todo colégio, o som de alunos é constante, porém, neste momento, o único som capaz de ser ouvido era o da música, não porque ela estivesse muito alta, mas pelo fato de que todo o colégio entrou em oração. Admito que ao olhar aquela cena o meu coração se comoveu e aprendi uma grande lição: MUITAS VEZES ESQUECEMOS DO MAIS IMPORTANTE.

Cheguei em casa, depois de várias atividades da capelania, e aquilo simplesmente não saia da minha cabeça. Refletindo em tudo o que tenho feito no colégio esta foi a conclusão que pude chegar e a maior lição que eu aprendi, ainda que seja em pouco tempo na obra. Entretanto, pude ver que ao iniciar o ano buscamos encontrar o melhor projeto, aquele que muitos vão aplaudir e em seguida você poderá ouvir: “Esta foi a melhor coisa que pôde acontecer este ano!” E aparentemente tudo vai às mil maravilhas, porém, depois de passar por uma experiência desta, e nestes poucos segundos de pura reflexão divina, percebi que muitas vezes esqueci do mais importante.

Em um livro li a seguinte frase: “Necessito de Cristo, e não de algo que se pareça com Ele!” Tantas vezes apresentei algo que se parecesse com Cristo, tinha as feições do Mestre, mas não era o próprio Mestre. Nossos alunos e nossa igreja necessitam de Cristo, não de discursos e bibelôs ideológicos. Creio que o documento da Associação Geral chamando-nos para um reavivamento não poderia vir em melhor momento, e com toda a certeza, isto está começando a acontecer. Como já disse Joel e foi reproduzido em Atos 2.17-21: “‘Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. Mostrarei maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!’”

“Ouço os passos de um Deus que se aproxima” e cada vez mais posso ver o Evangelho sendo pregado a todo mundo e a toda geração.

Cristo vem!

 

 

Graça e Paz,

 

 

Gustavo C. Góes





Esperança e Silêncio

15 01 2011

(ver o texto Sofro, logo Deus existe)

Mais uma tragédia das muitas que ocorrem pelo mundo a fora. Uma tromba d’água que levou consigo toneladas de barro e muitas vidas, um momento em que muitos ficam apenas se perguntando: “Por quê?”. Respostas evasivas e inacreditáveis surgem no meio de tanto alvoroço, vozes quase do além. Além da tristeza, além da realidade, além do consolo. Tanto tem para se falar para pessoas que nada tem, e misturado a este palavrório insensato outros brigam com a existência do divino.

Devo admitir que algumas vezes deixamos o sofrimento falar tão alto que não conseguimos compreender que há uma esfera superior (apenas superior, o que não a coloca como irreal ou meramente transcendente, pois esta mesma também é imanente) e nos voltamos para Aquele que É apontando o dedo com arrogância e acusando-O de não fazer nada, na verdade, colocando as tragédias como provas para a sua inexistência. Tolice ilógica! O garoto que se joga em cima dos espinhos e coloca a culpa em seu próprio pai. O mundo é destruído pelo ser humano, porém, a sua loucura desvairada se excede tanto que, ainda cambaleando pela embriaguez, diz bobagens, procura causas ocultas imaginárias e continua a destruir a própria casa.

André Comte-Sponville em seu livro “Tratado do Desespero e da Beatitude” nos conclama a seguir uma vida des-esperada. Pois aqueles que possuem esperança vivem eternamente em um mundo sem alegria, pois quem espera o faz porque anseia que tudo seja melhor, mas os que não possuem esperança, os des-esperados, resolvem viver uma vida plena aqui e agora. Todavia, eu me volto para Comte-Sponville e pergunto se o mesmo vale para a tragédia no Rio de Janeiro, se este discurso é válido para aquelas famílias que com muito esforço construíram suas casas, mas que em questão de minutos viram os sonhos de suas vidas ruírem e serem levados pela enxurrada. Viver uma vida sem esperança é viver uma vida burra, pois a esperança não trás tristeza, como ele alega, entretanto, a esperança traz alegria e conforto, porque tem-se a certeza que de ainda não se vive o fim. Resumir a existência humana meramente ao planeta Terra com se vê é a maior angústia que se pode dar a qualquer ser humano.

Claro que o divino não é um lenitivo como a morfina (a URSS não foi um LENINtivo para o mundo), nem mesmo os bancos de uma igreja funcionam como o divã de um psicanalista invisível, porém, o ateísmo não pode preencher esta falha visivelmente necessária na atual existência humana: a ESPERANÇA, fator que cada vez mais se encontra em falta. Eleitores não se preocupam com seu voto, pois perderam a esperança, pais não se preocupam com a escola, pois perderam a esperança, jornalistas transmitem catástrofes da mesma forma que Ana Maria Braga passa uma receita porque não há mais esperança, as pessoas não querem acreditar em Deus porque não há esperança (por mais contraditório que pareça!). Não vivemos em um mundo desesperado, mas em uma sociedade amorfa e apática, que não sabe de onde vem e muito menos para onde vai, uma sociedade que deixa o etéreo lhe causar estresse enquanto que as realidades mais concretas são postas de lado. Um pós-modernismo que tem levado ao catastrofismo.

O que fazer então?

Eu proponho uma volta aos propósitos de Cristo. Ele mesmo disse que no fim dos tempos a sociedade e a natureza dariam sinais de que tudo estaria se encerrando (Mateus 24), como as últimas notas de uma música anunciam o desfecho do espetáculo: guerras, rumores de guerras, fome, terremotos e tantas outras catástrofes dignas de livros de ficção, mas que infelizmente não são. Será que nada disto acontecia a 2000 anos atrás? Será que estas coisas fazem parte do mal moderno? A resposta é um claro não, pois quando Jesus disse que nos últimos dias estas coisas se dariam, Ele estava declarando que o Reino de Deus já havia chegado, porém, uma coisa ainda faltava: o evangelho do Reino ser pregado a todas as nações.

É inegável que nestes últimos anos estes eventos (que gostaríamos de tê-los longe da nossa mente e da realidade) tem se tornado cada vez mais intensos e frequentes, mas a nossa missão é levar o evangelho àqueles que nos rodeiam. João em sua primeira carta nos diz que o rosto de Deus é revelado aos outros por meio das intenções e atitudes de cada um de nós. Portanto, quanto às famílias do Rio de Janeiro, deixe as palavras de lado e abrace, chore e doe calor humano, pois é assim que se leva o evangelho e diz as palavras de Cristo: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” (Mateus 11.28, NVI).





Livre(mente)

9 01 2009

livre(mente)[Obs.: Recomendo a leitura do texto ‘Sobre cebolas, maçãs e batatas’ para compreender melhor o que se segue]

 

Qual a imagem que vem à sua mente quando é proferida a palavra ‘liberdade’? Uma pessoa de braços abertos? Um escravo correndo com suas algemas partidas? O oceano infinito? O vôo de uma águia? As estrelas espalhadas pelo vasto universo? Quando eu penso em liberdade vem à minha mente uma mescla de tudo isto. O som da palavra liberdade produz uma vibração na minha alma, que reverbera por todo o meu corpo, escapando por meio de uma luz invisível ao som da respiração. Não é possível explicar exatamente qual o efeito da liberdade em mim, mas de uma coisa eu sei: Todos nós a buscamos.

Em 1888, segundo os livros de história e a clássica compreensão, o Brasil assinou a chamada Lei Áurea, dando liberdade à todos os escravos. Sabemos muito bem que não é só o Brasil, mas praticamente todos os países do mundo possuem leis contra um regime escravocrata. Tudo isso é o reflexo de um impulso interior que flui do ser humano. Não fomos feitos para viver presos, mas somos pássaros que voam do penhasco em direção ao horizonte rumo à liberdade. Leonardo Boff diz que “possuímos essa dimensão de abertura, de romper barreiras, de superar interditos, de ir para além de todos os limites” (Tempo de Transcendência, p. 28). Somos seres da liberdade. G. K. Chesterton, ao falar da criação, diz que “toda criação é uma separação”, pois o vaso não é parte do oleiro, foi fruto da idéia dele, mas agora está desprendido para exercer sua função de vaso. Tendo isto em mente, Chesterton completa: “o princípio filosófico básico do cristianismo era que esse divórcio no ato divino de criar … era a verdadeira descrição com o qual a energia absoluta criou o mundo. Segundo a maioria dos filósofos, Deus ao criar o mundo, o escravizou. Segundo o cristianismo, ao criá-lo, Deus o LIBERTOU.” (Ortodoxia, pp. 129, 130. Ênfase minha). Portanto, fomos colocados no mundo para viver em plena liberdade.

Somos seres para viver livre(mente). Livres para tomarmos nossas próprias decisões, caminhar pela via que escolhermos, crer naquilo que quisermos. E possuímos uma mente, que nos direciona para tal liberdade. Livre(mente) tem o mesmo complemento que total(mente), com o espírito pleno, e forte(mente), de alma decidida, portanto, livre(mente) significa um espírito liberto. Entretanto, nossa sociedade atual tem transmitido um conceito irracional, estúpido, transformando-nos de livre(mente) para mente(captos), de águias para avestruzes, dando-nos um placebo de total liberdade, quando na verdade não conseguimos nem mesmo levantar do chão. Esta doença é chamada de relativismo.

Por muito tempo vivemos sob o regime da tradição, ou como Chesterton a define, a “democracia dos mortos”. Não importa a causa, devemos seguir o que nossos antepassados têm feito por muitos e muitos anos. Tradição. Como a tradição do Natal, comemorada no dia 25 de dezembro, data que a princípio relembrava o nascimento de Jesus, pura tradição. Cristo provavelmente nasceu entre o período de fevereiro a maio (não sabemos ao certo); não havia um pinheiro com bolas lá na estrebaria, nem mesmo um peru assado para ser comido, entretanto, por assimilação de outra cultura, o cristianismo estabeleceu a data e tudo o mais seguiu-se por meio da tradição. Veja que não condeno a tradição, pois sem ela muito da história se perderia e mesmo o conhecimento não cresceria (pois não existe pesquisa científica sem pressupostos), porém, se esta for assimilada como meio de vida, internalizando-a na alma, o indivíduo acaba se tornando um escravo do passado com algemas que o arrastam para trás, fazendo-o crer em crendices, imaginar o que já foi imaginado, possuir medo de abrir novas trilhas.

Em 1789, com a Revolução Francesa, é levantada a bandeira da liberdade. ‘Não mais presos pelos dogmas da igreja. Não mais pressionados pela escuridão do falso conhecimento. Não mais governo totalitário. Agora somos todos livres, para viver da forma que quisermos!’ “Laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même!” (Deixai fazer, deixai passar, que o mundo caminha por si mesmo). Viva o relativismo! Todavia, os ânimos se vão, a confusão é acirrada e em 1795 o governo levantado na Revolução, cai. Apesar desta derrota os conceitos relativistas perduram até hoje.

Anteriormente os homens estavam escravizados à tradição, então se levanta o relativismo procurando liberdade, mas novamente escraviza o ser humano. Em realidade, devemos buscar ser livre(mente) como as pessoas que viviam antes da tradição (se algo é tradição, alguém deve tê-lo iniciado) e que transcendiam o relativismo.

Os relativistas dizem: “Fora a tradição! Agora sou livre para voar e fazer o que bem quiser! Se caso não gostarem das minhas idéias, do meu jeito de vestir, da minha fala, dos meus gostos, que se danem! Eu sou um ser à frente da minha época!” Pobre coitado, pensa possuir asas de águia quando na verdade não passa de um avestruz; crê estar liberto, mas acabou de se tornar escravo de suas próprias idéias.

Os Seres livre(mente) não estão presos a uma linha de tempo, mas caminham pelas eras, como um rei em seu palácio. Entretanto, esses sabem muito bem que para serem livres é necessário que se limitem. O relativismo nos diz que para obter a liberdade não devo me prender a caminho nenhum, no entanto, se todos os caminhos levam à Roma, não posso ir à Roma por todos os caminhos de uma só vez, pois se assim for, provavelmente me encontrarei perdido, vagando de um caminho para o outro. Para ser realmente livre é necessário se limitar, caminhar por um só caminho, enraizar-se em um único solo para então abrir os galhos e alcançar toda a redondeza da Terra. Os Seres livre(mente) são plásticos o suficiente para adaptar-se a qualquer pessoa sem perder os princípios nos quais está enraizado, porém, é necessário lembrar que nem todos os caminhos levam à Roma, pois o caminho para Londres não te levará para as terras ítalas. Então, se uns dizem que a felicidade é alcançada pelo Nirvana, outros pelo materialismo e outros por Cristo, todos não podem estar certos, pois se contradizem. O Ser livre(mente) raciocina e fundamenta suas raízes na visão correta para então viver sua liberdade.

Paulo disse: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.” (2 Coríntios 3.17), e também falou: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos. E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo.” (1 Coríntios 8.9, 13). Paulo, desde os tempos anteriores à tradição cristã, já vivia de maneira livre(mente), fixava sua raiz no caminho certo e se expandia para o mundo inteiro.

Sou um ser livre(mente), não me importo em me adaptar à pessoas ao meu redor, não me importo em me modificar para ser melhor compreendido. Isso não diz que eu não possuo modismos e gostos, entretanto, estou disposto a abandoná-los se for para que outras pessoas entendam o verdadeiro Caminho, se for para lembrar que ainda estamos na Terra, se for para anunciar a vinda de um Novo Reino. Não me importo em falar chinês, vestir turbante, bater continência, pois sei onde está a minha raiz, de onde sugo energia e vida, o resto, são galhos.

Anuncio-lhes, pois, o retorno ao Ser Livre(mente).

 








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